Por Jacinto Junior – A ressonância capilar da história em defesa de um povo oprimido

Jacinto Junior
Jacinto Junior

Com sua áurea de historiador-filosofo Boff, redesenha a história de nossa nação com um extravagante texto publicado no sítio da Carta Maior (071014) cujo titulo:

“As eleições à luz da história antipovo”. Com notável percepção sobre os fatos internos e externos que comprimiram nossa gigantesca nação desde seu berço, ele investiga as mais importantes causas que originou as desigualdades sociais, inclusive, denuncia o mascaramento desavergonhado das elites que se apropriaram do aparelho de estado e pondo-o à serviço de si enquanto classe dominante.

Após caminhar um percurso sobre a e na história, nos revela o quanto a elite econômica e política brasileira abomina o governo PT e os seus tradicionais aliados: a mídia.

Leonardo Boff é hoje uma das mais respeitadas figuras pensantes do Brasil e, quiçá, do mundo, não se envergonha em revelar o seu posicionamento político em relação à candidata Dilma Rousseff – como fizera no primeiro turno -, avalia e demonstra a ‘farsa e a tragédia’ como afirmara Marx em seu livro o Dezoito de Brumário de Luis Bonaparte representada pela burguesia – atualmente, representada pelo sr. Aécio Neves, símbolo da subserviência aos EUA e defensor inescrupuloso da tirania do mercado.

Boff aponta alguns elementos significantes para a comunidade brasileira avaliar sua postura ante os dois projetos antagônicos. De um lado, a concepção social-liberalizante do PSDB, claramente a favor da entrega do Pré-sal para a iniciativa privada (diga-se de passagem, para os EUA controlar nosso patrimônio e nos saquear); a independência do Banco Central – tese implícita em seu programa -, redução do estado na economia; arrocho salarial e controle da inflação com redução do nível de emprego formal; política devotada para o agronegócio escancaradamente (isto inclui os transgênicos – alimentos modificados geneticamente que pode causar um grande problema à saúde humana).

E de outro, o projeto com a vertente da justiça e proteção ao cidadão menos favorecidos historicamente, inclusive, enumera alguns como: Pro-Uni, Mais Médico, Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família, Luz para Todos, as cotas universitárias e outros.

Boff mostra e canaliza uma vertente que está dando certo e que tem melhorado substancialmente as condições materiais de vida do povo brasileiro necessitado.  Em toda nossa história de 192 anos de república um governo converteu tanto esforços naqueles que, são verdadeiramente, os construtores deste país e nunca tiveram oportunidades.

Boff nos convida para uma perspectiva da razão histórica cuja finalidade é o bem-comum daqueles cidadãos revestidos de uma intensa esperança pelo aprofundamento desse projeto democrático-democratizante e emergente que transformou radicalmente a pirâmide social de nossa nação. Na verdade, ele nos propõe uma ideia de continuidade.

Este é o momento impar para nossa nação continuar em seu percurso natural de desenvolvimento com justiça social. Boff não erra ao afirmar que: “É por isso, que votei no primeiro e o farei no segundo, respeitando outras escolhas. Associo-me a esta interpretação, também no voto à Dilma Rousseff”.

A nossa luta não é convencer o eleitor e a eleitora de que o nosso principal oponente é o “cara” da mudança, mas, sim, ao contrário, é reafirmar que ele representa uma ‘farsa e uma tragédia’; a história já nos deu provas suficientes e irrefutáveis do que singulariza essa concepção do PSDB como projeto de sociedade.

Já tivemos uma profunda e negativa experiência com esse projeto neoliberal na metade década de 1990 e início da de 2000. Ao final da era FHC, o Brasil encontrava-se com um índice de 20% de desempregados (cerca de, aproximadamente, dez milhões de desempregados, isto sim, foi uma desoladora crise instalada).

Por fim, congratulo-me com seu pensamento progressista e absolutamente coerente e tenho a mesma sensação de que o Brasil enquanto país que não soçobra deseja e quer continuar ampliando suas políticas sociais beneficiando os menos favorecidos, não vacilará Dilma de novo!

22 comentários sobre “Por Jacinto Junior – A ressonância capilar da história em defesa de um povo oprimido”

    1. Leia duas obras primas para conhecer de fato o que o PSDB e a elite burguesa nacional fizeram com nosso Estado-nação: “A Privataria Tucana” e “O Principe da Privataria (Editora Geração), ambos do jornalista ´Palmério Dória. Conhecer a história é mais interessante do que falar asneira e de forma aleatória.

