Category Archives: Artigos

Por Carlos Gomes – O grande escritor João Batista Machado

Há pouco mais de um ano Codó perdeu  esta figura ímpar, em virtude do seu falecimento a 22 de março de 2016.

João Batista Machado

O escritor João Batista Machado, ícone da cultura codoense, deixou a sua marca indelével através de seus escritos: Livros, Artigos e Crônicas, o que não passa despercebido dos amantes da leitura.

Pessoa simples, tratável e sobretudo humana. Recebia prazerosamente todos que o procuravam em sua residência, ali na rua Henrique  Figueiredo: aqueles que o visitavam cortesmente, e também, os que buscavam conhecimento em diversas áreas do saber. Sem dúvida, ele foi um monstro sagrado.

Codoense, nasceu no povoado São Miguel a 24 de junho de 1925. Faleceu aos 91 anos de idade, deixando para o meio cultural e a comunidade codoense em geral, uma lacuna que dificilmente será preenchida.

Codó, 23 de junho de 2017

Prof. Carlos Gomes

Professor Welson faz um resumo histórico da vida de José do Egito

O professor e historiador Welson da Silva Pinto traz agora um resumo da vida de José do Egito – de escravo a governador do Egito. CONFIRA

Por Jacinto Junior – Acélio, o “Sherlock Holmes” da comunicação

Professor Jacinto Junior – um pensador contemporâneo

Já está passando da hora de prestar uma singela homenagem a quem considero o mais dinâmico e o melhor profissional da comunicação do interior do Estado: Acélio Trindade.

Não irei levantar sua biografia, pois, todos nós já a conhecemos, entretanto, esboçarei algumas justas considerações a um homem que realiza com paixão sacerdotal sua primeira função: o jornalismo.

Além dessa função ele exerce outra com o mesmo esmero e habilidade: a ciência jurídica. Diga-se de passagem, que, neste setor sua fama é de uma constelação menor, aparentemente! Sempre altaneiro, porém, criterioso, sem exasperação.

Possui uma extraordinária capacidade de ouvir, e ouve atentamente cada fala, cada detalhe, como se fosse o próprio investigador laureado por sua inquestionável competência para elucubrar os crimes que, a princípio são insuperáveis – vide, por exemplo, Sherlock Holmes e seu inseparável amigo Watson – isto, conta para quem é, ao mesmo tempo, coletador de informação para oferecer um ‘furo’ sensacional sem a preeminência do sensacionalismo e, no campo jurídico construir uma defesa com as mesmas características. E, assim, tem sido sua conturbada e tríplice atividade: jornalística, jurídica e bloguista.

Conheço-o há mais de 20 anos e carrego um episódio histórico ocorrido na década de 1990, que, na época o comandante do executivo era o ex-prefeito Biné Figueiredo. Quando ainda era um militante político e ativista social. Naquele episódio quem estava fazendo a cobertura: Acélio Trindade. Era um 7 de setembro, organizamos uma mobilização intensa com diversos segmentos sociais, e, taticamente, esperamos o desfile seguir seu trajeto, para em seguida, executarmos nosso plano.

A polícia estava à posto, seguiam-nos sob ordens expressas do gestor para impedir a realização de nosso protesto. Quando chegamos defronte ao Clube Guarapary – que hoje já não existe -, o comandante da polícia deu a ordem: evacuar a rua e prender quem resistir! Naquele tumulto fora presa nossa companheira e primeira candidata mulher em Codó pelo PT em 1992.

O mais engraçado desse episódio foi a prisão do CAIXÃO que, representava a morte da Educação e a falência do governo. Acélio me entrevistou na ocasião, essa gravação deve estar arquivada nos Estúdios da TV Mirante. Foi um grande alvoroço aquele movimento e, particularmente, o CAIXÃO foi quem roubou a cena. Relato esse fato para dizer que a caminhada de Acélio Trindade é de longas datas.

