
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ajuizou uma Ação Civil Pública de tutela de urgência contra a influenciadora digital Virgínia Fonseca e a empresa Fogo Entertainment, responsável pela plataforma de apostas Blaze.
O órgão pede uma indenização mínima de R$ 120 milhões por danos morais coletivos, alegando práticas publicitárias abusivas e enganosas direcionadas a atrair consumidores para apostas esportivas no decorrer da Copa do Mundo.
Segundo a petição inicial da promotoria, Virgínia atua diretamente como o “braço operacional da captação” da empresa. A acusação sustenta que a influenciadora utiliza sua forte credibilidade e o alcance massivo de suas redes sociais para endossar promessas de ganhos fáceis, induzindo o público ao erro por meio de estratégias agressivas de marketing.
O embasamento jurídico da ação se apoia no Código de Defesa do Consumidor, especificamente na chamada teoria do risco-proveito.
Sob este princípio, o Ministério Público argumenta que quem expõe terceiros a riscos para obter benefícios financeiros diretos deve ser civilmente responsabilizado pelas perdas geradas a esses terceiros, que neste cenário são os seguidores que perdem dinheiro nas apostas.
Para a promotoria, as postagens ultrapassam a mera recomendação de um produto e funcionam como um selo de aprovação implícito, fundamentado na relação de profunda confiança com a audiência.
A ofensiva ganhou força diante do monitoramento das campanhas durante a Copa do Mundo.
Paralelamente à ação no Distrito Federal, representações encaminhadas ao Ministério Público Federal também questionam posts específicos, como um vídeo em que a influenciadora incentivava seus seguidores a apostarem na vitória de Cabo Verde contra a Argentina, uma linha de aposta de probabilidade extremamente reduzida que resultou na derrota da seleção africana por 3 a 2.
O valor de R$ 120 milhões pedido pelo MPDFT foi calculado com base em estimativas do faturamento da Blaze.
O órgão adotou uma projeção de que a receita bruta de jogos da plataforma gire em torno de R$ 600 milhões anuais, aplicando um percentual punitivo e pedagógico de 20% sobre esse montante.
O relatório técnico do Ministério Público reuniu ainda mais de 42 mil reclamações de consumidores contra a Blaze, citando dificuldade extrema ou impossibilidade de realizar saques, bloqueio injustificado de contas ativas com saldos e retenção indevida de valores depositados.
Além do pagamento da indenização milionária, o Ministério Público solicita à Justiça uma liminar para obrigar Virgínia a remover imediatamente das suas redes sociais qualquer conteúdo publicitário de apostas que prometa lucros irreais, estimule apostas em condições esportivas específicas ou utilize publicidade disfarçada em publicações de cunho pessoal.
Em nota, a Fogo Entertainment declarou que permanece totalmente comprometida com a transparência e em estrita conformidade com as leis e regulamentações vigentes no Brasil.
A defesa de Virgínia Fonseca foi procurada, mas não emitiu pronunciamento oficial sobre a ação civil pública. O caso segue agora para análise e julgamento do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.