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quinta-feira, 3 de setembro de 2026
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Maranhão lidera número de conflitos no campo no Brasil, aponta CPT

156 conflitos de terras no Maranhão

O Maranhão lidera o número de conflitos no campo registrados no Brasil no primeiro semestre de 2026, segundo relatório da Comissão Pastoral da Terra, a CPT.

Ao todo, foram contabilizados 156 conflitos no estado, número bem superior ao registrado no Pará, que aparece em segundo lugar, com 90 casos, e à Bahia, com 85.

Em todo o país, foram 841 conflitos no campo nos primeiros seis meses do ano, contra 798 no mesmo período de 2025.

No Maranhão, 153 registros foram relacionados a conflitos por terra. Segundo a CPT, quase todos os casos envolveram algum tipo de violência.

Entre as ocorrências que mais cresceram estão a contaminação por agrotóxicos, invasões de territórios, desmatamento ilegal e ameaças de despejo.

Para o advogado da Comissão Pastoral da Terra, Rafael Silva, o problema não é recente e está relacionado a questões históricas e sociais.

“Há questões de natureza histórica, cultural, relacionadas à imensa desigualdade econômica, à exclusão do acesso efetivo aos direitos das populações mais vulneráveis”, disse em reportagem sobre o assunto na TV Mirante.

Dr. Rafael também chama atenção para uma situação considerada ainda mais grave: segundo ele, justamente as populações que mais dependem das políticas públicas são as que enfrentam maiores riscos quando reivindicam seus direitos.

“Essas populações mais vulneráveis, ao mesmo tempo que são as que mais precisam das políticas públicas do Estado brasileiro, são elas que, ao reivindicar direitos que estão inscritos na legislação, sofrem o maior risco de pagar com a própria pele a luta por esses direitos”, afirmou

A CPT aponta a expansão do agronegócio como um dos fatores que contribuem para o aumento das disputas, mas defende que a solução passa principalmente pela atuação do poder público na regularização e proteção dos territórios.

Entre as medidas defendidas estão a titulação de territórios quilombolas, a demarcação de terras indígenas, a criação de assentamentos da reforma agrária e a regularização de terras públicas do Maranhão prioritariamente para comunidades que vivem da agricultura familiar.

Para Rafael Silva, garantir segurança jurídica às comunidades é fundamental para enfrentar os conflitos.

“É a atuação do Estado brasileiro em relação às questões fundiárias, às questões relacionadas à garantia da terra e dos territórios. E esse é um elemento fundamental”, concluiu

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

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