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terça-feira, 21 de julho de 2026
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SAÚDE MENTAL E DO BOLSO: NEUROPSICÓLOGO te mostra os sinais de que você está viciado em jogos on-line,”É HORA DE PARAR?”

​O crescimento do acesso aos jogos de azar e apostas digitais tem acendido um alerta na saúde pública.

Dr. Lucas Barbosa, Neuropsicólogo (BOM DIA MIRANTE, 15/07/26)

Em entrevista ao programa Bom Dia Mirante, da TV Mirante, o neuropsicólogo Dr. Lucas Barbosa detalhou a mecânica neurológica por trás da dependência de jogos e reforçou a importância da rede de apoio no processo de recuperação.

​O mecanismo no cérebro: Por que é tão difícil parar?

​O primeiro passo para compreender o problema é investigar a motivação por trás da conduta. De acordo com o especialista, o trabalho terapêutico começa ao mapear a origem do hábito.

​”Primeiramente identificar o que sustenta o comportamento do jogar. Será que é para por prazer ou será que é para aliviar um sofrimento, uma ansiedade, né? Então o terapeuta ele vai identificar esses gatilhos, né? Porque é um ciclo vicioso”, explicou

Segundo o Dr. Lucas Barbosa, a dependência se consolida por meio do reforço intermitente, um mecanismo no qual o cérebro é estimulado pela incerteza da recompensa.

​”Existe o que a gente chama de reforço intermitente no cérebro. O nosso corpo ele busca padrões de comportamento. Então, por exemplo, a pessoa não ganha sempre, mas ela ganha de vez em quando. E é nesse de vez em quando que o cérebro ele libera dopamina, que é um neurotransmissor que faz com que a pessoa busca e a antecipação. Então a cada quase acerto, o cérebro ele ententende que ele ganhou. E aí não, vou tentar mais uma vez, eu vou tentar mais uma vez e gira uma bola de neve”, frisou

​Quando o hábito vira um transtorno

​O vício em apostas é uma condição reconhecida pela comunidade médica e exige acompanhamento especializado.

Dependendo do quadro do paciente, o tratamento envolve abordagens terapêuticas e médicas.

​”Então a gente precisa ter ali, fornecer uma rede de apoio, uma linguagem mais assertiva e buscar uma ajuda profissional, porque pode estar no nível de transtorno do jogo que está no DSM-5.Dependendo do nível que está essa dependência, pode haver, né, uma intervenção medicamentosa ou não, talvez só com a psicoterapia”, citou

O neuropsicólogo ressalta que familiares e parceiros desempenham um papel fundamental ao observar as mudanças na rotina e no comportamento social do indivíduo.

​”Então o parceiro ele pode também ajudar a identificar se essa pessoa, como é que está o convívio social, se ela tem outros hobbies, se ela faz atividade física ou se o jogo se tornou a única escape dela.É, cada caso é um caso”, disse

O desafio da abordagem e o diálogo sem julgamento

​Uma das principais barreiras no combate à dependência é a negação por parte do próprio jogador. Diante disso, a forma de abordar o assunto em casa faz toda a diferença para romper a resistência.

​”E é muito comum quem está viciado não perceber ou não reconhecer ou não admitir, né? Então sempre vai ser um conflito você chegar para aquela pessoa, olha, eu acho que você está precisando de uma ajuda profissional. Vamos junto, né, com você procurar uma ajuda, mas não tem jeito, vai ter um momento que você vai ter que dialogar com aquela pessoa, olha, eu estou percebendo que isso está afetando a qualidade de vida, eu estou percebendo que a questão financeira está fugindo do nosso planejamento? Então assim, várias outras pessoas perceberam, eu vou com você”, frisou

Para garantir que a pessoa aceite o suporte, o especialista orienta manter o acolhimento acima de qualquer acusação.

​”Mas sempre uma linguagem assertiva que não pareça ser algo ofensivo. Vamos juntos buscar uma ajuda profissional, né? Então assim, é sempre nesse tom mais delicado, nunca numa forma de julgamento, porque esse julgamento pode parecer ofensivo e dificulta a resistência da busca de um profissional”, concluiu

 O neuropsicólogo pode ser encontrado no seu Instagram @psi.lucasbarbosa

OUÇA TRECHO DE SUAS FALAS NA CITADA ENTREVISTA em 15/07/26

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

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