
A história de Francisco das Chagas André Camelo, conhecido carinhosamente por todo o Nordeste como “Francisco da Merenda”, é a tradução exata de fé, trabalho árduo e amor incondicional à família.
Natural de Santa Quitéria, no Ceará, ele transformou pequenos adesivos de papel em combustível para realizar o grande sonho de sua vida que é dar diploma universitário aos filhos.
A caminhada, que começou no período pós-pandemia em 2021, já soma marcas impressionantes.
Ao desembarcar no município de Codó, a cidade tornou-se o destino de número 242 em sua percorrida por todos os nove estados da Região Nordeste.
Da Fechamento do Lanche à Sacrificada Estrada
Antes de ganhar a estrada, Francisco trabalhava vendendo lanches em sua terra natal.
No entanto, o impacto da pandemia da COVID-19 e os riscos de saúde enfrentados por sua esposa, que tem diabetes, forçaram a interrupção do negócio familiar. Na época, o casal mantinha dois filhos cursando Odontologia e enfrentava a angustiante possibilidade de ter de trancar a faculdade de um deles.
Diante das dificuldades financeiras, uma conversa franca entre o casal mudou o rumo da família.
A esposa o encorajou a focar inteiramente na venda dos adesivos itinerantes.
“Foque no sonho dos nossos filhos e viaje, que eu seguro a barra por aqui”, disse ela.
O esforço já deu frutos, dois filhos já conquistaram o diploma de Odontologia e, atualmente, a renda das vendas custeia a faculdade da filha caçula, aluna do curso de Medicina Veterinária.
A Rotina e o Peso da Saudade
A rotina de Francisco exige disciplina e muita disposição. Ele se desloca de ônibus entre os municípios, hospeda-se em hotéis simples e percorre o comércio local durante o dia.
À noite, a jornada continua em restaurantes, pizzarias e bares. Os adesivos — com temas que variam de escudos de futebol e imagens religiosas a temas infantis — são vendidos por valores simbólicos, como R$ 2 a unidade ou 3 por R$ 5.
Apesar da vitória de ver os filhos formados, a rotina itinerante impõe um alto custo emocional, mantendo-o longe de casa por semanas ou até meses:
“Já cheguei a passar três meses na Bahia. É dureza você ficar longe de casa, sacrificar datas importantes. Uma vez minha neta me ligou em chamada de vídeo e disse: ‘Vô, só faltou você no meu aniversário’. Isso foi uma facada no coração que me marca até hoje” — relatou o comerciante.

Como apoiar a causa
A trajetória de Francisco da Merenda reflete a realidade de milhares de brasileiros que se desdobram diariamente pelo futuro de suas famílias.
Para quem deseja acompanhar a sua jornada ou apoiar a formação universitária de sua filha, ele compartilha sua rotina no Instagram através do perfil @franciscodamerenda.
Contribuições via Pix também podem ser realizadas diretamente pela sua chave/telefone (88) 98857-1063

