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domingo, 19 de julho de 2026
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Por Carlos Magno – SÉRGIO: A DOR DA SAUDADE

Este é um artigo difícil de escrever, por alguns motivos. Dentre eles está a emoção que permeia todo o nosso pensamento e a argumentação. É muito difícil conter a emoção em cada parágrafo, pois trata-se de descrever a convivência e a ausência prematura, repentina e inesperada de um irmão querido. Este irmão foi registrado com o nome de Sergio da Veiga Gonçalves, que faleceu no último dia 05 de abril.

Escritor e notário Carlos Magno

Após o seu enterro dirigimo-nos a sua residência e ali me veio a mente escrever alguma coisa que retratasse a situação que mentalmente programava para ali alguns dias mais a frente. O que me veio a mente foi mais ou menos assim:

A poltrona no fim do corredor está vazia. Há uma calmaria incomum pela casa e uma inquietação profunda dentro do peito. Não há copos de leite tampados sobre a mesa da copa. Nem de café. Ninguém está ali para reclamar de bobagens. Nem pra debater com o fervor que uma boa discussão merece. O calor, agora, vai parecer menos intenso para tantos e os cobertores dobrados no armário. O sol do quintal não será refúgio. A batida forte no portão não provocará qualquer corrida à janela. Da rua, o olhar direcionado à sacada da casa agora é triste. Ninguém mais acena de lá com as mãos. E as horas vão se passando. E assim vão passando os dias… Apesar de parecerem lentos, suas horas seguem impiedosas e mostram que já faz uma semana que Deus nos levou Sergio. Vão passar dois, três e sabe-se lá quantos dias e meses mais. O tempo não para nem espera as dores cessarem. Em alguns momentos, ele (o tempo) não é gentil o bastante para aguardar a tristeza transformar-se em saudade, como dizem por aí. Tampouco paciente. O tempo é como as pessoas, sempre correndo. Com ele, na mesma batida, seguem, então, novos e velhos hábitos. Reinvenções. E se adapte quem quiser, quem puder. Ou quem for forte.

A morte, senhora dos destinos, é certeira e certeza. Chega na hora que menos esperamos. Leva, sempre a quem mais amamos e mais queremos. Dia desses foi meu querido irmão Waltinho, e agora o nosso querido irmão Sergio. Pai devotado, esposo companheiro de todas as horas. Muitos amigos. Atencioso e amoroso com os irmãos, sobrinhos e tios. Amanhã, quem vai saber… A quem fica, além da ruptura dolorosa, ela oferece a chance de pensar e repensar sobre a vida.

 E sob o impacto da saudade, olhamos para a frente. Refletimos. Sobre a fé que em algum momento faltou e precisa ser renovada. Sobre as palavras boas que gostaria de dizer a alguém, mas não falou. Sobre o abraço que desejou dar e que não está ao seu alcance. Sobre passar mais tempo com quem você ama e ver que não há programação melhor. Sobre trabalhar com mais leveza, pois não vai mudar o mundo.

As reflexões não param. Pensamos. Sobre deixar as coisas pequenas pra lá, porque perdem muito os que a elas se apegam. Sobre como colocar a raiva pra fora sem ferir ninguém. Sobre pedir desculpas e como o ato de perdoar alivia os tormentos da alma. Sobre os amigos que escolhemos e a lealdade que esperamos dessas pessoas consideradas especiais. Sobre isso, sobre aquilo… Refletimos sobre nós mesmos.

E sobre o fato de não sermos imortais. Eu, por exemplo, nunca quis acreditar que meu pai e minha mãe fossem partir, apesar de saber que um dia teriam que ir. Como também nunca imaginei que fossem partir os nossos irmãos Fernando, Oscarzinho, Waltinho e agora o nosso querido Sergio. E surpreendentemente: Também não imaginava o quanto a presença de todos eles implicava segurança, ainda que diante de tantas fragilidades. Todos eles me imprimiam coragem. Dificuldades trouxeram crescimento.

