Por Carlos Magno – O conhecimento empírico

                                       O CONHECIMENTO EMPÍRICO

Amigos leitores. Tomar a decisão de escolher o assunto que desenvolvo hoje não foi fácil, levando em consideração vários aspectos: a educação, os nossos costumes, o modus vivendi, entre outros. Não foi fácil pois mexe diretamente com o conhecimento de parte da população, aquilo que me reportei no artigo anterior, “O fascínio da leitura.” Um número considerável da população, hoje, não lê. E não lendo, deixa de tomar conhecimento daquilo que é mais básico.

Escritor e notário Carlos Magno

Um dos motivos, que me fez tomar esta iniciativa, talvez o principal, foi a estarrecedora constatação de que grande maioria, expressiva mesmo, da população, não ter o conhecimento mínimo das noções mais simples e básicas das ações no cotidiano, da forma empírica de se tratar de questões que envolvam o seu cotidiano. Esta constatação é por mim aferida no dia a dia, nas conversas, e nos atos. O emprego da palavra empírica pode parecer, para muitos, um assunto de difícil compreensão, quando é exatamente o contrário.

O que é o conhecimento empírico? Conhecimento empírico é uma expressão cujo significado reporta ao conhecimento adquirido através da observação e da prática diária. É uma forma de conhecimento resultante do senso comum, por vezes baseado na experiência, na vivencia diuturna, na necessidade de se resolver os problemas simples e comuns que se apresentam na vida do cidadão. Enfim, é o conhecimento básico das coisas, que se aprende, lendo ou as vezes, involuntariamente, praticando. Para se ter esse conhecimento básico, não há necessidade de um grau de instrução mais avançado, pois está enraizado no meio da população a décadas.

Sendo o conhecimento empírico, ou o conhecimento básico, adquirido de forma ingênua, através da mera observação e com base em deduções simples e por vezes interpretado de formas diferentes é, também, por vezes, passível de erro.

Outra maneira de se adquirir o conhecimento empírico é o obtido pelo homem a partir de experiências, vivências e observações no dia a dia e a partir do senso comum acumulados ao longo da vida e passados de geração em geração. É um saber que não se baseia em métodos ou conclusões científicas, e sim no modo comum e espontâneo de assimilar informações e conhecimentos úteis no cotidiano. Esse conhecimento, na maioria das vezes, é angariado dos pais

O conhecimento das coisas simples tem ligação com o senso comum é uma herança cultural que tem a função de orientar a sobrevivência humana nos mais variados aspectos. O conhecimento empírico é muitas vezes superficial, sensitivo e subjetivo.

Através do senso comum uma criança aprende o que é o perigo e a segurança, o que pode e o que não pode comer, o que é justo e o que é injusto, o bem e o mal, e outras normas de vida que vão direcionar o seu modo de agir e pensar, as suas atitudes e decisões.

Na filosofia, empirismo foi um tema muito debatido pelo filósofo inglês John Locke, no século XVII, onde ele diz que a mente humana é uma espécie de “quadro em branco”, onde gravamos diariamente o conhecimento, através das nossas sensações.

Outros filósofos também estudaram o empirismo, como Aristóteles, Francis Bacon, Thomas Hobbes, John Stuart Mill, e através desses estudos surgiram teorias como a teoria do conhecimento.

Vou tentar exemplificar algumas poucas regras práticas de empirismo só para o leitor ter uma vaga ideia: preencher formulários, como recibo de venda de veículo, preencher uma nota promissória, um cheque, saber o que é uma procuração, uma declaração e para que serve, qual é a forma de se adquirir um bem imóvel. E até saber qual a maneira de se dirigir a um idoso, como tratar as pessoas respeitosamente, entre muitas outras coisas simples. Alguns acham que chamar as pessoas de “meu amor”, “meu querido” ou “minha querida” é um tratamento respeitoso, quando não é. Esse tipo de tratamento pode trazer, para alguns, constrangimento. Tudo isto é empírico e são poucos exemplos dentre outros. É um conhecimento que nossos pais e avós aprenderam com as experiências adquiridas no decorrer de suas vidas, e nos repassaram como forma de propagar este saber.

O empirismo tem a ver com o senso comum, pois reflete o modo de pensar da maioria das pessoas, com noções que são admitidas pelos indivíduos através de suas vivências no cotidiano. Ele descreve as crenças e proposições que aparecem habitualmente, sem se preocupar com uma investigação detalhada para atingir seu real significado.

Está comprovado sistematicamente que as formas de se resolver as coisas simples do cotidiano, é usando-se a lógica, o bom senso e o óbvio. Há quem diga: “mas o que interessa isso?” Digo que interessa sim. Pois eu volto aquilo que me referi no início do artigo:  é estarrecedor a falta de conhecimento mínimo das coisas que formam o senso comum, de parte da população. E esse conhecimento mínimo, repito, adquirido de modo involuntário e as vezes ingênuo, faz diferença no momento de uma negociação.

O leitor que tem esses conhecimentos, generosidade e boa índole, procurará orientar aqueles que não tem essa noção do que é empírico. E acredito que uma das formas, também, de ensinar, é aproveitar este canal, o blog, que é muito lido, para falar sobre esse assunto, que poucas pessoas tem essa coragem. O blog, acredito eu, não é só notícias e informações. É também educativo. A interação com o leitor, também, é uma forma de aprendizagem de ambos os lados.

Caros leitores. Me aprofundei um pouco no detalhamento do conhecimento empírico, para que entendam melhor esta forma de nos depararmos na resolução dos “problemas” simples e mais comuns de nosso cotidiano.

Uma outra observação que quero fazer, para finalizar, é que tenho notado que em determinadas ocasiões, alguns detentores deste conhecimento básico ao se defrontarem com questões que exigem esse mínimo de experiencia de seu interlocutor, não se dispõe a ensina-lo, guardando para si, e em agindo assim deixa de colaborar voluntaria e generosamente para uma sociedade mais justa e mais próspera.

Carlos Magno da Veiga Gonçalves – notário

4 comentários sobre “Por Carlos Magno – O conhecimento empírico”

  1. O conhecimento sempre buscou respostas para muitas questões cruciais da vida humana, do próprio ser humano e das coisas. Mas também sempre palco de questionamentos a respeito da sua própria maneira de indagar. E mais: teve a honestidade de se perguntar se as maneiras de abordar a realidade eram realmente eficazes. Não basta procurar verdades, é preciso saber se são verdades de fato ou mesmo se é possível encontrar verdades.

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