Conhecida nacionalmente por sua forte tradição nas religiões de matriz africana, a cidade de Codó passa por um inédito e detalhado trabalho de mapeamento conduzido pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Igualdade Racial.
O levantamento em campo, que já atingiu 98% de conclusão, traz um dado revelador que contesta uma estimativa há anos divulgada inclusive pela imprensa nacional – o município não possui mais de 300 ou 400 terreiros de umbanda, como costumava se afirmar.
Em entrevista concedida ao programa A Conversa é com Acélio, o secretário municipal de Direitos Humanos e Igualdade Racial, Hugo Deleon Leite Carvalho, apresentou a realidade encontrada pelas equipes da prefeitura tanto na sede quanto na zona rural.
“O pessoal comenta que tem 400 e pouco, 300 e pouco terreiro. Não, isso não é verdade. Hoje Codó tem em torno de 110 terreiros apenas, catalogados um a um”, revelou o secretário.

Preconceito e subnotificação em campo
A disparidade entre a crença popular e a contagem real é explicada por fatores históricos de discriminação e intolerância religiosa, que levam muitos praticantes a manterem seus espaços de culto resguardados da visibilidade pública.
Segundo Hugo Deleon, a estrutura física de boa parte das casas de culto dificulta a identificação imediata, exigindo um trabalho de busca ativa e cooperação entre os próprios umbandistas (pais e maes de santo) , babalorixás e iyalorixás (líderes das casas de Candomblé) do município.
“A nossa maior dificuldade é por conta dessa discriminação que infelizmente ainda existe, não só em Codó, mas em todo o Brasil. A maioria dos terreiros funciona em casinhas que têm a fachada de uma residência comum, e lá no fundo fica o salão onde fazem suas festividades. Já temos 98% mapeado e a contagem não vai passar de 110. A base é essa”, explicou.
Cadastro aberto e políticas públicas
O secretário fez um apelo para que os lideres religiosos que ainda não receberam a visita do mapeamento procurem a secretaria para formalizar a inclusão no cadastro municipal.
O objetivo da catalogação é estruturar políticas públicas eficientes e garantir o fortalecimento da rede de apoio à igualdade racial na gestão do prefeito Chiquinho FC.
“Quem tiver um terreiro nessas condições e ainda não tiver catalogado, que nos procure. A gente faz o cadastro imediatamente. Nós temos um grupo com esses terreiros e assim fica mais fácil para trabalharmos essa política pública”, concluiu Hugo Deleon