Agora outro choque. Jamais imaginei, em tempo algum, para lembrar o dito popular, que nosso querido Sergio fosse partir tão rapidamente, deixando a todos nós, familiares e amigos, atônitos, sem querer acreditar no que estava acontecendo. A perguntar: por que? As lágrimas dessem.  Estou triste, pois perdi um irmão que sempre que podia vinha me visitar. Conversávamos sobre politica, futebol, estes os principais assuntos. Mas, ultimamente ele aparecia pouco, e foi se amiudando ate que, um dia desses, o encontrei na praça perto de meu serviço, e perguntei a ele porque não aparecia mais, no que ele respondeu que vivia muito ocupado com o serviço que não o deixava mais sair.

Sinto a sua falta, apesar de morarmos em cidades diferentes. Como disse antes: ele trazia segurança, alegria, otimismo, e esperança. Lembro-me bem de seu sorriso. E essa é a imagem que sempre quero ter de sua figura impar. Esteja em paz Sergio.

Carlos Magno da Veiga Gonçalves – notário

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

9 comentários

  1. Que a dor da perda do nosso irmão, Sérgio possa ser diminuída um pouquinho a cada dia e que daqui pra frente esta ausência seja capaz de fortalecer ainda mais os laços da nossa família. O vazio que ficou jamais será preenchido, mas ele estará na nossa memória para sempre. Descanse em paz, Sérgio.

  2. Carlos Gonçalves, como amigo da família também sinto a partida abrupta de Sergio da Veiga Gonçalves, apesar de não ser tão íntimo dele nas poucas (não tão poucas assim) vezes que tive o prazer de compartilhar com ele sentir a sinceridade, amizade, tranquilidade, afeto que emanava sempre de sua alma. O Sergio com certeza fará falta a todos nós, amigos e familiares.

  3. Qrido pai. Sinto com o sr a grande perda. me faz penssar no que
    realmente vale apena nessa vida? Passamos disas, anos…longe de todos
    que amamos. E pensso no abraco q a cada manha poderia ser dado
    Nas palavras doce e amaveis q poderiamos dizer para quem amamos.
    mas, continuamos com o anseio de termos algo a oferecer a uma sociedade ditadora.
    e o tempo passa e continuamos sem dar aquele abraço consumidos pela distancia.
    Que o hoje se torne em um amanha mais agradavel em bora cheios de saudades mas q as aproximacoes sejam de fato uma realidade diante de uma vida tao efemera.
    Fico aqui com muita saudades de todos e q a poltrona seja conquistada e assentada com laços de uniao e aproximidades diarias. Com muita admiracao deixo meu caloroso e acolhedor Abraço a esse grande homem. Meu pai. CARLOS MAGNO. Muita força e fé.

  4. Meus sentimentos que Deus conforte o coração de todos da família.
    Sei como é grande essa dor que com o tempo fica somente a saudade.
    Passei por isso também a pouco tempo..
    Mais que o Sérgio descanse em paz ao lado do pai eterno
    ..

  5. A vida! A vida nos prega cada uma todos os dias e não nos acostumamos com uma perda de um amigo que convivemos por muitos anos juntos, amigos, companheiros de longas jornadas em sua cidade natal “Codó”. Não foram poucos os amigos que construí lá, amizades sinceras construídas através do esporte, posso até citar alguns nomes de amigos que já partiram o meu primeiro amigo, naquela linda e aconchegante cidade chamava-se Reinaldo Zaidan, em seguida retornando de São Luís onde residia José da Costa Brandão, esse vivo ainda até hoje, nunca perdemos o contato um com o outro, somos grandes amigos, nos visitamos, nos encontramos, comemoramos juntos nossos encontros, bebendo uma cervejinha de leve… Além desses dois tiveram muitos outros, Reinaldo Santos, Murilo Salém, Carlos Magno da Veiga Gonçalves, irmão do amigo Sergio da Veiga Gonçalves que Deus acabou de levar… Esses dois últimos, acompanhei desde garotos, se tornaram homens e meus amigos. Com Sergio sempre nos encontrávamos aqui em São Luís, de repente me dão a notícia do seu falecimento, foi um tremendo choque, como sempre é para todos nós. Caro amigo Carlos, lamento muito a perda do seu mano e nós do jovem amigo, que Deus tome conta da sua alma lhe dando a paz eterna…

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