      1. Não esqueça do livro “Honoráveis Bandidos” escrito pelo mesmo autor que conta a história dos roubos e desmandos da Oligarquia Sarney a qual seu deu Lula apoia.

  1. Foi o plano real que tirou 28 milhões de pessoas da pobreza, e não este refrão mentiroso
    que os petista repetem sobre o Bolsa Família ou sobre o PAC imaginário.

    1. Concordo totalmente com você!
      Se não fosse um plano bem estruturado para mudar a forma de tratar com a inflação esse país ainda estaria atolado na m…. financeira que perdurava por varias décadas. Quem lembra e viveu os áureos tempos inflacionários sabe disso.
      O PT acha que dar migalhas ao povo, vai fazê-lo se perpetuar no poder por mais quatro anos. BASTA! Chega de politica de guerrilha!!
      Puro engano achar que esse projeto de poder a todo custo será benéfico para o País á longo prazo.
      As bases para o que hoje existe de politica inflacionaria e social foram lançadas naqueles tempos e foram aprimoradas pelo governo seguinte, mas agora chega, tem de haver alternância de poder.
      O cara tem projetos interessantes para o país, deixa o hômi trabalhar!!!
      Não tiramos uma oligarquia aqui no Maranhão sem saber como será o novo governo?

      1. Criança bobinha, continuas na escuridão! Lamento que suas fraseologias ocas não condizem com a verdade. Para quem possui uma formação academica no campo da reflexão (filosofia) deveria ter o mínimo de conhecimento político e fazer uma exposição crítica sustentada nas mudanças substanciais no decurso dessa década comandada pelo PT. Sem “zoeira”, mas tu, criança bobinha, precisas alargar sua “insuspeita argumentação”. Mediocridade nunca foi minha patente e muito menos o meu subsolo para garantir minha sobrevida. Esse comportameno é típico da classe média tradicional que pensa ser burguesa! Como é triste viver na sombra de outrem! Até la vista, criança bobinha!

        1. A soberba intelectual desmedida, dorme com você todas as noites, meu caro!
          Realmente uma criancinha que cresceu observando o mostro inflacionário devorar o poder de compra de toda uma geração não pode expressar uma opinião; e sim um homem culto, bem letrado nos seus ideais de guerrilha oriundos de uma mente deturpada em sentimentos pífios por um governo déspota e autoritário sustentado pela opulência de líderes nefastos e sem caráter, que pode ao seu bel prazer descrever benesses sociais desta canalhice corrupta, chamado PT ou BONS COMPANHEIROS.
          Todos esses ditos benfeitores sociais, apenas se valem de mediocridade e exploração da condição mais básica do ser humano, que é a fome.
          Vicissitudes apenas descritas por suas verborragias não dizem tudo; achas que tal governo será a solução desta cambaleante nação?
          Não apoio nenhum governo, mas temos de reconhecer os méritos de quem fez algo e não simplesmente de forma utópica, apenas criticar. Na verdade, não sou rico, ou burgues, como você sempre diz com quem expressa uma opinião um pouco mais elaborada sobre seus comentários. Creio que vivemos num país livre, se não aceitas minha opinião não escreva mais bajulações para seu grupo politico. Creio que criticar os companheiros aqui seja sua mais tênue fraqueza, devido a sua arrogância desmedida em não pensar que outras pessoas têm um pouco de conhecimento e podem suplanta-lo no seu campo (quadra), ideológica. No mais não vou criticar sua “GESTÃO” na secretaria de Educação, sou pobre de bens materiais, e rico pois leio e busco conhecimento para lidar com pessoas cheias de si como você meu caro.
          PS: Opinião de uma criança bobinha com a cabecinha pequena- HASTA LA VISTA BABY!

