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sábado, 7 de novembro de 2026
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Moradores de Zé Doca esperam há 12 anos pela entrega de residências prontas do Minha Casa Minha Vida

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CASAS PRONTAS EM ZÉ DOCA, SEM ENTREGA HÁ 12 ANOS

ZÉ DOCA (MA) — Quem trafega pela BR-135, na altura do município de Zé Doca, avista de longe a imagem de um conjunto habitacional imponente.

São cerca de 2.500 moradias que deveriam representar a realização do sonho da casa própria e a garantia de cidadania para centenas de famílias de baixa renda.

No entanto, há 12 anos, a realidade do local é retratada pelo abandono, pela burocracia e pelo desespero de beneficiários que assistem ao deteriorar de suas futuras residências sem jamais terem recebido as chaves.

​A história do residencial é marcada por um ciclo interminável de invasões, reformas e depredações.

Em julho de 2016, a gravidade da situação exigiu uma operação da Polícia Federal para a retirada de invasores que ocupavam o espaço.

Embora hoje não existam mais famílias morando irregularmente no local, o imóvel continua vulnerável.

Os próprios beneficiários denunciam que saques, furtos e vandalismos são rotineiros.

INCÊNDIO

A vulnerabilidade do terreno ficou ainda mais evidente em 2023, quando um incêndio que começou na vegetação baixa se alastrou e atingiu diversas residências. Na ocasião, a Caixa Econômica Federal limitou-se a informar que a estrutura física dos imóveis não havia sido comprometida.

​Por trás dos edifícios de alvenaria e das desculpas institucionais, o impacto humano é devastador.

Mães de família vivem no limite da exaustão emocional diante da espera que já dura mais de uma década. Uma das moradoras cadastradas no programa desabafou sobre a angústia de ter o direito à moradia negado diariamente.

​”Aí chega numa situação que a gente já quer a casa, porque eu tenho três filhos e um deles é especial. Aí eles vêm dando só promessa, promessa e nada de sair as casas”, disse na reportagem de Erisvaldo Santos, apresentada no JM2 desta quinta-feira, 30/07.

​Para os idosos da região, o atraso nas obras traduz-se em privação de itens básicos de sobrevivência, como alimentação e remédios.

É o caso de dona Francisca Rodrigues , que compromete quase a totalidade da sua renda de aposentada para manter um teto sobre a cabeça enquanto espera a entrega do imóvel prometido:

​”Recebo 600, aí 500 de aluguel e uns 100 é por remédio, por calçado, para tudo”, disse dona Francisca

A indignação da comunidade aumenta à medida que o empreendimento aparenta estar na fase final. No entanto, o discurso das autoridades responsáveis não se altera ao longo dos anos, gerando revolta em quem precisa do imóvel para viver com dignidade.

​”Eles dizem ‘não, estamos só ajeitando pequenas coisas que foi roubada, que foi saqueada’ e eles nunca entregam, sempre é a mesma desculpa. Um absurdo, né? Ver as casas prontas, aí praticamente finalizado o residencial e as pessoas precisando para morar e ter uma moradia digna”, frisou a moradora

​Procurada pela TV Mirante  formalmente para responder sobre o cronograma de finalização das obras, a falta de segurança no canteiro e a previsão de entrega das chaves às 2.500 famílias cadastradas, a Caixa Econômica Federal não enviou resposta até o fechamento desta reportagem.

Enquanto a resposta oficial não chega, o residencial às margens da rodovia permanece como um monumento ao descaso com o dinheiro público e às necessidades da população vulnerável

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

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