Seu estilo é único! Sua tonalidade incisiva integra o panorama perfeito para chamar a atenção do público e completa seu desempenho a gravidade de sua voz.

Reconheçamos: de fato, o nosso ‘Sherlock Holmes’ é um notável repórter de telejornal, de mídia social e, ainda, um expert no campo jurídico. Sua capacidade técnica para formatar uma reportagem foge aos padrões tradicionais e, por conta disso, às vezes, mal interpretado, outras, criticado por pessoas que não conseguem subtrair a essência de suas informações picantes e sinuosamente criativas.

Acélio Trindade inspira, gera polêmica com apenas uma fração de frase, contudo, permanece o ídolo codoense, pois, cotidianamente, alimenta a comunidade com suas assíduas informações.

Por Jacinto Junior

Sobre MORAL e o comportamento da mídia

A república brasileira sofre mais um abalo sísmico em sua estrutura moral e política diante da delação premiada do agente privado da multi JBS, o falastrão Joesley Batista. A relação promíscua entre público-privado e o inverso, definitivamente, escancara a cultura enraizada da corrupção ensandecida que demole o bom senso, desestabiliza o Estado, corrói a ética política, cega a razão e dissolve a moral humana como patrimônio irrelevante – quando, na realidade, deveria ser absolutamente relevante.

Professor Jacinto Junior – um pensador contemporâneo

A prostituição moral é a filha predileta da elite vira lata, hipócrita e cretina. E o resultado disso, se manifesta no culto das relações sociais entre sujeitos dentro de um sistema pútrido e desacreditado em suas comprometidas instituições democráticas. Que, por sinal, estão fragilizadas, inclusive, o judiciário!

Quando o assunto chega às alcovas e não na antessala da Casa Grande, o conceito de moral tende a ser lastreado por um comportamento invejável e circunscrito a uma realidade surreal – ou seja, quando efetivamente passa a ser descrita como elemento essencial nas relações interpessoais, sobretudo, no que concerne aos sujeitos pertencentes à elite, tal moral ganha vida e notoriedade -; mesmo que, corriqueiramente, tais sujeitos tenham prevaricado e cometidos abusos contrários à sua genuína natureza social.

O discurso da moral na boca de um membro da Casa Grande sempre é carregado de um tratamento ‘harmonioso’ e ‘respeitoso’, sobretudo, em público. O falastrão burguês goza por seu status quo de um aterrador ocultamento de suas ilustradas (des)virtudes. Vide por exemplo o caso mais recente denunciando o mais singelo e notável homem público: o boêmio mineiro. E suas conversações com membros da Suprema Corte do país altamente comprometedora.

Outro dado interessante que, a princípio, não tenho nenhuma tendência em fazer apologia, pelo contrário, em relação ao elemento que tentou obstruir a lava jato: o caso da prisão do senador Delcídio do Amaral – PT. Ora, se houve um dialogo mostrando de forma inconteste as peripécias do senador plumado, por que não fora preso sumariamente e, em seguida, instalado o processo de cassação de seu mandato, pois, o método utilizado pelo boêmio mineiro é fruto de Caixa 2 e, isto, constitui crime eleitoral!

Apesar de se ter provas irrefutáveis de vários diálogos recheados de maldades, traquinagens e manipulações, os envolvidos tentam a qualquer custo negar e/ou isentar-se do dolo, do crime e/ou envolvimento sobre determinados fatos e circunstâncias; aliás, ainda é aceitável uma anomalia jurídica – como se pode verificar o ato de Joesley Batista – a subordinação ardilosa para livrar-se de alguma condenação por intermédio da chamada ‘Ação Controlada’ – método ortodoxo utilizado pela Polícia Federal para obtenção de informações plausíveis sobre indivíduos investigados – sintetiza uma ação açodada em que o criminoso sobrepuja aspectos legais recebendo benesses (uma espécie de foro e blindagem especial) para, com provas coletadas, incriminar outrem. A lei não pode proteger quem comete crime, muito menos, amenizar a condenação ofertando privilégios para quem deseja delatar e, assim, se safar da culminação prevista no ordenamento jurídico. Crime é crime e pronto!