          1. Perdoe-me pela demora em responder-lhe, estive muito atarefado com meu trabalho na escola, mas, tudo bem, cá estou.
            Ficaste nervosa, criança bobinha? pelo tom agressivo revelas falta de maturidade para debater equilibradamente temas picantes. Sua desorganizada argumentação é extremamente nebulosa, são chavões sem nexos, vagos e desproporcionais ao tema posto; do que você fala, criança bobinha? Tua infancia fora cercada de mimos certamente, para afirmar que não tinha como se defender, porém, cresceu e tornou-se ‘adulto’, e, agora, que és capaz de perceber as nuanças políticas com uma feroz atitude de um ‘guerreiro’. Que coisa mais anomala é essa? Na verdade, é um despautério ensurdecedor. Quando evocas a melindrosa conjuntura político-economica de tempos atrás tais referencias são virtudes inegáveis da governança elitista conservadora (a década de 1990, foi o vendaval do neoliberalismo iniciado por Collor – disso, óbviamente, criança bobinha, não se recordas? Em seguida, veio Itamar e, logo depois, o famigerado governo de FHC (o prelúdio do desmantelamento do Estado nacional)este sim, foi profundamente antipopular e altamente favorável aos possuidores de capitais e ao resto, apenas a miséria, literalmente, só como efeito de informação, em 2002, a inflação chegou ao patamar de 12%, quem estava à frente do governo?), portanto, qual relação você estabelece quando evoca crise economica? que apontamento é esse ao associar governo do PT com falsa ideia de fomentador de corrupção e crises? Será que vós, criança bobinha não se recorda quando da reeleição do “princípe dos sociólogos”, quando comprou por R$ 200.000,00 cada deputado? Esse ato sim, denota a raíz da corrupção moderna em nosso país e a imprensa não explorou com tanto vigor como explorou a AP 470. Esses fatos relacionados por vós sobre desgovernos e incompetências tem endereço certo: a sombra do PSDB que assacou a república brasileira no período que governou este ‘pobre Estado-nação’ – recorde-se da privatização da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional, A Vale, o Banestado, e a Petrobrás por pouco, não fora entregue ao capital internacional- enfim, quase todo o nosso patrimonio nacional ao abutres do capital (segundo vossa diminuta versão míope, aliás, pobre mesmo, em todos os sentidos não consegue alcançar esses pequenos pormenores). Reconhecer um período de desastre de um governo conservador não constitui vergonha e nem tampouco ato de autopiedade, porém, é duro reconhecê-lo, ademais, vós devieis estudar um pouco mais sobre economia para compreender a atual realidade brasileira. É uma pena que toda sua fraseologia oca – replico – não são condizentes com a realidade. Isso, na prática testifica o quanto sóis emblemático quanto ao posicionamento de “não defendo governo nenhum’, alusão que implica no discurso da neutralidade cuja objetividade é fortalecer a classe dominante. Em nenhum momento, você encontrará – de minha parte, nos todos os meus escritos – uma altoafirmação sobre ser intelectual, ao contrário, quem o fazem são os comentaristas deste blog; num tom de desrespeito. Em mim repousa a simplicidade e a humildade. Agora, estou preparado para qualquer embate!Saudações, criança bobinha, sai da escuridão…

        2. A soberba intelectual desmedida, dorme com você todas as noites, meu caro!
          Realmente uma criancinha que cresceu observando o mostro inflacionário devorar o poder de compra de toda uma geração não pode expressar uma opinião; e sim um homem culto, bem letrado nos seus ideais de guerrilha oriundos de uma mente deturpada em sentimentos pífios por um governo déspota e autoritário sustentado pela opulência de líderes nefastos e sem caráter, que pode ao seu bel prazer descrever benesses sociais desta canalhice corrupta, chamado PT ou BONS COMPANHEIROS.
          Todos esses ditos benfeitores sociais, apenas se valem de mediocridade e exploração da condição mais básica do ser humano, que é a fome.
          Vicissitudes apenas descritas por suas verborragias não dizem tudo; achas que tal governo será a solução desta cambaleante nação?
          Não apoio nenhum governo, mas temos de reconhecer os méritos de quem fez algo e não simplesmente de forma utópica, apenas criticar. Na verdade, não sou rico, ou burgues, como você sempre diz com quem expressa uma opinião um pouco mais elaborada sobre seus comentários. Creio que vivemos num país livre, se não aceitas minha opinião não escreva mais bajulações para seu grupo politico. Creio que criticar os companheiros aqui seja sua mais tênue fraqueza, devido a sua arrogância desmedida em não pensar que outras pessoas têm um pouco de conhecimento e podem suplanta-lo no seu campo (quadra), ideológica. No mais não vou criticar sua “GESTÃO” na secretaria de Educação, sou pobre de bens materiais, e rico pois leio e busco conhecimento para lidar com pessoas cheias de si como você meu caro.
          PS: Opinião de uma criança bobinha com a cabecinha pequena- HASTA LA VISTA BABY!!

  2. E triste se não fosse cômico, teve no governo e não fez nada pela educação. de fora sabe tudo, Acélio, coloca mas não essa matéria desse rapaz. Pra contemplar esses pensadores, são um monte de louco que não produz nada pelo pais, sobem criticar e querem ser o dono da ração.

