O bairro Nova Jerusalém tem um morador que carrega mais do que a vibração do esporte, carrega três décadas de história, persistência e dedicação ao futebol feminino codoense.
Ele nasceu Antônio Batista Brito, mas Codóo conhece apenas por “Batista”, figura histórica do esporte local que há 32 anos fundou o Primavera, equipe pioneira que se tornou referência na região.
A trajetória de Batista com o futebol começou longe dos gramados, mas perto da paixão familiar.
Sem ter seguido a carreira com a bola nos pés, encontrou no ensino do esporte sua verdadeira vocação.
“A minha família toda gosta de bola. Como eu não aprendi a jogar bola, fui procurar ensinar alguma coisa para as atletas”, conta Batista, que ao longo dos anos levou suas equipes do campo ao futsal, passando pelo society e pelo beach soccer. “Toda modalidade que aparecer com o futebol feminino, eu estou com ele aqui”, nos disse
PROJETO NOVO no Nova Jerusalém
Há cerca de seis semanas, ao caminhar pelas ruas do bairro Nova Jerusalém, onde mora, Batista identificou um cenário que o fez agir novamente, meninas jogando bola no meio da rua, sem estrutura ou orientação.
Foi o impulso necessário para criar a Escolinha Nova Jerusalém/Primavera de Futsal, voltada para jovens de 10 a 18 anos.
A iniciativa, contudo, enfrenta a falta de apoio institucional. Sem fins lucrativos e sem ajuda financeira externa, o projeto resiste pelo empenho de seu fundador.
“Fui pedir a bola para o Poder Público e disseram que não tinha bola. Então, fui no Zulaga, comprei bola em quatro pagamentos e estou aqui. Nunca parei”, revela.
Para ele, a escolinha é também o motor que mantém a equipe adulta do Primavera em constante renovação, funcionando como um celeiro de talentos para a cidade.
Sonhos, Inspiração e Revelações
Para as alunas que integram o projeto, a escolinha de Futsal representa a oportunidade de tirar do papel sonhos alimentados desde a infância.
Isabelle Karnanda é uma das jovens que encontrou no projeto o espaço para desenvolver seu futebol.
“É inspiração da TV. Eu me inspirei muito, criei coragem e comecei a jogar bola desde pequena. Espero um futuro cheio de realizações e várias conquistas”, afirma Isabelle.
O apoio da família também tem sido fundamental para a adesão das atletas. A jovem Ana Beatriz destaca a influência do pai no seu ingresso ao futsal:
“Veio da confiança do meu pai. Ele falou para eu me inspirar e que eu devo ser uma grande jogadora quando crescer”, afirmou
Alerta para os Olheiros
Apesar do celeiro de talentos presente na cidade, Batista lamenta a falta de visibilidade para os atletas de Codó em comparação com o passado do futebol maranhense.
Para o treinador, a cidade guarda um potencial que precisa ser visto além das fronteiras municipais.
“Como naquele tempo em que tinha o Nacional e o Fabril, tinha muito atleta bom, mas ninguém vinha olhar aqui em Codó. Acho que Codó é esquecido. Mas se viesse um olheiro de fora, veria que tem muito talento aqui para renovar e representar até a nossa Seleção”, frisou Batista
Entre a falta de recursos e a paixão pelo esporte, Batista segue semanalmente orientando as garotas na quadra do Nova Jerusalém, com horário reservado pela Secretaria de Esportes, manantendo viva a tradição do Primavera e garantindo que o futebol feminino codoense continue a revelar novos nomes.