Em síntese, a metodologia aplicada – linha editorial – pela mídia privada conservadora para demonstrar o comportamento dos políticos envolvidos em crime de responsabilidade e/ou desvio de recursos por meio de Caixa 2 evidenciam-se pelo uso do expediente convencional ‘dois pesos e duas medidas’.

Dependendo do seguimento ideológico que esteja em cena, ela tende a condicionar uma postura previamente condenatória satanizando o investigado antes mesmo da Justiça se manifestar consoante aos fatos, às provas inseridas no processo e, especialmente, às alegações da defesa.

A Senzala (o povo, a classe trabalhadora explorada) precisa atentar para o aspecto da informação produzida pela grande mídia privada conservadora, afinal, ela sobrevive à custa do capital, tanto público e/ou privado; sua atuação é inesperada, pois, a historiografia denuncia que ela sempre esteve associada ao regime dos membros da Casa Grande (a elite, a classe dominante). Na verdade, a grande mídia privada tem se safado pela vulnerável capacidade de pigmentar-se.

Por Jacinto Junior

RELIGIÃO: Professor Welson destaca a vida do reformista MARTINHO LUTERO

O catedrático professor Welson da Silva Pinto, a pedido de seus fãs e alunos, fala neste vídeo sobre a vida de Martinho Lutero, o responsável pela famosa REFORMA PROTESTANTE que tirou o poder absoluto da Igreja Católica. Confira as informações históricas.

Mensagem do professor Carlos Gomes à todas as mães codoenses

MÃES CODOENSES

Porofessor e escritor Carlos Gomes

 

Para nossa satisfação, comemoramos mais um dia das mães neste 14 de maio de 2017.Sabemos que estas criaturas dedicam grande parte de suas vidas para a felicidade dos filhos. Por tanto, tudo que fizermos para homenageá-las nesse dia é pouco, pelo que representam na nossa existência.

Vamos comemorar este dia com muito amor e carinho, e pedir a Deus que as conservem vivendo por muitos e muitos anos.

Parabéns queridas Mães!

Prof. Carlos Gomes

Professor Welson e a vida louca de Adolf Hitler

O eloquente professor Welson da Silva Pinto compartilha mais um pouco de seu vasto conhecimento na área de história geral e nos brinda, neste vídeo, com um breve resumo da vida de Adolf Hitler, uma das figuras mais enigmáticas que já existiram na terra.

DA MÍDIA E DA INFORMAÇÃO: do abstrato conceito à conceituação dialética da informação

A partir da leitura de um texto elaborado pelo professor Afrânio Jardim – Mestre e Livre-Docente em Direito Processual Penal (Uerj) – com o sugestivo título: “A perversidade da Mídia e a Sociedade Ingênua”, (publicado em sua pagina oficial no Facebook) tentarei aprofundar o caráter venal que a mídia conservadora busca impregnar na consciência do telespectador uma verdade única e absoluta.

Professor Jacinto Junior – um pensador contemporâneo

Afrânio desvela o espírito tendencioso da mídia em defesa dos interesses de grupos corporativos – econômicos – é o que costumamos chamar de capitulação descarada. Sua abordagem, com efeito, desmistifica o contrassenso apelativo impregnado na ideologia do discurso dominante, veja como ele aponta a tática da grande mídia no que tange à informação e seus objetivos diante da opinião: “A GRANDE IMPRENSA, ALÉM DE (de) FORMAR A OPINIÃO PÚBLICA, DEPOIS PASSA A DAR PUBLICIDADE DAQUILO QUE LHE INTERESSA DIZER QUAL SERIA A OPINIÃO PÚBLICA, CRIANDO UM CIRCULO VICIOSO. SEM QUALQUER PESQUISA SÉRIA E CIENTÍFICA, A MÍDIA NOS DIZ COMO PENSAMOS SEGUNDO O SEU DESEJO” (o grifo em caixa alta é do próprio autor e não meu).