  3. Como Secretário acho que oprimia sua própria classe, agora que perdeu o cargo comissionado fica dando um de “intelectual”, to cansando dessas baboseiras do Jacinto. Ele paga qnt mesmo pro Acelio pra postar essas babaquises

  4. É incrível, toda vez que Manequim de Cemitério escreve essas baboseiras a turma cai de pau nele! Será que ele realmente se acha um “intelectual”? É o Che Guevara do Shopping Center.

    1. Demorou muito porque estava pesquisando as palavras mais difíceis para atacar, como fazem os “guerrilheiros petistas”. “Chê Guevara do Shopping Center”, uma criança tem mais sabedoria do que você; com certeza sabe administrar uma secretaria de Educação. E agora?
      Viram como ele reage à criticas? Palavras difíceis o deixam louco! Vou ser então mais simplista e didático na próxima. Ta bom?
      ele Ofende para se defender.
      Esse é o oficio de um companheiro perdido em devaneios mentais.
      Escreva outro texto esse já perdeu a graça!
      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Chora hômi!

  5. OBSERVAÇÃO: O TEXTO ABAIXO NÃO É MEU, MAS MOSTRA QUE O PROF. JACINTO JÚNIOR ESTÁ COM A RAZÃO SOBRE O CANDIDATO DO PSDB. É tudo bandido.

    O que manteve os preços estabilizados, após o lançamento da nova moeda em 1º de julho de 1994, foi a concorrência desleal de produtos importados – essa foi a principal “âncora” do plano Real – não existiu qualquer âncora cambial, tal como sugerida por Keynes ou aplicada em diversas experiências. Não houve acomodação de preços, mas sim o deslocamento de produtos nacionais e a introdução de produtos importados no mercado doméstico brasileiro. O valor das importações de bens de consumo era, em 1993, US$ 3,2 bilhões; em 1998, alcançou US$ 10,8 bilhões – mais que triplicou!

    Dessa forma, os preços foram controlados e as pressões foram, dissolvidas pela exclusão de produtos domésticos do mercado brasileiro. Logo em seguida, para fazer crer que o que estava funcionando era a âncora cambial, foi permitida a concessão de crédito bancário em dólares – a operação era feita em real, mas era convertida de acordo com a taxa de câmbio do dia. Também a dívida pública interna foi, em boa parte, dolarizada para fazer crer que até o governo não aceitaria uma desvalorização.

    Embora vendessem a fantasia do câmbio fixo, o crucial para os economistas do PSDB, à época, não era se o câmbio estava congelado, mas sim se ele estava megavalorizado para ser combinado com uma estratégia de abertura comercial. As importações cresceram, o saldo negativo com o exterior aumentou e os preços foram estabilizados, mas com taxas de juros estratosféricas com o objetivo de atrair dólares para o país. Essas taxas de juros bancavam a avalanche de importações de bens de consumo. Em 1994, a taxa de juros Selic média foi superior a 70% ao ano; em 1995, superior a 54%. No período que vigorou o plano Real, entre 1º de julho de 1994 a meados de 1999 (quando foi implantado o regime de metas de inflação), a taxa de juros Selic média foi de 38% ao ano.

    Em 1998, a taxa de câmbio super-hiper-megavalorizada já não era mais suportável. Houve muitos debates internos entre economistas do PSDB e foi decidido pelo presidente-candidato à reeleição que a desvalorização somente ocorreria após as eleições de novembro. Vitorioso nas urnas com a promessa que não haveria desvalorização (veja a capa de O Globo de 31 de agosto de 1998: FH GARANTE QUE NÃO MEXE NOS JUROS NEM NO CÂMBIO). Mas em janeiro de 1999, FHC substituiu o presidente do Banco Central, que estava provavelmente entre aqueles que não queriam a desvalorização, e autorizou o desmonte da farsa eleitoral e econômica: o câmbio foi desvalorizado.

    Os céticos erraram novamente. Pensaram: “agora a coisa afunda”. Não percebiam que a âncora do Real era outra. Apesar da desvalorização ocorrida dentro de uma “banda diagonal transversa”, segundo os termos quase ininteligíveis do novo presidente do Banco Central, o dólar continuava muito barato.

    Esta foi a história do Plano Real. Entre 1999 e 2003/4 houve somente o aprofundamento dos fundamentos macroeconômicos ditados pelos economistas liberais do PSDB e pelo FMI. Os resultados dos anos de Plano Real foram dramáticos em termos de criação de empregos formais, de crescimento e concentração de renda.

