FOME – Codoenses reclamam de falta de leite do governo, APLEC e Estado se manifestam

Fomos ontem, 12, pela manhã, à Secretaria de Desenvolvimento Social, em um dia com fila, mas já era a terceira tentativa de seu Francisco  das Chgas Alves de Almeida, que vem de Bacabinha,  zona rural, de bicicleta, receber o leite. Não tem sido fácil nos últimos meses.

 “Eu moro no interior, vem de bicicleta, chego aqui volta com a mão  batendo de novo, perde o dia de serviço, eu trabalho, venho de bicicleta…CHEGA PRA RECEBER, DIZ – NÃO TEM…não tem…NA OUTRA SEMANA? Não tem…AS VEZES NEM NA OUTRA? Não tem, tá com 3 vezes que eu venho aqui e não tem”, respondeu com firmeza nas palavras.

Trata-se de programa do governo do Estado que paga para a Associação dos Produtores de Leite de Codó – APLEC – produzir e distribuir. Na casa de Cláudio da Silva, lavrador, com 4 pessoas, duas crianças, o leite que recebe é muito importante.

 “Ajuda porque a gente tem a criança e precisa do leite pra se alimentar, as vezes a gente vem aqui não tem o leite, passa de um mês sem ter…1 MÊS?, aí fica difícil pra gente dá pras crianças em casa”

MUITA GENTE SEM LEITE

Um problema na entrega do leite aqui na cidade de Codó atinge muita gente. São 1.015 pessoas carentes cadastradas, 37 associações de bairro  e 19 creches. Desde fevereiro, de maneira mais intensa, a reclamação se tornou frequente.

A Secretaria de Desenvolvimento Social, responsável pela entrega final, têm diminuído a quantidade por pessoa porque o que chega está bem abaixo do que deveria ser entregue. Seu João sentiu a diferença.

 “Quando eu comecei receber, em dezembro, eu recebia leite duas vezes por semana, diminuiu pra uma vez. Recebia 8 pacotes, 7, agora diminuíram pra seis, agora de seis agora não sei como é que tá (…) só faz dizer, rapaz o leite não tá vindo”, disse o lavrador do Codó Novo

O presidente da Associação, dona de um laticínio, nos deu duas razões para a diminuição da quantidade do leite. A primeira diz respeito ao preço. O governo do Estado só paga R$ 1,12, enquanto que direto ao consumidor o pequeno produtor, alvo do programa, pode vender até a R$ 3 o mesmo litro.

A segunda razão tem a ver com o próprio pagamento feito pelo governo. Por causa do abre e fecha de orçamento, quem forneceu leite pra associação ficou janeiro, fevereiro e março deste ano sem ver dinheiro. Recebeu o acumulado em abril e já vai enfrentar dificuldades para receber maio e junho. A saída tem sido deixar de fornecer e ir pra informalidade.

“Vender o queijo na informalidade, vender na caneca o leite, nas padarias de forma informal, foi o principal motivo da falta de leite, foi o desvio do leite que a gente tinha do programa pra outras opções do produtor…O SENHOR DIZIA QUE TÁ COM CAPACIDADE DE 25% DO QUE DEVERIA ENTREGAR? Mês passado, tava fazendo levantamento, a gente entregou 25% do que a gente tem em contrato pra entregar”, disse Clélio Guerra

Pra regularizar, na opinião do presidente da APLEC,  tem que atrair os fornecedores com pelo menos R$ 0,30 a mais no preço do litro e pagar sem atraso. Enquanto isso não acontecer, vai continuar faltando leite.

 “As vezes a prefeitura pergunta assim – próxima semana tá regularizado? Com a crise que a gente tá eu não posso prevê o quanto vai entrar de leite, na realidade, tem semana que entra mais, tem semana que entra menos e eu não posso prevê uma entrega regular”, frisou

VEJA COMO O GOVERNO DO ESTADO SE MANIFESTOU A RESPEITO DO PROBLEMA

A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social (Sedes) informa que:

1 – O número exato de beneficiários do Programa de Aquisição de Alimentos (Modalidade Leite) na cidade de Codó é de 984. Cada inscrito recebe até 7 litros de leite por semana;

2 – Sobre o valor do litro de leite, vale destacar que quem regula/estipula o valor é a Coordenação Nacional do Programa, em âmbito federal;

3 – Em abril deste ano, representantes do Ministério da Cidadania estiveram na cidade de Codó para monitorar a execução do Programa do Leite na região supracitada, e que não foi constatada nenhuma irregularidade na distribuição do produto;

4 – Há uma coordenação municipal do Programa e que, até o momento, nenhuma notificação foi encaminhada à coordenação estadual informando suspensão na entrega dos produtos;

5 – Por fim, ressalta-se que a Aplec está ciente de todas as informações expostas acima.

Um comentário sobre “FOME – Codoenses reclamam de falta de leite do governo, APLEC e Estado se manifestam”

  1. Vale esclarecer:
    1-Apesar do valor pago ao produtor ser definido pelo Governo Federal, o Governo do Estado pode legalmente complementar esta remuneração.
    2-O monitoramento do Ministério da Cidadania realizado em Codó esteve também em outros municípios e em todos ficou constatado a diminuição da entrega de leite.
    3-Tanto a Coordenação Estadual quanto a Federal, são cientes da diminuição da entrega de leite, basta só observar a redução das entregas nos processos enviados para pagamento.

Deixe uma resposta