Olhando para essa definição, vislumbramos três características que enchem o ideário midiático na perspectiva da alienação do telespectador, a saber:

  • Recepção da informação cunhada pelo favorecimento de uma classe social em detrimento de outra com uma fina sutileza que acaba convencendo a classe subalterna a digerir tal informação;
  • Incapacidade teórica dos membros da classe subalterna para refletir de forma independente sobre o conteúdo apresentado, devido sua labuta diária (associada ao cansaço) e, por conseguinte, a informação repassada torna-se uma verdade única e inquestionável;
  • E, por último, estabelece ‘princípios’ que devem coexistir numa relação social, eliminando desse modo, a presença do contraditório, pois, tudo está selado a um dócil arranjo cordial. Dito de outro modo, a cultura e a própria condição daqueles que não se envolvem em questões sociais e políticas, aparentemente, estão resguardados e protegidos da famigerada e indolente chaga da corrupção.

Note o perigo que representa a mídia conservadora com suas manipulações! Mas o pano de fundo é exatamente tolher a ação de todo e qualquer sujeito que ouse interpelar o modelo e o arranjo floral da notícia institucionalizado por esta estrutura de poder. Quando percebe que corre perigo, imediatamente, ela evoca a presença democracia e o conceito de liberdade de imprensa para, assim, se safar do mecanismo que definirá a sua função e papel social como formadora de opinião – isto é, sobre o Marco Regulatório da Comunicação em bases democráticas.

Afrânio Jardim aprofunda sua crítica remetendo para a necessidade de se ter um sujeito interventor com consciência crítico-intelectual para confrontar-se com o que designa de “consciência ingênua’: “Consciência crítica não interessa a quem tem o poder social. Eles precisam de consciências ingênuas que acreditam em tudo o que veem na perniciosa “telinha da televisão”. Por isso, alguns trabalhadores estão favoráveis às reformas trabalhistas e da previdência social, sem notar o quanto vão perder em termos de bem estar social”.

Sua preocupação se estende até mesmo sobre o caráter da irracional reforma trabalhista e previdenciária proposta pelo traidor/golpista/ilegitimo Temer, pois, os mesmos sofrerão danos e perdas irreparáveis no que concerne à sua aposentadoria e aos direitos trabalhistas. A incompreensão por parte desse sujeito – que, diretamente, está envolvido no processo desta reforma sendo atacado e colocado como o principal elemento causador do déficit -, aceita passivamente a ideia ilusória depreendida pela mídia de que para consertar a desordem atual da Seguridade Social, urge a reformulação da Previdência Social. Somente quem não conhece por dentro a realidade da Previdência Social pode acreditar nessa estória da ‘carochinha’.

E retratando a fortes pinceladas sobre a aguda realidade socioeconômica do sujeito histórico alienado, diz num tom quase que clamando para aquele, despertai de seu devaneio heterodoxo econômico ô pobre trabalhador: “pobre não sabem porque são pobres, apenas querem ficar ricos”(…) . Aqui temos um paradoxo um tanto heterodoxo com essa afirmativa. Para ele o sujeito inconsciente (aquele de consciência ingênua, lembra?) precisa romper as amarras não apenas do silêncio, mas, sobretudo, estabelecer uma ruptura com o corriqueiro e colocar-se numa perspectiva renovada naquilo que é fundamental: pensar criticamente a realidade social que embrutece sua arrasada vida econômica. Sua arguta afirmação pressupõe um eixo determinante para que o sujeito encontre o verdadeiro mecanismo que o aprisiona numa dada circunstância histórica. Na verdade, Afrânio Jardim propõe uma reflexão muito simples para o sujeito despossuído de toda abastança que detém o capitalista. Nesse discurso, percebem-se duas vertentes muito claras:

