Enfim, as eleições acabaram. O grande palco de encenação foi desfeito, os atores interpretaram seus belíssimos papéis, fecharam-se as cortinas. Tragédia e comédia foram expostas, mas estes dois gêneros teatrais têm uma alegoria repetitiva na política. O Oscar  para prefeito já era previsto. Para vereadores, nem tanto.

É a última vez que afirmo: nossa política é degradante, e o meu pessimismo sobre ela condensa o meu caráter. A maneira que a nossa política foi explorada é digna de um prêmio framboesa de ouro, dessa forma todos ganhariam.

Escrevo isso porque é reprodutivo e aborrecido acompanhar a política e suas notícias. No final, a mesmice toma conta de tudo. Candidatos a vereadores que faziam campanhas oposicionistas, após eleitos, passam para o lado governista. Iaí, você não sabe, nobre leitor? O mensalinho codoense está criado. Sim, é dessa forma que se conduz a política. Atire a primeira pedra quem pensa o contrário!

Tudo como dantes no quartel de Abrantes. Menos mal que tenhamos pouca ou nenhuma novidade, com a sempiterna repetição do mesmo. A mediocridade da política toma conta de todos os políticos.

Sempre que leio Nietzsche (filósofo Alemão 1844-1900), admiro sua visão sobre a  ideia do “eterno retorno”: a circularidade do tempo, o acontecimento do mesmo, sua repetitividade. Tudo isso se manifesta nesse breve interregno de governo e quando as novidades vierem serão devastadoras, disso não tenhamos dúvida.

Somos um gado urbano sempre manifestando nosso temperamento de rebanho. Aceitamos com muita naturalidade esse jogo do fisiologismo conferenciando sempre a mesma coisa. Sai vereador, entra vereador e nenhuma plataforma de ideias é exposta. Não conhecemos uma só proposta, uma só defesa em benefício da cidade de Codó, mais especificamente de sua população. As nossas mazelas sociais continuam sempre postas, ou melhor, multiplicam-se.

Nunca sairemos dessa lama porque somos a célula central desse corpo. Nessas eleições observei o quanto nós deificamos os políticos e analisei o quanto isso nos faz mal. Eu sei, as pessoas possuem a liberdade de votar em quem elas querem, eu tenho a liberdade de lamentar. Assim é a democracia.

A redenção para os nossos problemas, nobre leitor, não está no âmbito social ou político, mas no moral. E nessa política de pão e circo jamais deixaremos de ser os palhaços. Nada de novo, tudo outra vez. Quem viver, verá!

 (Kleber Santos)

13 Responses

  1. Quando tudo for o inverso do que pensas ou do que queres, mas á realidade é outra. A não ser que o senhor quisesse que todos fossem igual a você na opinião… Isso é puramente impossível. Quem está dentro age de uma forma e quem está fora sempre tem à solução para tudo… Igual o estilingue e a vidraça. Dizem que toda unaminadade é burra, mas toda regra tem exceção. Gosto dos seus comentários apesar de um pouco de utopia. Abraços

  2. rapaz, kleber santos, se eu estivesse lá faria a mesma coisa que os demais fazem. Passaria sim para o lado do prefeito. Como é que eu ia, então, recuperar o dinheiro que gastei na campanha? passaria para o lado do prefeiito mesmo, que se dane o povo!!!!!!!!!!!!!!!

  3. é a mais pura verdade esta analise. todas as vezes que um candidato faz campanha de oposição se ele ganha vira pro lado do prefeito. ai é só abraço rios de dinheiro e nenhum projeto é feito.só mulecagem

  4. Falastes bem: as pessoas tem a liberdade de votar e você(Kleber)de lamentar, assim é a democracia.
    O direito de expressão, de ideologias são notórias e livres, eu particularmente não generalizo. Acredito no caráter em quem depositei meu voto.
    Parabéns pela excelente “filosofada”.

  5. Interessante vc citar Nietzsche com sua idéia do “eterno retorno”…
    Mas prefiro um filósofo ainda mais sábio e que viveu beeem antes de Nietzsche: o rei Salomão! Ele já dizia:

    “O que tem sido, isso é o que há de ser; e o que se tem feito, isso se tornará a fazer; nada há que seja novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? ela já existiu nos séculos que foram antes de nós.”

    “Deus está morto”? Esse foi o maior erro de Nietzsche!
    Nietzsche está morto!!!

  6. De fato, Sr. Kleber, existe uma arraigada cultura permeada pela subordinação e bajulação (permita-me deixar subtendida, etmologicamente, a palavra corrupção que empesteia a nossa sociedade e, sobretudo, os sujeitos fracos e covardes que se autoviolentam na vâ espectativa de “querer se dar bem” – como é de práxis, o uso corriqueiro desse jargão – no período eleitoral oferecendo apoio e, talvez mesmo, vendendo o seu voto, como se tal ato representasse nobreza e decencia) e nós precisamos lutar para debelá-la e, para debelá-la, é necessário uma articulação forte daqueles que se proclamam enojados por aqueles agentes políticos que alimentam sua ‘esplendida’ existencia; o ‘discurso interpretativo dominante’ – tomando emprestado esta frase de Alain Touraine -, precisa ser desmistificado bem como a figura ideologica representada por aqueles que promovem a sádica e incontrolável corrupção, por isso, condeno a fraseologia e a reprodução sistemática da crítica pela crítica; como se isso, fosse de fato, uma extraordinária alternativa de combate à corrupção. Ela está para além de um simples ponto de vista euforico! Lamento que o Parlamento Municipal ainda não fora avaliado com a rigorosidade que merece por parte da comunidade para fazer uma opção comprometida com candidatos que tenham uma identidade, uma luta, uma história, que possua ideologia e esteja sintonizado com as circunstâncias e fatos históricos que o rodeia e que conheça bem a problemática social local; porém, devo arrazoar um argumento que merece destaque: O vereador Max Tony. Ele será um dirigente político centrado numa pauta alternativa e, ao mesmo tempo, saberá manter uma polida posição na tentativa de proporcionar um Debate qualificado e propositivo, sem contudo, ingressar no campo da prática do “é dando que se recebe”. Max Tony, fará o diferencial nesta gestão no seio desse Parlamento. Max Tony respeitará o Parlamento Municipal como instituição democrática no Estado de Direito e corroborará na perspectiva de consolidar conceitualmente o sentido da democracia e da autonomia desse importante instituto para a sociedade civil. Acredito e confio plenamente no modo, na forma e no compromisso de Max Tony como o mais novo representante da comuidade codoense. Sei que o Parlamento precisa passar por um processo de reforma profunda, devo nesse momento, alertá-lo de que este processo já se iniciou, pois, houve uma mudança de 54,54% dos vereadores. A democracia é isso, alternancia de poder!

    1. Para se estabelecer um ponto de vista não é necessário mostrar foto, afinal, todos os codoenses conhecem a minha pessoa! moro no Conjunto Vereda, Av. 01, Q 12, Casas 21, no São Francisco. Simples!

  7. Tudo como dantes no Quartel de Abrantes. A massa bovina só serve para ser manipulada mesmo, senão não teria graça nenhuma nesse processo. Ela só quer pão e circo, embora se contente apenas com o circo. O povo…ah, o povo é apenas um detalhe. Ele que se foda!

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