
PALMAS — O que foi noticiado inicialmente como um trágico acidente doméstico transformou-se em um dos episódios mais chocantes de violência infantil no Tocantins e foi alvo de reportagem do Jornal Nacional, na noite de ontem, 06/08.
O advogado Igor Veloso de Souza e sua atual companheira foram presos na madrugada de ontem, quinta-feira (6), escondidos na casa de um amigo na região norte de Palmas, sob a acusação de envolvimento na morte do pequeno Gustavo, de apenas 3 anos.
A versão contada pelo pai caiu por terra após a perícia.
Ao comparecer à delegacia na última segunda-feira, Igor alegou que o filho havia se afogado na piscina de casa no dia anterior e que, apesar de socorrido, fora encontrado sem vida horas depois.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML), contudo, descartou categoricamente o afogamento, apontando que a morte decorreu de traumatismos causados por agressões severas e violência sexual.
Agressões brutais e cumplicidade
Diante do laudo pericial, a Polícia Civil autuou o casal, que poderá responder por homicídio duplamente qualificado e tortura.
Para os investigadores, a dinâmica dos fatos aponta para um cenário de dores e gritos inequívocos dentro do imóvel.
A hipótese de omissão da companheira de Igor é considerada inviávelpelao delegado, Eduardo Meneses, a frente do inquérito.
Para ele, “estando no mesmo ambiente ou no cômodo ao lado, seria impossível não presenciar ou ouvir o sofrimento imposto à criança”.
A investigação não descarta o aditamento de novas qualificadoras ou o envolvimento de terceiros.
Alertas da criança e histórico de ameaças
O crime é desdobramento de um histórico anunciado. Horas antes de entregar o menino para o final de semana com o pai, a mãe de Gustavo, Sabrina da Silva Feitosa, gravou um vídeo em que perguntava o motivo de o filho relutar em visitar Igor.
Em um relato ingênuo e devastador, a criança respondeu: “Porque ele me bate”.
A mãe convivia com o medo desde a separação.
Em 2023, Sabrina registrou áudios em que Igor fazia ameaças explícitas contra a sua vida.
“A sua sorte é que você estava com o menino no colo e tinha muita gente passando na rua. Não vai ter próxima, entendeu? Mas se tiver uma próxima, você não escapa, porque na próxima eu te dou uma bala na cara.”

Segundo a defesa de Sabrina, a criança continuava sendo entregue ao pai por receio legal de acusação de alienação parental — dispositivo frequentemente utilizado para pressionar mães a manterem visitas mesmo em cenários de risco.
Garantia da ordem pública
A Justiça do Tocantins decretou a prisão preventiva do casal sustentando a necessidade de garantir a ordem pública e conter o histórico violento do investigado.
Igor Veloso e a companheira permanecem à disposição do Poder Judiciário enquanto a Polícia Civil conclui o inquérito.

