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domingo, 19 de julho de 2026
Artigos

Por Carlos Magno – EGOCENTRISMO E INDIVIDUALISMO

Ultimamente tenho lido alguns livros que dizem respeito ao comportamento humano, moral, egocêntrico e individualista, que no fundo traz uma pitada de ambição, com uma proposta para o desenvolvimento das virtudes e análise comportamental, as quais são abordadas, por escritores renomados, como o famoso psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, e os escritores Thomas Mann, Stephen King, Vitor Hugo, Fernando Pessoa, entre vários outros não menos famosos, mas que insinuando em suas publicações, em algum momento ali, outra acolá, ensinando-nos a praticar cotidianamente, as virtudes e, em algum momento de suas narrativas, afirmando que o ser humano por si só já e um ente suscetível de falhas no seu comportamento. Influenciado por essas leituras sadias, e de grande conteúdo comportamental e de conhecimento, é que achei que deveria dividir esses conhecimentos com os nossos leitores.

Escritor e notário Carlos Magno

O planeta entrou num célere processo de compressão e atravessa um período extraordinário da sua história graças ao indomável poder de ramificação dos meios de comunicação, principalmente a Internet, que conecta pessoas, determina o ritmo e cronometra o tempo, – como afirma Stephen King, um escritor americano, reconhecido como um dos mais notáveis escritores de contos, que vez por outra aborda o mundo real, – fazendo com que o mundo se veja pelo avesso em tempo real, exigindo do homem cautela que precipite os passos para arquitetar a própria plataforma, construir o universo pessoal e o blindar para bloquear acessos indesejáveis ou uma incursão de “hackers”, pois, num mundo onde não há privacidade, há o desequilíbrio de cabeças que navegam entre o existencialismo e o capitalismo, avivando cada vez mais a religião do isolamento.

Até pouco tempo, achava que o capitalismo seria a salvação da humanidade, por varias razões disseminadas pela mídia poderosa, por todos conhecidas. Com o passar do tempo e lendo realmente grandes pensadores, fui tomando conhecimento que não é bem assim. É fato, que o capitalismo, pode, em algum momento, gerar expectativas alvissareiras. Mas são expectativas fugazes, que não perduram, e, em outro momento pode, sim, nos trazer desengano, desilusão, desapontamento, etc.

Mas, voltando a esse entremeio de existencialismo e capitalismo, nessa ampliação de mundos sem raias, despertou no homem o maior de todos os sentimentos: o de liberdade. Thomas Mann, diz que este comportamento gerou uma ultratransformação social. Com espaço de sobra e tantos conflitos, cada um se posicionou no seu quadrado, e, mesmo com as proximidades exigidas pelo cotidiano, o “Sou mais importante do que você” é lei na constituição da sociedade contemporânea.

No disputado jogo em busca do protagonismo, muitos transcendem, abdicam de coisas e pessoas para cumprirem a desafiante missão de “ser evidência” e, para tanto, recorrem ao álter ego. Esse distúrbio de personalidade impele muitos a se converterem em inabitados “Batmans” ao assumirem dupla personalidade e, nessa dissuasão de estilos, adquirem coragem e poderes para enfrentarem a sociedade.

Afinal, quando o álter ego entra em ação, seus poderes criam legiões de heróis, pois, na mesma cadência, tecem teias em torno de si para se protegerem, despontam em meio a fracassos e decepções para defenderem as vítimas dos caprichos do Eu e formam a invencível “Liga do eu sou, eu posso, eu quero…”, dando início à guerra de conflitos entre identidade e alteridade, pois, em meio aos ataques, o álter ego confunde, enleia-se num universo onde “eu sou o protagonista e vilão” da minha própria história, pois sou (o outro) capaz de contracenar comigo mesmo para que o mocinho não cresça na trama e inverta o curso de minhas ambições pessoais.

Carl Gustav Jung, frisa isso muito bem quando diz que o “esse egocentrismo se torna tão consistente que “super-heróis” se autoprojetam com tamanha audácia que acreditam reter poderes para edificarem planetas pessoais, onde o existir é condicionado à vontade, que controla a rotação, determina o clima, os habitantes, e, sem que ninguém os detenha, arrebatam-se nessa aventura, acreditando que a camuflagem proporciona meios para lutar contra tudo e contra todos.”

 Voam alto, observam o mundo de cima, com ares de “Superman”, que nem mesmo a “criptonita” da razão absorve seus poderes, pois o ego não admite que, nessa trajetória, o mínimo que pode acontecer é uma dissimulada “Liga da Justiça”, onde nem as chamas ardentes do “Tocha Humana” resistem ao seu poder.