    A “responsabilidade” fiscal apregoada (pelo FMI e os economistas do PSDB) foi transformada em elevação da carga tributária e da dívida líquida pública como proporção do PIB. Os resultados fiscais somente viriam a melhorar (e muito) com o crescimento econômico da era Lula – tal como sugeria o Plano Keynes. Cabe lembrar que a primeira fase do Real, anterior à suposta sincronização de preços e à estabilização da inflação, era a fase da busca do equilíbrio das contas públicas. Neste ponto talvez resida o maior desastre do plano Real. A dívida líquida do setor público em relação ao PIB, de 38,2% em 1993, saltou para 48,7% em 1999.

    A maior herança benigna do Plano Real foi a consciência antiinflacionária absorvida pela sociedade (para a qual o plano Cruzado também contribuiu). Sim, a inflação foi controlada, mas isso não isenta os organizadores e condutores do plano Real de seus graves equívocos. Por outras vias, mais aderentes ao plano Keynes, a inflação também teria sido debelada – é o que mostram inúmeras experiências. Não foi somente o Brasil que enfrentava um regime de alta inflação e não foi somente o Brasil que conseguiu superá-lo. Por exemplo, na Argentina, nos cinco primeiros anos pós-estabilização, a economia cresceu em média 7,8% ao ano – em seguida as orientações do FMI levaram a Argentina para uma crise profunda. Mas, no Brasil, o crescimento foi medíocre e, em decorrência, os custos sociais foram altos demais.

    A primeira fase do Real promoveria um ajuste fiscal e melhoraria os resultados das contas públicas. Ocorreu o inverso. A segunda fase, a da sincronização do reajuste de preços, foi apenas “para inglês ver”. E a terceira fase, a da estabilização, obteve êxito, mas alcançou seu objetivo à custa de juros altos para conter a perda de reservas, desnacionalização da economia, geração de poucos empregos formais, baixo crescimento e concentração de renda. Poderia ter sido bem sucedida sem estes custos.

    Ainda sobre a última fase do Real, a fase de estabilização, que foi de julho de 1993 a meados de 1999, vale uma observação muito importante: a inflação média desse período foi superior a 12% ao ano – uma inflação muito superior à inflação dos últimos dez anos, que é inferior a metade daquela registrada nos anos que são hoje comemorados pelo PSDB. Portanto, o que o plano Real fez, de fato, foi lançar as bases da estabilização consagrada apenas no último decênio – é o que está provado pelos números. Mas cabe uma observação: a sociedade brasileira precisa de muito mais do que uma economia com inflação controlada – e tudo o que vai além disso não foi sequer iniciado nos governos do PSDB.

    Vale o exame de alguns outros números. A concentração de renda foi extraordinária nos anos do plano Real: a participação dos salários no PIB caiu de 45,1% em 1993 para 38,2% em 1999. A carga tributária aumentou 11% entre 1993 e 1999. A taxa média de crescimento econômico foi de 2% (a mesma taxa de crescimento do governo Dilma). No primeiro mandato de FHC, que corresponde à aproximadamente ao período do plano Real, foram criados apenas 824 mil empregos formais (em 4 anos), um número ridículo se comparado à média da última década, que tem sido a criação de mais de 1 milhão de empregos formais por ano.

    A concepção original do Plano Real era excepcional e tinha base teórica e histórica – contudo, não foi uma invenção de economistas brasileiros. Coube, sim, aos economistas do PSDB patrocinar o não aprofundamento da fase de sincronização dos preços, a promoção de uma enorme substituição de produtos nacionais por produtos importados durante a fase de estabilização e o agravamento da situação fiscal brasileira. Mas hoje, 20 anos depois, somente lembram do que chamam de derrubada da inflação. Não possuem sequer a honestidade intelectual para reconhecer os erros e os custos sociais pagos em nome de estratégias eleitorais e crenças neoliberais.

    1. Caro Murilo Salem, o maior erro do ser humano é não querer reconhecer um fato concreto e real. Por estes lamento copiosamente. Agora, quanto ao sr. usa do bom senso quando apresenta um texto de cunho cientifico com uma narrativa extremamente importante sobre o período da implantação do Plano Real e as deformações operadas dissimuladamente pelos teóricos economicos da equipe de FHC, as contrafações exacerbadas dos economistas ‘gurus’ do PSDB que, inclusive, já estão sendo aclamados como futuros membros da equipe do candidato “pó” e “aguardente”. Espero, francamente que o povo brasileiro permaneça com o atual modelo e renove suas expectivas com as novas ideias. Saudações!

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