À pandemia rendei graças
Por Caio Rafael Corrêa Braga

A crise do novo coronavírus é, ironicamente, o elemento que ainda mantém Bolsonaro no poder. Desde o começo de seu mandato, Bolsonaro tem cometido inúmeros crimes de responsabilidade, os quais poderiam ser encaixados em diferentes legislações vigentes no país.
O último e mais importante acontecimento político no país, decorrente do discurso de demissão do Ministro Sérgio Moro, trouxe ao país mais um conjunto de crimes supostamente cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro. As acusações do ex-ministro Moro de que o presidente teria 1) interferido politicamente na Polícia Federal e 2) pedido acesso a relatórios de inteligência do mesmo órgão e 3) buscado o controle da Polícia Federal por meio de constantes interferências, se comprovados, somam-se aos diversos crimes cometidos pelo mandatário do executivo desde 1o de Janeiro de 2019.
A demissão de Moro demole mais uma das bases de apoio do governo federal, em especial com aquele conjunto da população que tem a agenda anticorrupção como o cerne de sua atuação política. O pronunciamento do “patrimônio nacional” procurou demonstrar que o presidente não tem comprometimento verdadeiro com uma agenda de combate à corrupção. Em outras palavras, Moro, indiretamente, expôs o oportunismo político de um ser que não crê piamente em tal agenda, até mesmo em razão de sua origem política. Não é surpresa para ninguém que Bolsonaro, como agente político, é fruto de relações criminosas, especialmente no estado do Rio de Janeiro (talvez daí decorra a grande preocupação do PR em trocar o superintendente da PF no Rio de Janeiro).
Diante desse cenário de corrosão na base de apoio do executivo, Bolsonaro somente permanece no cargo em razão da crise do coronavírus. Se esta não existisse, a falta de diálogo político com o Congresso Nacional e a radicalização das ações e discursos políticos já o teriam conduzido a seu processo de afastamento da presidência. O entendimento político geral (pelo menos das forças políticas sensatas), porém, é que as consequências das ações de Bolsonaro devem ser cobradas após a pandemia, sendo imprescindível que o país concentre seus esforços atuais no combate à pandemia.
Bolsonaro, que tanto recorre a citações bíblicas, deve agora parodiar 1a Tessalonicenses: “à pandemia daí graças”.
*Graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina. Pesquisador nas áreas de Segurança Internacional e Defesa e Inovação e Tecnologia.


Já foi buscar o teu 600 tão?
Texto muito esclarecedor!
Quando passar pela Câmara o primeiro pedido de impeachment….ELE VAI DAR O GOLPE.
Mourão já disse que não aceita, ou renuncia ou segue o enterro (impeachment)
E agora ou nunca,a vida que segue.
Parabéns Caio pelo texto da atual crise civil que vivemos dentro de uma conjuntura de pandemia de medo, isolamento necessário. Faz-se necessário em tempos odierno textos esclarecedores e verdadeiros como o seu.
Obrigado, querido! O objetivo é sempre elevar o debate público e promover o esclarecimento das questões que nos afligem diariamente.