  • A necessidade do ‘pobre’ se reconhecer como tal, porém, precisa tomar consciência de toda a estrutura que circunda sua vida, a partir desse ponto, integrar uma nova fase de seu conhecimento, ou seja, apropriar-se do saber, e, para isso, tem uma tarefa a desempenhar: estudar história, filosofia, política, sociologia e, principalmente, economia. Com estes elementos internalizados assumirá sua identidade classista, sua condição histórica de pertencimento e questionar sua condição subumana; ou seja, descobrir os tramite que proporcionaram sua condição de miserável no sistema excludente capitalista.
  • Da ‘consciência ingênua’ à consciência crítico-social. O ‘pobre’ segundo Afrânio desconhece as razões pelas quais ele é pobre e continua pobre na realidade social. Ele estimula o ‘pobre’ a se submeter a um processo revolucionário de rompimento (ruptura) dinâmico, sustentado na teoria social que ele se apropriou (história, filosofia, política e economia), que dará a justa consciência política de como é formada a estrutura de poder e os mecanismos produzidos que geraram e continua a gerar sua miséria social. A ideia do ‘pobre’ desconhecer as razões que o condicionou a ser ‘pobre’, está intimamente ligado à ideia da violência simbólica; por conseguinte, ele acha que só o fato de querer ser rico é o suficiente para superar sua condição socioeconômica, na verdade, ele vai ter de estabelecer estratégias capazes de reinventar a si mesmo e, a partir disso, ter uma nova consciência política e social dialética para se libertar da dominação de classe a que vive submetido com sua ‘ingênua consciência’ sociopolítica.

Contextualizar a ambiência de uma vida marcada pela pobreza deve perscrutar a reflexão do sujeito para que ele compreenda sua condição social e subumana como uma determinação estruturada na lógica de um sistema opressivo: o capitalismo. Isto implica afirmar que, o sujeito ‘pobre’ – alienado de sua condição econômica – que busca a riqueza sem antes saber por que vive numa situação de penúria, internaliza apenas o desejo superficial de querer ser rico também e essa vontade se expressa no conceito burguês da individualidade, da competitividade e exímia superação dentro do sistema excludente – cuja palavra-chave é a ditosa meritocracia (grifo nosso). Esse conceito é uma antítese da coletividade. Essa é a lógica perversa do neoliberalismo sob a ‘ingênua consciência’ sociopolítica.

Portanto, a ideia de sopesar a natureza da informação constitui pedra de toque para aquele que, de fato, irrompe com o modelo idealizado pelo jornalismo canhestro e tendencioso. Isto se chama dialética. Saber distinguir uma informação de uma falsificação é um exercício prático de analise teórico-dialético.

Sucintamente, Afrânio Jardim tenta justapor a ideia da reflexão crítica como mola propulsora para desencarnar a manipulação ideológica contida na informação falsificada; pondo-a nua, colocando-a em seu devido lugar sem nenhuma maquiagem e tendência; apenas informando corretamente o fato ao telespectador atento como ele o é, ou na melhor hipótese, como se constituiu.

Por JACINTO JUNIOR

Por Carlos Magno – A BUROCRACIA (parte II)

Volto ao assunto do título, após manifestar-me há mais de um ano, neste blog, com alguns aditivos, por absoluta inflexibilidade em aceitar a intromissão do Estado na vida do cidadão, que já é demasiadamente onerado, exigido e regulamentado, por normas baixadas a cada dia, sem o menor sentido. É um assunto espinhoso. Mas, coragem e vamos lá. O cipoal burocrático persiste no Brasil porque desbastá-lo implica uma tomada de risco: retirar poder do Estado e aumentar a cota de liberdade e responsabilidade das pessoas.

