A Torre de Babel: considerações preliminares sobre a sucessão municipal para 2016

Professor Jacinto Junior - um pensador contemporâneo
Professor Jacinto Junior – um pensador contemporâneo

As Sagradas Escrituras relata um episódio no Livro de Gn 11:1-9, sobre o povo oriental que desafiaram ao Deus Trino e sofreram as consequências por conta desse abuso espiritual. Evidentemente que não tenho a pretensão de igualar o gestor atual à pessoa de Deus, mas apenas, retratar uma comparação de ordem eminentemente política sobre a matéria em tela.

Lembrei-me desse relato quando li a postagem feita pelo nobre operador do Direito Acélio Trindade em seu acessadíssimo sitio, com a seguinte chamada: “Zito já definiu seu candidato?” (Antes de prosseguir devo alertar que recebi em meu Facebook uma matéria enviada pelo radialista e blogueiro ‘Mãozinha’ e verifiquei que ambas tratavam de um mesmo conteúdo). A distinção entre uma e outra é apenas o sinal de interrogação feita pela segunda chamada (blog do Acelio) enquanto que, a primeira afirma. Mediante suas ponderações não pude deixar de, também, expressar minhas tímidas impressões a respeito da matéria veiculada e, passei alguns momentos absorvendo e remoendo todo o conteúdo ali postado e, assim, manifesto minha opinião com as seguintes observações:

  1. O intrépido proprietário do sítio com sua habitual parcimônia procura aprofundar a (discussão) especulação – isto porque a cidade já deve está fervendo sobre o nome do próximo mandatário local apesar de termos ainda cerca de um ano e meio para a realização do pleito eleitoral – no interior da cidade sobre quem será o futuro prefeito de nossa centenária cidade;
  2. Para dar ênfase aos argumentos serei forçado – no bom sentido – de me apropriar de algumas falas do autor do texto acima citado para desenvolver o raciocínio ordenando a especulação exposta;
  • De fato, o atual gestor Zito Rolim não é infantil e nem um pouco inexperiente para afirmar que já escolhera seu futuro sucessor. Pode até ser que já o tenha feito, entretanto, revelar prematuramente o nome do ‘felizardo’ são outros quinhentos, pois, tal revelação poria em risco uma futura e solida composição tática que, certamente, facilitaria a eleição de seu apadrinhado político;
  1. Creio que, também, quando o autor do texto de forma especulativa levanta a possibilidade de uma formação da chapa majoritária envolvendo nomes de duas mulheres: Cristina Archer e Carol Reis, inevitavelmente, tal articulação não faz sentido, já que, a mobilização em torno das alianças denota um amplo e intenso dialogo com diversas forças e correntes políticas para, definitivamente, consolidar o arranjo político;
  2. O autor do texto tem uma clara consciência a respeito do processo tático e pontual, quando declara: “Também pesa contra essas insinuações que pairam sobre a cidade, a distancia para a eleição. Aqui, é de costume definir até no dia da convenção (quem viu alguém anunciado para chegar nos braços numa convenção e, de repente, este mesmo ser aparece noutra)”. É de práxis esse mecanismo utilitarista ser cultuado nas decisões fundamentais das alianças no meio conservador político. Inclusive, temos experiências concretas e recentes que fortalece tal argumento. Em 2008 isso ocorreu com uma legenda que detinham um discurso de fazer uma transformação profunda nas estruturas de poder e, de repente, aliou-se ao velho arqui-inimigo histórico e, mais grave ainda, em 2012, repetiu o feito permitindo ser engolida pelo poder político associado ao poder do capital de forma inescrupulosa. As eleições de 2008 reproduziram, também, de forma eficiente, essa tática quando houve a junção entre o PSB de José Inácio e o PV, de Zito Rolim. Iniciando assim o processo de corte epistemológico nas estruturas conservadoras tradicionais comandadas pelo reacionário Biné Figueiredo.
  3. Outro oportuno argumento aferido pelo autor contempla uma avaliação válida que traduz um corte radical na esteira das facções conservadoras e de direita provocando assim, um importante vácuo no processo político de escolha: “Pela primeira vez nos últimos 30 anos teremos uma eleição sem os antigos políticos desta cidade mandando e desmandando, isso abre espaço para mudanças, só que aqueles que podem representar essa mudança ainda acham que só chegarão ao poder com a ajudinha da velha política”, nada tão esclarecedor e ao mesmo tempo preocupante, pois, aqueles que, poderiam de fato, tornarem-se as alternativas concretas a um novo ciclo de renovação e reestruturação no campo político, ainda não conseguiram se desvencilhar da cultura ‘viciada’, impregnada do poder econômico e compreendem assim, que, numa disputa pela conquista do poder a chance de vencer é mínima por conta da ausência do capital para mover a sua candidatura. Volto a relembrar que nossa história nos brindou com experiências positivas nesse sentido. Darei novamente outro exemplo de que a relação capital (poder econômico) X decisão popular (escolha politica do cidadão livre) nem sempre o capital se impõe como vitorioso e influente. No exemplo a seguir, a relação ocorreu de forma inversa: na primeira metade da década de 1980 (especificamente no ano de 1982) ocorrera a mais dura e disputada eleição de toda a história de nossa cidade, de um lado, o candidato (e já falecido empresário) Nonato Salem e, de outro, (também, falecido) Dr. Antonio Joaquim Araújo, tal eleição ficou conhecida como: “o tostão contra o milhão”, uma fina ironia ao poder econômico sustentado pelo então candidato Nonato Salem; que, quando foram abertas as urnas sofrera uma fragorosa derrota. Essa experiência serve de referencia para que os candidatos progressistas e independentes que pretendam se candidatar pensem com ousadia na possibilidade de romper com os resquícios ciclos conservadores e de direita na atualidade que ainda arquejam um sopro de vida político e sonhem com a esperança e com a perspectiva de que em algum momento da história os homens oprimidos compreenderão verdadeiramente a importância de tal candidatura de esquerda para promover a tão esperada mudança social para todos.
  • E, por último, o autor encerra seu posicionamento lúcido dizendo: “Você já se tocou que ninguém mais ataca a administração de Zito nos meios de comunicação de massa (rádio/TV)?” a força de uma gestão – dependendo do grau de sua eficácia administrativa – revela sua forte inserção social. Isso reflete atualmente com o gestor. A oposição circunstancial – e/ou grupelhos oportunistas conservadores de direita reacionários – têm uma clara compreensão disso e, como alimentam o desejo de ser apoiado pelo atual gestor não ousam criticar o modelo gerenciado por Zito Rolim! E qual é o elemento que neutralizam uma critica mais contundente ao governo e impõe tal silêncio aos seus antagônicos opositores? Uma coisa chamada pesquisa eleitoral (tenho uma leve sensação de que “alguém” poderoso e interessado nas eleições de 2016, está sempre monitorando a gestão Zito Rolim e os números apontam de forma positiva ao governo). A única explicação plausível para justificar tal omissão crítica! A direita reacionária já reconhece a necessidade de ter o gestor como aliado para, assim, sentir-se mais segura em relação ao candidato medíocre e sem propostas que deseja apresentar para a comunidade como a ‘tábua de salvação’.

