G1/MA – De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a vida e a saúde de milhares de bebês recém-nascidos no Brasil está em risco por conta de falhas na gestão da rede pública de assistência. No Maranhão, os dados apontam um déficit de 274 leitos de UTI neonatal para cada grupo de mil nascidos vivos: no mínimo quatro.

De acordo com dados do Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES), o país sofre com um déficit de 3.305 leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) específicos para o acolhimento de crianças que nasceram antes de 37 semanas e que apresentam quadros clínicos graves ou que necessitam de observação.

O número representa quase a metade dos serviços já disponíveis e foi estimado com base no parâmetro ideal estabelecido pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP): quatro leitos para cada grupo de mil nascidos vivos.

Em relação aos leitos de UTI neonatal – insumo básico para o atendimento dos casos de maior gravidade -, das 27 unidades da Federação, em 18 o indicador leitos/habitantes é inferior à média nacional e 25 não atendem ao ideal apontado pela SBP. Avaliando-se a performance do setor público, somente oito estados superam ou igualam a média nacional e nenhum atinge o parâmetro definido pelos especialistas omo recomendável.

Nesse quesito, o Maranhão aparece com apenas 190 leitos no total, o que significa 1,6 leitos existentes para cada 1000 nascidos vivos. Tratando-se apenas dos leitos oferecidos pelo SUS, existem apenas 132 leitos e o índice cai para 1,1 leitos para cada 1000 nascidos vivos.

Desigualdade nas regiões

Na análise realizada, é possível verificar a desigualdade na distribuição geográfica dos leitos. Só o Sudeste concentra 4.668 (53%) do total de unidades de terapia intensiva (UTIs) neonatal de todo o País: 47% das que estão no SUS e 61% do privado.

Já o Norte tem a menor proporção: apenas 483 (6%) de todos os leitos. Mesmo nos estados, onde o número de serviços é significativo, se reproduz outra distorção: a concentração das UTIs neonatais nas capitais. Nesses munícipios estão, em média, 42% dos leitos SUS e 49% dos leitos privados.

Tendência ruim no Maranhão

Pelos últimos dados oficiais disponíveis, referentes a 2015, cerca de 26,5 mil recém-nascidos morreram nos primeiros 27 dias de vida. Naquele ano, a taxa média nacional de mortalidade neonatal foi de 8,8 casos para cada grupo de mil nascidos vivos.

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