Tenho um amigo que, me contou, abriu uma MEI e virou “microempreendedor individual”. O cara foi lá, abriu a empresa e começou a trabalhar. Prestou alguns serviços até que um cliente disse que só lhe pagaria se ele abrisse uma conta pessoa jurídica. O sujeito foi ao banco abrir a conta e lhe pediram a carteira de identidade. Ele havia perdido a carteira de identidade, mas tinha a carteira de trabalho. Não deu. Foi ao Viva Cidadão fazer a identidade e lhe pediram a certidão de nascimento. Mostrou a carteira de trabalho e outros papéis, que lhe identificavam, tais como notas fiscais, fichas de cadastro em lojas, etc., mas não adiantou. Precisava da certidão. Ele era novo em Codó e pediu para um parente revirar suas coisas em Peixoto de Azevedo (MT), onde havia residido por algum tempo. O parente achou e mandou pelo correio. De volta ao Viva Cidadão lhe pediram dez dias para entregar a carteira. Depois voltou ao banco, entregou a papelada, desta vez com a carteirinha, e lhe prometeram que em até dez dias teria uma resposta da análise dos documentos. O dinheiro ainda não recebeu, mas, como bom brasileiro, não desiste nunca.

Escritor e notário Carlos Magno

A burocracia no Brasil é sempre perfeitamente lógica (Assim dizem os burocratas). Não é lógico mostrar a identidade para abrir a conta no banco? Além disso, cá entre nós, custa alguma coisa mostrar a certidão para fazer a nova carteirinha? Custava alguma coisa o sujeito andar com o documento em uma pasta, organizado, em vez de deixar em uma gaveta na sua residência antiga? Qual é exatamente o problema?

Diria que é exatamente este: cada exigência burocrática tem sua lógica (alegam os criadores de regras) e poderia ser, com alguma dose de organização, atendida por qualquer pessoa ou empresa. É este o caso das regras que compõem o cipoal do pagamento de impostos e retirada de documentos no Brasil. É um absurdo. Cada uma tem sua explicação. No conjunto, é por causa delas que estamos em 181º lugar entre 190 países no ranking do Banco Mundial que mede a facilidade para pagar impostos e retirar documentos. Por isso, nossas empresas gastam 2.038 horas todos os anos para lidar com tributos, contra 163 horas na média dos países da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico) (Dados da revista Época).

Também é por isso que estamos em último lugar, entre 29 grandes economias, no ranking de encargos trabalhistas elaborado pela Rede Internacional de Contabilidade e Consultoria UHY, com sede em Londres (Dados da revista Época). Não faz sentido limitar os contratos temporários a 90 dias? Não é lógico pagar 40% de multa sobre o fundo de garantia do funcionário demitido? Não é lógico, aliás, que o dinheiro do fundo seja gerido por um conselho de 24 pessoas, junto à Caixa Econômica Federal? O pessoal não torraria tudo, se cada um pudesse decidir por conta própria o que fazer com seu dinheiro? É tudo lógico, não é mesmo? Assim pensam os burocratas de plantão. São pessoas instaladas em determinadas funções, – em todas as áreas – que fazem unicamente pensar em como editar uma regra a cada dia. Eles sempre acham que falta alguma regra para impor ao brasileiro. Denominam isto de “controle do Estado”.

Na semana passada, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, prometeu reduzir a burocracia para pagar impostos. A promessa já havia sido feita no ano passado, mas não é esse o ponto. Meirelles tem crédito, porque foi o arquiteto da PEC do limite do gasto público. Ele diz que há um time de técnicos trabalhando para descobrir que regras, exatamente, é possível “desregrar”. Me lembrou o novo vereador paulista Fernando Holiday e sua ideia de fazer um “revogaço” na cidade de São Paulo. Ao invés de criar novas regras, descriar.

Achei a ideia muito boa. Oxalá ela inspire vereadores, deputados e grupos de cidadãos Brasil afora. Apenas acho que nosso problema é muito mais amplo que suprimir essa ou aquela regra tributária, trabalhista, comercial e de todos os órgãos públicos.

