Por Kléber Santos – 100% Nelson “Toda mulher gosta de apanhar”

“Toda mulher gosta de apanhar. Só as loucas que revidam”. Calma, nobre leitora. Não estou fazendo uma apologia à violência, não é isso. Essa frase foi proferida por um dos maiores gênios da literatura brasileira. Esse gênio é Nelson Rodrigues (1912-1980). Se ele estivesse vivo estaria completando 100 anos de idade.

Nelson Rodrigues foi uma figura inquieta. Sua vida foi marcada por grandes atribulações. No ano de 1929, aos 17 anos, ele presenciou a morte do irmão assassinado em seu próprio ambiente de trabalho. Seu pai morreu, tempo depois, em consequência dessa tragédia. Nelson sofreu de uma tuberculose que o deixou debilitado durante muito tempo em sua vida.

No entanto, sua vida não foi só isso. Em sua coletânea de contos intitulada “a vida como ela é”, ele nos apresenta uma realidade da alma humana sempre escondida, sempre submersa e oculta por todos nós. “Somos seres esquizofrênicos”, diz Nelson. Na coletânea é narrado um conto no qual uma mulher é esbofeteada pelo seu namorado depois que ele descobre que ela o traiu e, resignada, “agradece” chorando pelo tabefe que acabara de levar. Para a personagem esbofeteada dessa cena, apaixonada e insegura em sua relação com o jovem rapaz, essa bofetada corresponde ao amor que ele, seu namorado, sente por ela. Depois do tapa, ela agradece: “eu sempre desejei essa bofetada, só agora eu sei realmente o quanto você me ama”.

Nessa ocasião, Nelson trata de afirmar que toda mulher gosta de se sentir desejada, “submissa” ao homem que ela resolve se relacionar. Hoje, com o politicamente correto em moda, é bonito dizer que a mulher gosta de homens “sensíveis”. Homens que usam a mesma quantidade de cremes que sua parceira usa é ridículo. Toda mulher gosta de se sentir amada, desejada. Isso sim.

O desejo feminino passa pelo gozo de resignação ao seu homem. Não estou falando de um controle do homem sobre a vida de uma mulher, mas estou querendo falar de um cuidado, de uma certa preocupação do macho sobre sua fêmea. Toda mulher gosta de se sentir valorizada pelo seu amante. E uma bofetada como essa revelada por Nelson, mostra o quanto esse homem ama essa mulher que o traiu, pois quando o homem não a ama, ele é indiferente a ela.

Sei de estórias reais de algumas mulheres que, para se sentirem amadas, provocavam certos ciúmes em seus parceiros e, dessa forma, despertando a raiva deles é que elas sentiam a certeza de que realmente existia amor na relação. O ciúme, às vezes, pode ser o termômetro de um relacionamento.

E a tal submissão de uma mulher? Essa submissão está ligada, intimamente, entre ser uma dama e ser uma vagabunda. “Ser uma puta na cama, porém, uma dama na sociedade”. Uma mulher que nunca encenou ser uma vagabunda na cama com seu parceiro nunca fez realmente sexo em sua vida. Cama, cara leitora, quanto mais suja, melhor. Essa é a máxima.

Nelson não está estimulando surras em mulheres, muito menos denegrindo a imagem delas, mas sim preocupado em dizer que na vida há sempre uma mistura de “amor e morte”, “desejo e loucura”.

(KLEBER SANTOS

One Response to Por Kléber Santos – 100% Nelson “Toda mulher gosta de apanhar”

  1. Camila disse:

    Esse foi o texto mais absurdo que eu já li em toda minha vida, sem mentira. Acho que pior só os livros de christian grey. E realmente não me surpreenderia se mulheres concordassem com isso, “ser uma puta na cama, porém, uma dama na sociedade” é passada para as meninas desde a adolescência, tornado o sexo incomum e difícil de lidar. Não é a atoa que existe mulheres de 32 anos com a mente de 15.

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