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segunda-feira, 24 de agosto de 2026
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TIROTEIO VERBAL: Mano China & Mano Robson celebraram 20 anos lutando pela sociedade usando a arma e alma do rap codoense

MC Chinha & Mano Robson

Ritmo e Poesia são significados atribuídos ao que, comumente, chamamos de RAP (pronuncia-se répi). Ritmo de origem jamaicana, porém popularizado por jovens negros da periferia de Nova York nos Estados Unidos na década de 1970.

De lá até aqui, mudaram os personagens, os artistas que o propagam mundo afora mas a mensagem de cunho dedicado ao protesto social e o ritmo caracterizado como intenso, forte  e dançante continuam os mesmos.

A história mostra que no Brasil este gênero musical chegou em 1986, primeiro na cidade de São Paulo. A partir da década de 1990 a indústria de discos (fonográfica) deu visibilidade aos artistas e os   primeiros rappers a terem sucesso foram o DJ Hum e Thayde.

Depois deles vieram nomes como Racionais MCs, Planet Hemp, Pavilhão 9, Detentos do Rap, Cambio Negros, Xis & Dentinho e o Gabriel, O Pensador.

O RAP EM CODÓ

No município de Codó, fizemos nossa primeira reportagem sobre este gênero musical, quando ainda éramos um  iniciante  repórter da TV Mirante, afiliada da TV Globo no Maranhão.

Se a a memória não me falha a matéria foi levada ao ar, pelo Jornal do Maranhão, 1ª edição,  em 24  de maio de 2004. Aqui na Região Leste a emissora estava começando seu 4º ano de existência, assim como eu na qualidade de seu  correspondente.

Quatro jovens foram mostrados naquele dia cantando músicas autorais e contando sua história que já tinha algum tempo de estrada, de tentativas,  luta, de um talento nato que saltava aos olhos da cena musical local sempre baseada em gêneros mais nordestinos como o forró e o brega.

Dois deles estiveram no palco de um festival de Rock Municipal (segunda edição), na noite de sábado, 15 de julho de 2023, na praça Ferreira Bayma. A organização incluiu  a apresentação de 1 hora e 20 minutos pra festejar os 20 anos do Tiroteio Verbal, nome dado ao primeiro grupo de rappers codoenses.

Os dois, a se apresentar,  foram  os lendários Mano Chinha e Mano Robson.

Mais velhos e experientes  subiram ao palco e mostraram o mesmo gás dos garotos de 20 anos atrás. Nos versos compostos, outros de improviso, a força artística brutal que não se dobra aos desafios de continuar denunciando, reclamando dentro dos caminhos que a poesia e a cultura do rap permitem, exigem.

“Espero que um dia a galera entenda o recado, a gente luta por paz, por saúde pra população, por cultura pra população, por valorização da cultura local. Tiroteio Verbal é isso, é paz, é amor”, nos disse MC Chinha ao ser entrevistado pelo jornalista Acélio Trindade, também 20 anos mais velho e, por que não dizer, mais experiente.

Para o rapper Chinha, atentar-se à letra da música e não apenas à batida dançante é o mais importante para que paremos, muitos vezes, até de marginalizar o gênero em Codó.

“A sociedade, de modo geral, ouve um rap pela batida, pelo instrumental e acaba excluindo e marginalizando, não é bem assim, você tem que ouvir a letra, o que a letra tá falando, o que esse esse refrão tá passando, entendeu? a galera fala do rap no Brasil, tem 50 anos de Rap, mas antes do Rap chegar aqui já existia o repente que também era a mesma coisa, os caras faziam música de improviso, entendeu Acélio, tem que ouvir, tem que observar a letra e ver o que este MC tá passando”, afirmou

A PRIMEIRA, 28 DE SETEMBRO DE 2003

Na cabeça de Mano Robson tá fixada a data da primeira apresentação  do Tiroteio Verbal em Codó,  conforme recorda foi em 28 de setembro de 2003. Era uma festa de aniversário da TV Cidade, festa organizada pelo promoter Tontonho Araújo que lhes deu a primeira oportunidade.

“Foi o primeiro aniversário da TV Cidade, em 2023, 28 de setembro. A emoção é a mesma, já toquei em vários palcos  no Brasil todo, Porto Alegre, São Luís, Teresina, Salvador, Paraíba, vários lugares e a primeira, essa oportunidade de tá tocando aqui, junto com a galera do rock, que é outro gênero diferente do rap, a emoção é grande”, lembrou

Na atualidade,  cada um  segue vida profissional distinta. Chinha é serralheiro, Robson já foi jogador de futebol, servidor público, mas nunca perderam a oportunidade de voltar aos palcos sempre que são convocados pela própria vida e pelo sangue que corre nas veias.

É necessidade de fazer o bem usando o tiroteio Verbal.

“A gente continua trazendo as vivências da rua pro palco, a gente não é santo, entendeu?, mas também não somos os piores seres humanos, temos também procurado ajudar participando de festas beneficentes, eu sou ex-jogador amador de futebol e o esporte me disciplinou muito, assim como o rap também me ensinou muito, chegar até aqui é sensacional”, destacou MC Mano Robson.

Parabéns pela resistência, pela força de manter algo tão grandioso debaixo do subestimado olhar das autoridades que passaram por nosso município ao longo dos últimos 20 anos.

A história do rap codoense é a prova viva daquilo que os ignorantes governantes que temos e tivemos não conseguem matar com sua visão monocular de cultura.

 

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

9 comentários

  1. Taí Acelio eu mesmo na minha humilde opinião eu criminaliza só pelo fato de alguns falarem palavrões . mais depois de uma aula dessa vou ter um outro conceito sobre esse gênero musical .

  2. Parabéns ao grupo, tive a honra de ser um dos integrantes “Renegado”, a luta não para é o cotidiano, nossa arma é o microfone e a munição são as palavras que saem como rajadas nos ouvidos de quem não vê a realidade do próximo.

  3. Essa galera merece nosso respeito sim Senhor, são artistas que fazem a diferença, cantam a verdade do jeito deles sem hipocrisia.
    Respeitar, reconhecer e valorizar é necessário .
    Parabéns aos jovens mestres Mano Chinha e Mano Robson, em nome de quem Saúdo o Tiroteio Verbal

  4. A resistência sempre força grandes guerreiro que Deus numca deixa faltar força mano Robson felicidades sucesso persistência sempre

  5. Participe do primeiro show, entrevisteibos integrantes na Rádio Jovem 10 e continuo sendo fã e incentivador do grupo, parabéns MCs

  6. Parabéns, que cada vez mais o hap seja valorizado e reconhecido sao 20 anod de tiroteio verbal que a voz e a vez do hap seja cada dia mais aclamado e reconhecido. DEUS ABENÇOE VCS MANO CHINA E MANO ROBSON.

  7. Que matéria tão bem escrita! Parabéns ao colunista. Desejo todo sucesso do mundo aos garotos em especial ao meu amigo mano Robson e que o Rap possa levar a sua mensagem. Parabéns pela história de resistência. Vamos em frente.

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