Vamos lá: por que precisamos de um título de eleitor? Por que cargas d’água precisamos (eu mesmo, desatento, descobri isso tempos atrás) renovar a carteira de motorista a cada cinco anos? E agora, na minha idade tem que renovar a cada três anos. Para que o pobre coitado desempregado tem de gramar na fila de uma agência do Sine para tirar o seguro-desemprego?

Revirar essas coisas é mexer com o Brasil barroco em que nos tornamos. Não são apenas as 2 mil horas que as empresas gastam para lidar com seus impostos. (Dados da revista Época). É o tempo incontável que perdemos todos os dias para carimbar o óbvio em cartórios (logo eu) e pagar multas de R$ 3,51 porque não fomos votar nos dois turnos das últimas eleições. Mas, enfim, é a regra.

É imensamente difícil mudar este país barroco. Por uma razão: apesar de concordarmos que toda essa burocracia passou do ponto, a opinião será outra quando passarmos a analisar regra por regra, documento por documento, multa por multa. A cada regra corresponderá uma certa “racionalidade” e um grupo disposto a defendê-la. E mais: a supressão de cada regra não fará grande diferença na vida de ninguém, mesmo que a soma das regras piore a vida de todo mundo.

Por essa razão prosaica, o desejo abstrato de fazer a grande mudança pode ser forte, mas é fraco o incentivo concreto para fazer cada reforma. É exatamente o mesmo problema enfrentado pelos projetos de redução do tamanho do Estado. A extinção de qualquer órgão público não resolverá o problema fiscal, ainda que uma redução coordenada de muitas repartições, autarquias, fundações, empresas e fontes de gastos não prioritários poderá oferecer uma resposta.

Viramos um país campeão em burocracia essencialmente porque o indivíduo, o “sem corporação”, é sub-representado em nosso mundo político. Ninguém pergunta, numa tarde quente de Brasília, ao se discutir uma nova regra, se ela é estritamente necessária e quantas horas da vida de um cidadão ela vai custar. É no silêncio dessas tardes quentes que perdemos a mão. Há um problema ético aí. Um punhado de gente por vezes bem-intencionada toma decisões e todos pagam a conta. De bico calado. Pois é “proibido” reclamar, senão você fica marcado para sempre. Encaramos filas nos Bancos e órgãos oficiais, carregamos nossos documentos, nos adaptamos. Formamos filas nos domingos de votação, para “justificar a ausência”, pagamos as multas e corremos atrás da papelada.

Se nossa liderança pública quiser mesmo reduzir a burocracia, o ponto de partida é assumir que toda norma a ser extinta supõe uma tomada de risco. Risco de que alguém não diga a verdade, que alguém não pague, que um carimbo a mais poderia ter evitado alguma pilantragem. Reduzir a burocracia, no fundo, é um exercício de transferência de poder. É isso: significa retirar poder do Estado e aumentar a cota de liberdade e responsabilidade das pessoas. Voltarei com mais comentários.

Carlos Magno da Veiga Gonçalves – notário

Por Carlos Magno – SÉRGIO: A DOR DA SAUDADE

Este é um artigo difícil de escrever, por alguns motivos. Dentre eles está a emoção que permeia todo o nosso pensamento e a argumentação. É muito difícil conter a emoção em cada parágrafo, pois trata-se de descrever a convivência e a ausência prematura, repentina e inesperada de um irmão querido. Este irmão foi registrado com o nome de Sergio da Veiga Gonçalves, que faleceu no último dia 05 de abril.

