VERGONHA – No Maranhão Codó é o município com maior número de trabalhadores escravos libertados

Seminário para professores sobre trabalho infantil/Mata Roma
Seminário para professores sobre trabalho infantil/Mata Roma

O município de Codó ainda tem muitos problemas de ordem social, um deles ainda é a migração de nossa força de trabalho menos provida de educação escolar para outros Estados.

O Maranhão está no topo dos membros da federação que mais exportam mão de obra em situação de risco de cair em condições análogas a de escravo e neste contexto nosso município, segundo a ONG Repórter Brasil, especializada neste tipo de problema, ocupa um vergonhoso lugar.

Nosso contato na quinta-feira (7) passada foi com o professor Thiago Casteli, da Repórter Brasil, que participava de uma formação continuada para professores e gestores escolares  no colégio Mata Roma.

TRABALHO INFANTIL E O FUTURO

Na entrevista, primeiro ele falou sobre o trabalho infantil também presente por aqui e, segundo a Secretaria Municipal de Educação, fato causador de perigosa evasão escolar. Na opinião de Casteli, além de causar evasão este tipo de trabalho traz consequências futuras para a vida desta criança.

Quando adulto, o menino ou menina que abandonou a escola para trabalhar (vendendo dindim, laranja, bater pneu, catar lixo, olhar bicicleta e motocicletas na porta de lojas) se tornará um forte candidato ao subemprego, mão de obra fácil para os aliciadores ( famosos gatos) que iludem com vantagens que não existem.

Assim, sem escolaridade e preparo técnico, o codoense acaba  virando escravo em fazendas de outros Estados.

“Então ele não vai conseguir fazer uma faculdade, ter acesso à condições dentro do mercado de trabalho melhores. Muitos dos que são libertados começaram a trabalhar com 10, onze anos de idade, então existe uma relação infeliz ente o trabalho infantil e os trabalhadores que são libertados no trabalho escravo”, explicou

NOSSOS ESCRAVOS

A ligação entre o presente de nossas crianças que trabalham  e o futuro possível não é mera expectativa de quem está acostumado a ver tais situações. No campo fático, isso realmente tem consistência, afinal estamos no Maranhão o maior exportador de mão de obra escrava do país.

“O Maranhão é o número um para trabalhadores que migraram para atividades como o corte de cana, a construção civil ou nas fazendas que foram libertados no trabalho escravo”, frisou Casteli

Quando da última vinda da equipe do Ministério Público do Trabalho à Codó, acompanhado de juízes do Trabalho,  em audiência pública realizada no auditório da UFMA, eu já tinha ouvido de um dos palestrantes que o nome de Codó, dentro deste Estado, é o que mais aparece quando trabalhadores são libertados de fazendas país afora.

Ou seja, quando o trabalhador é resgatado e pergunta-se –  de onde você é? O ex-escravo responde, Codó, senhor.

MAIS DE 300

Na entrevista com o representante da ONG Repórter Brasil, confirmamos este fato e tivemos acesso à números sobre esta vergonhosa realidade.

O professor Thiago Casteli revelou que desde 1995, quando o município começou a ser monitorado sob esta perspectiva, já são mais de 300 codoenses libertados em vários pontos do Brasil. Número que ele chamou de triste e vergonhoso.

“Codó é um dos municípios do Maranhão onde mais trabalhadores migram e acabam sendo escravizados, desde 1995 até hoje mais de 300 codoenses foram libertados no país, nesta condição. É um número um tanto triste e vergonhoso”, disse

Esperamos que tenhamos, a partir de agora, número reduzido deste tipo de libertação.

10 comentários sobre “VERGONHA – No Maranhão Codó é o município com maior número de trabalhadores escravos libertados”

  1. Acélio,

    Codó e Timbiras são os maiores exportadores de mão-de-obra análoga à de escravo. O Maranhão também figura no topo da lista. Fruto de uma sucessão de governantes descompromissados com a educação pública e de qualidade. Em Codó vemos várias crianças em nossas ruas e estacionamentos “trabalhando como franelinhas”. Não há programa social para acolher essas crianças e tirá-las da rua, levando-as de volta à escola. Dizer que elas não devem trabalhar é fácil e cômodo. Encontrar uma alternativa a elas, isso sim, exige espírito humano e competência pra fazer. Trabalhei muito como criança e nem por isso abandonei a escola. Por que? porque tinha o meu horário de trabalhar, de estudar e de brincar. Sempre fui acompanhado do cuidado de minha mãe, que priorizava os estudos, sem tirar de mim a responsabilidade pelo trabalho.

  2. Cera se TEM Credibilidade esta ONG ou É Mais UMA Picareta no Maranhão e no Brasil fazendo este Alarde Todo,é Somente em Codó e Timbiras que Há Todo Este Tipo de Trabalhadores sendo Levados para Este Tipo de Trabalho em Outros Estados do Brasil,é Somente os Codoenses que esta nesta Linha de Escravidão no Pais,Eu quero Acreditar nesta Pesquisa?

  3. Participei no dia 22.10.2013 no Auditório da UFMA da palestra sobre “Trabalho Escravo no MA” e foi descrito pelo Procurador da República em Caxias-MA, a relação das pessoas que usam o trabalho escravo na Região.

    Entre os componentes da Lista estão: Prefeitos, Ex-Prefeitos, Empresários que apoiaram os Prefeitos, Agropecuaristas conhecidos e tantos outros.

    Portanto Codoense, deixe de colocações infelizes , entre no site: reporterbrasil.org.br ou MPT.org.br ou se dirija a Ordem dos Advogados do Brasil e verifique as informações que você não tem conhecimento.

    Querendo ou não, infelizmente por inércia e falta de compromisso da Classe Política e empresarial desta Cidade. Codó está no Topo do Trabalho Escravo e Infantil no Maranhão.

    Essa triste realidade somente irá começar a mudar quando tivermos instalados em Codó-MA: a Vara do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho, a Delegacia Regional do Trabalho e demais órgãos federais, para assim combater essas irregularidades.

    1. Esse tal de V…que pessoa mais triste, deve ser mais um dos…. dos diversos senhores deste Município, que mantem o trabalho escravo e infantil em Codó e região. São pessoas desse tipo que não levam a sociedade a lugar algum, mas somente ao atraso.

  4. SE O POVO CONTINUAR VOTANDO NESSA CAMBADA DE ESCRAVOCRATAS, EXPLORADORES DA MÃO DE OBRA DOS TRABALHADORES E SEUS DESCENDENTES, ESSA VERGONHA IRÁ SE REPETIR POR MUITO TEMPO DENTRO DE CODÓ. E NEM ADIANTA ALGUM VASSALO DESSE BANDO TENTAR ARGUMENTAR, DIZENDO QUE ISTO NÃO OCORRE SÓ EM CODÓ, POIS ESTE É O ARGUMENTO MAIS IDIOTA…

    PARA CONCLUIR: “QUEM TRABALHA PRA MATAR A FOME, NUNCA COME O PÃO DE NINGUÉM. QUEM GANHA MAIS DO QUE COME, SEMPRE COME O PÃO DE ALGUÉM.”

  5. Diante de um espelho, geralmente nos vemos lindos, inteligentes e maravilhosos.
    Um narcisismo tipicamente tupiniquim que nos enche de orgulho e vaidade, pois
    explorar, levar vantagem, segregar é algo que vive nos anais de nossa história e
    nos coloca cem anos atrás das civilizações mais desenvolvidas do planeta.
    No reflexo desse espelho, como será que a lente do mundo nos veem?

    Antonio Carlos

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