Dessa forma, cada vez mais o homem se foca no próprio umbigo e entoa uma canção que se tornou o hino de alguns: “Eu me amo, eu me amo… não posso mais viver sem mim!”. Esse sentimento ganha consistência à medida que o meio de comunicação mais popular do planeta — a televisão — insere na sua grade de programação o cardápio que atende à cadeia alimentar de todas as tribos, e, por ter como alvo o ego, a identidade se fortalece e a desagregação social é inevitável.

Isto que estou afirmando vê-se todos os dias. Continuando o que diz Carl Gustav Jung: “Assim, a identidade se compacta para provar ao sedutor alteridade, que se dobra em dois e confunde o ego, salientando que retém habilidades para acariciá-lo, dominá-lo, pois a alteridade, que equilibra pela sabedoria e pela justiça, passa a obedecer a impulsos e reações, a jogar charme e a não demonstrar as verdadeiras intenções, dando início ao intrigante triângulo amoroso identidade-alter ego-alteridade”.

Para atingir suas metas, o individualista ambicioso torna-se um obcecado, a ponto de cometer, com o poder que domina, erros que terão de pagar altos preços mais adiante. E são exatamente esses elevados investimentos que o desvirtuam, impelindo-o a afastar-se da rota e certificar-se que confiar no próximo é se expor ao holocausto, cientificando-se de que sozinho pode ser forte o suficiente para formar o invencível “Exército de um homem só”.

Thomas Mann, infere que “nesse poderoso batalhão do EU, comandado por MIM, sobressai um ser com a audácia de desafiar o outro, romper as fronteiras do mundo para acatar os caprichos do comandante ID, que, COMIGO, está sempre preparado para qualquer eventualidade, inclusive estabelecer o seu implacável preceito:Sou mais EU!’

Contudo, quando o individualismo envereda por caminhos paralelos chega a um terreno em que o indivíduo perde a ciência, o comando, e prossegue impelido pelo imprescindível desejo de ir além para obedecer aos impulsos do ego, e este o desafia a atingir o ponto mais alto, chegar à plenitude, para satisfazer o ser maior SI MESMO, enveredando pelos atalhos da individualização, que, segundo o fundador da psicologia analítica, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, é “… o processo pelo qual o ser humano chega ao autoconhecimento e é levado a estabelecer o contato com o seu inconsciente, não só com o inconsciente pessoal (integrando as sombras), mas também como o seu inconsciente coletivo.”

Esses escritores e pensadores famosos, não só pelas suas ideias, mas, também, pelo senso de transforma-las, em grande parte, em ensinamentos àqueles, que como nós, aficionados por elas – as ideias – espalhados por esse mundo a fora, formam uma plêiade de homens privilegiados que sabem ou souberam explorar o cotidiano das pessoas, indo, como se diz no nosso linguajar tosco, “com o dedo na ferida”, atingindo exatamente o ponto que queremos, que desejamos saber. Abrindo as portas para adquirirmos o conhecimento necessário para podermos entender mais a alma humana, naquilo que mais precisamos na convivência em sociedade, e saber distinguir o egocêntrico, o individualista, o megalomaníaco, o ambicioso, o inconsequente de uma maneira geral.

Eles nos ensinam que no fantástico universo do individualista, só cabe o EU, “meus desejos”, e, quando o egocentrismo entra em ação, o clima sofre bruscas transformações e passa a ser governado pelo rigoroso sistema EU SOU, auxiliado pela sua “Carta Magna”, que rege EU POSSO, amparada por leis rigorosas que determinam como regra EU FAÇO, pois a religião “individualismo” tem como doutrina a satisfação do EU. O ego passa a ser o centro operacional que origina a força para coexistir na competitiva sociedade contemporânea, onde o direito de ser do outro sobrepõe-se à sua vontade de ter.

Gostaria muito de me aprofundar mais no assunto, por ser muito interessante, e de um aprendizado imenso, por que, também, nós aprendemos, mas o espaço que dispomos é reduzido, e temos que ter o senso do limite. Alias, aproveitando o gancho, temos que ter limite em tudo, pois, interpretando a Constituição, a nossa Lei maior, o meu direito acaba onde começa o seu. Ate a próxima.

Carlos Magno da Veiga Gonçalves – Notário

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

4 comentários

  1. Na mosca! Qualquer semelhança com pessoas e fatos atuais do nosso cotidiano, é mera coincidência!kkkk. E o amigo, preciso como sempre nas suas colocações!

  2. O Carlos é essencialmente um escritor de bom senso critico, intelectual, preciso em suas colocações. É admirável ler os seus escritos de assuntos atuais. Meus parabéns mais uma vez.

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