
Será possível que presos vivam fora das grades dentro de um presídio, sem vigilância policial, que entrem e saiam quando bem entenderem, em celas limpas e cheirosas, que produzam e cozinhem a própria comida, participem de atividades comunitárias internas sem violência ou desavenças?
Parece coisa de países de primeiro mundo, mas acontece aqui mesmo perto de nós – em Pedreiras, estado do Maranhão – graças ao trabalho exemplar da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC).
O modelo de administração penitenciária existe há 50 anos, mas no PRESÍDIO ESTADUAL DE PEDREIRAS a forma foi experimentada pela primeira vez em 2008 e, desde então, nunca mais foi substituída porque, simplesmente, não há nada, nem próximo disso, dentro da experiência de trato e reintegração de apenados no Brasil.
O PROGRAMA A CONVERSA É COM ACÉLIO TRINDADE ouve hoje, 11/07, o diretor desta Associação, o psicólogo Dr. Yuri Sousa, à frente da entidade desde 2020.
“A APAC ela é um presídio, ela não é um centro de recuperação, ela não é um ambiente destinado a cuidar de presos bonzinhos, a APAC ela é um presídio de segurança máxima só que com uma gestão feita sem polícia, a gente não tem polícia, a gente tem um regime disciplinar rigoroso, severo”, esclarece inicialmente combatendo um imaginário popular de que para o presídio de PEDREIRAS são enviados apenas presos de baixa periculosidade e de bom comportamento.
Na realidade, daquele que cometeu furto ( crime sem violência ou grave ameaça) ao que cometeu assassinato brutal, todos os tipos de crimes são aceitos no regime disciplinar da APAC. A diferença está no formato de administração ao qual cada um precisa se adequar para continuar na disciplina da associação e beneficiar-se dela.
“Ela tem alguns elementos que a gente costuma dizer que são essenciais que é a família, que é o voluntariado, que é a disciplina, que é o mérito, então a gente tenta. O objetivo principal é recuperar este preso, é fazer com que quando ele volte para a sociedade é não volte a cometer crimes novamente”, disse
Sobre reincidência dos egressos da APAC o percentual varia de apenas 15% a 20%. No Maranhão, existem 8 Associações de Proteção e Assistência aos Condenados atuando em presídios regionais.
“A APAC de Pedreiras está de portas abertas para quem quiser visitar. As vezes as pessoas acham que por ser uma unidade prisional existe uma burocracia, um rigor de visitação, pelo contrário, a APAC ela precisa de visitantes, de voluntários e de pessoas que sejam multiplicadoras da sua filosofia, da sua ideia”, finalizou o diretor na entrevista ao programa de rádio A CONVERSA É COM ACÉLIO TRINDADE
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