Recentemente, para ser mais específico, no dia 13/05/26, ocorreu a lamentável sessão no parlamento municipal de São Paulo, a votação do projeto de lei enviado pelo Executivo tratando do reajuste da categoria.

O vereador da extrema direita Lucas Pavanato (PL/SP), que votou contra o reajuste da categoria, de quebra, do alto de sua arrogância, estupidez intelectual e fanfarronice, ainda teve a petulância de querer lacrar mais uma vez nas redes sociais com sua fala truncada, eivada de ódio e desprezo pela categoria e, nesse sentido, expressou todo seu sentimento quanto a ideia que faz do operário da educação:
“De gente burra quero vaia mesmo. É isso que espero! Nós temos uma classe de que supostamente representa trabalhadores. Trabalhadores médio ganham R$ 3.800,00 (três mil e oitocentos reais), e é pra eles que não tem reajuste. Vocês, vocês são covardes… Oh vereadora, fica quieta, fica quieta… cala sua boca… quem faz greve, bate em policial e não trabalha é vagabundo (grifo meu) e se a carapuça serviu o problema é de vocês. Fica na sua, fica na sua…”
Tal frase ecoa muito mal.
Como um representante do povo levanta sua voz para declamar em alto e bom som que o profissional da educação é um vagabundo? (grifo meu) por mais incrível que possa parecer, por mais absurda que se mostre tal postura, para alguns defensores desse discurso maledicente, um profissional da educação jamais poderia receber tal tratamento. Afinal, esse vereador aprendeu a ler e a escrever com quem foi? Ele por acaso, é um autodidata? Autossuficiente? O professor que o ensinou a decifrar os códigos do letramento, códigos matemáticos, os códigos sociais, ao ouvir esse discurso deve estar coberto pela vergonha.
O educador é antes de tudo, um ser humano que sofre as intempéries de uma longa jornada de trabalho. Apesar de tudo, continua sua batalha infinda de formar homens para o exercício da cidadania e para o mercado de trabalho com decência.
O educador é um construtor perfeito de outros humanos, conjuga seu idealismo na mesma proporção daquele sujeito ‘maltrapilho’, ‘arredio’ e, muitas vezes, ‘tímido’ em sala de aula, por conta de sua condição socioeconômica; mas mesmo assim, esse herói anônimo da educação se dedica ao máximo para dar-lhe um mínimo de dignidade; dignidade essa que se traveste da perspectiva de vencer os ‘muros da vida’ por intermédio dos conhecimentos e múltiplos saberes sociais que são ensinados dialética e sistematicamente.
Esse vereador poderia ter ficado em silêncio para não denunciar sua própria ignorância, estupidez e fanfarronice!
Acusar de “vagabundo” aquele que é pura luz, puro saber dialético, puro amor, pura dedicação, é, no mínimo, um apedeuta. Desconhece a verdadeira essência do ato de ensinar e aprender. Não vivencia a prática cotidiana de um educador em escolas ‘abarrotadas’ de alunos, sem uma estrutura adequada, as condições de trabalho indignas do ofício, a falta de livros didáticos, a falta de uma biblioteca, falta de laboratórios de informática e de ciências para desenvolver no educando o espírito da curiosidade etc., etc.
Por fim, tratar com desprezo e desrespeito o mais importante elemento do processo ensino-aprendizagem é de uma insanidade indescritível, só pelo fato da categoria reivindicar uma reposição salarial.
O educador precisa e tem que ser valorizado, não apenas como indivíduo que atua em sala de aula, mas, sobretudo, por se constituir em pedra angular do desenvolvimento da sociedade, pois sem professores não há perspectiva de civilidade; o educador é o instrumento cabal e único que proporciona uma sociedade num caminho civilizatório, fraterno, justo e de oportunidades para todos.
A incultura produz homens como o vereador Lucas Pavanato-PL/SP, e a sociedade tem que repudiar esse tipo de conduta rebaixada.