ÚLTIMAS PALAVRAS

Estas circunstâncias nos cobra a capacidade de refletir com maior peso de reponsabilidade sobre a renovação e descontinuidade de uma gestão pública carregada de inovações. Nunca a história se revelou tão otimista ante a exclusão dos elementos da direita conservadora como únicos a definirem o modo e quem deverá ser o futuro sucessor. O hiato histórico produzido ante tais circunstâncias certamente apontará novos membros e novos atores sensíveis a esta realidade social que emerge de um sintoma atávico para um processo civilizatório centrado no desenvolvimento e na perspectiva democrática. Cabe à sociedade civil incorporar essas novas demandas e corresponder ao momento que a história reclama para uma nova fase de liberdade, sem retrocesso. O ciclo de renovação precisa ter prosseguimento como uma necessidade intrínseca e inapelável.

E, por fim, “a Torre de Babel” – essa confusão política e jogo hipócrita entre as facções conservadoras de direita e da extrema direita – está se formando/formada e, nela, uma insensatez estúpida se manifesta e replica a realidade que absorve o inevitável: a bancarrota da camarilha conservadora e de direita, pois, falta-lhe uma exata compreensão dos processos históricos que denotaram suas derrotas. Afinal, todos continuam a sonhar com a possibilidade de se apropriar, reapropriar do poder ou, ainda, de querer recuperá-lo como instância subalterna à sua disposição (ou, melhor, transformando-o de público em particular – o poder para servir a si e aos seus apaniguado).

Por Jacinto Junior

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