Ouvidor nacional de Direitos Humanos visita Aldeias de Jenipapo dos Vieiras após morte de índios

O Clima nas  mais de 70 Aldeias da etnia Guajajara, todas  localizadas dentro do município de Jenipapo dos Vieiras, a 506 km de São Luís,   ainda é  tenso.

Os índios temem novos ataques  e, ao mesmo tempo, cobram a identificação e a prisão dos assassinos de dois caciques, crimes ocorridos no último sábado, 7 de dezembro.

ainda não temos resultado mas se Deus quiser a gente vai ta apresentando esses que fizeram com a gente com o povo indígena e a Polícia Federal também tá acompanhando e o Sérgio Moro, com certeza, vai dá o resultado desse ato covarde que fizeram com os indígenas”, disse confiante a cacique da Aldeia Mainami, Libiana Guajajara

Na tarde de ontem,9,  o trânsito voltou a ficar lento na mesma rodovia federal, a BR-226, onde os assassinatos ocorreram.

Desta vez o motivo foi a morte de um índio que usava uma moto e acabou batendo contra um carro dirigido por outro Guajajara. O corpo passou mais de 3 horas na estrada e isso travou o tráfego que ficou o tempo todo sendo monitorado pela Polícia Rodoviária Federal.

Por volta das 4h da tarde o ouvidor nacional de Direitos Humanos, Wendel Benevides Matos, chegou a Aldeia El Betel e se reuniu, sem a presença da imprensa, com mais de 20 caciques, ouvindo um a um.

Os índios aproveitaram o momento e levaram o debate para além do quesito segurança incluindo nos pedidos ambulância e não municipalização da saúde e, na área da agricultura, mais apoio para a produção, mas não perderam o foco.  Sobre segurança, chegaram a sugerir que o trânsito, à noite, dentro das aldeias, aqui na BR-226, seja proibido.

 “A partir das 18h seja fechada e reabra as 6h da manhã (…) porque à noite vários caminhoneiros, várias pessoas que adentram a terra indígena fazem disparos de arma de fogo, estão atirando em cima das aldeias e os índios temem pelas suas vidas, exemplo taí essa execução aconteceu ao meio dia, imagine à noite”, explicou o cacique de Santa Maria, Osvaldo Soares Guajajara

Também foi sugerida a instalação de câmeras pelo menos nas maiores aldeias da região.

 “Isso facilitaria muito tanto pra policia quanto pra nossa segurança física, câmeras de segurança porque aqui é um local onde passa gente todo dia, toda hora, a cada segundo passa pessoas aí, más, pessoas boas”, disse um cacique que preferiu não se identificar

Esta advogada, Elany Rosa Tenterah,  que pertence à uma das Aldeias, cobrou também a presença da Força Nacional que já foi autorizada pelo Ministério da Justiça pelo prazo de 90 dias. Ela justificou.

 “Porque nós, povos indígenas, estamos pedindo socorro, não é um favor é um direito que a própria constituição nos garante, e nós estamos aqui jogados, esquecidos, é como se a gente não existisse e a forma de dizer que a gente existe, infelizmente, muitas vezes é bloquear a BR, pra dizer – olha nós estamos pedindo socorro, precisamos de proteção, precisamos das políticas públicas mais ativas dentro das nossas aldeias”

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