Escritor e notário Carlos Magno

Após o seu enterro dirigimo-nos a sua residência e ali me veio a mente escrever alguma coisa que retratasse a situação que mentalmente programava para ali alguns dias mais a frente. O que me veio a mente foi mais ou menos assim:

A poltrona no fim do corredor está vazia. Há uma calmaria incomum pela casa e uma inquietação profunda dentro do peito. Não há copos de leite tampados sobre a mesa da copa. Nem de café. Ninguém está ali para reclamar de bobagens. Nem pra debater com o fervor que uma boa discussão merece. O calor, agora, vai parecer menos intenso para tantos e os cobertores dobrados no armário. O sol do quintal não será refúgio. A batida forte no portão não provocará qualquer corrida à janela. Da rua, o olhar direcionado à sacada da casa agora é triste. Ninguém mais acena de lá com as mãos. E as horas vão se passando. E assim vão passando os dias… Apesar de parecerem lentos, suas horas seguem impiedosas e mostram que já faz uma semana que Deus nos levou Sergio. Vão passar dois, três e sabe-se lá quantos dias e meses mais. O tempo não para nem espera as dores cessarem. Em alguns momentos, ele (o tempo) não é gentil o bastante para aguardar a tristeza transformar-se em saudade, como dizem por aí. Tampouco paciente. O tempo é como as pessoas, sempre correndo. Com ele, na mesma batida, seguem, então, novos e velhos hábitos. Reinvenções. E se adapte quem quiser, quem puder. Ou quem for forte.

A morte, senhora dos destinos, é certeira e certeza. Chega na hora que menos esperamos. Leva, sempre a quem mais amamos e mais queremos. Dia desses foi meu querido irmão Waltinho, e agora o nosso querido irmão Sergio. Pai devotado, esposo companheiro de todas as horas. Muitos amigos. Atencioso e amoroso com os irmãos, sobrinhos e tios. Amanhã, quem vai saber… A quem fica, além da ruptura dolorosa, ela oferece a chance de pensar e repensar sobre a vida.

 E sob o impacto da saudade, olhamos para a frente. Refletimos. Sobre a fé que em algum momento faltou e precisa ser renovada. Sobre as palavras boas que gostaria de dizer a alguém, mas não falou. Sobre o abraço que desejou dar e que não está ao seu alcance. Sobre passar mais tempo com quem você ama e ver que não há programação melhor. Sobre trabalhar com mais leveza, pois não vai mudar o mundo.

As reflexões não param. Pensamos. Sobre deixar as coisas pequenas pra lá, porque perdem muito os que a elas se apegam. Sobre como colocar a raiva pra fora sem ferir ninguém. Sobre pedir desculpas e como o ato de perdoar alivia os tormentos da alma. Sobre os amigos que escolhemos e a lealdade que esperamos dessas pessoas consideradas especiais. Sobre isso, sobre aquilo… Refletimos sobre nós mesmos.

E sobre o fato de não sermos imortais. Eu, por exemplo, nunca quis acreditar que meu pai e minha mãe fossem partir, apesar de saber que um dia teriam que ir. Como também nunca imaginei que fossem partir os nossos irmãos Fernando, Oscarzinho, Waltinho e agora o nosso querido Sergio. E surpreendentemente: Também não imaginava o quanto a presença de todos eles implicava segurança, ainda que diante de tantas fragilidades. Todos eles me imprimiam coragem. Dificuldades trouxeram crescimento.

Agora outro choque. Jamais imaginei, em tempo algum, para lembrar o dito popular, que nosso querido Sergio fosse partir tão rapidamente, deixando a todos nós, familiares e amigos, atônitos, sem querer acreditar no que estava acontecendo. A perguntar: por que? As lágrimas dessem.  Estou triste, pois perdi um irmão que sempre que podia vinha me visitar. Conversávamos sobre politica, futebol, estes os principais assuntos. Mas, ultimamente ele aparecia pouco, e foi se amiudando ate que, um dia desses, o encontrei na praça perto de meu serviço, e perguntei a ele porque não aparecia mais, no que ele respondeu que vivia muito ocupado com o serviço que não o deixava mais sair.

Sinto a sua falta, apesar de morarmos em cidades diferentes. Como disse antes: ele trazia segurança, alegria, otimismo, e esperança. Lembro-me bem de seu sorriso. E essa é a imagem que sempre quero ter de sua figura impar. Esteja em paz Sergio.

Carlos Magno da Veiga Gonçalves – notário