Na terceira visita da chamada Caravana da Liberdade a região Leste do Estado, ocorrida ontem, 23, num tímido evento realizado no prédio do Rotary Club, a constatação de que pouca coisa avançou no combate ao trabalho análogo à condição e escravo em Codó e Timbiras, porque a principal fonte de novos vulneráveis continua do mesmo jeito – a falta de empregos formais.
“Se a gente não consegue ter qualificação pra essas pessoas, se as pessoas não conseguem ter educação elas, naturalmente, vão sair da escola, vão viver de subemprego, aí entra o aliciador com falsas promessas, promessas irreais e leva as pessoas pra condições de trabalho muito degradante que acaba sendo situação de trabalho análoga a de escravos”, asseverou Erik Ferraz, que representou a Organização Internacional do Trabalho no evento
Por conta disso, os resgates continuam, inclusive dentro do próprio Maranhão, como explicou Jonata Galvão, secretário-adjunto de Direitos Humanos do Maranhão.
“A gente já teve casos de trabalhadores resgatados no Maranhão que estavam bebendo água no mesmo local que os bichos, sem alojamento, sem comida adequada (…) a jornada excessiva ele é obrigado a trabalhar muito além do que a legislação permite e a prisão pro dívida ele sai do seu município já pega uma condução e já começa devendo aquele transporte, no alojamento tá devendo o alojamento, quando ele almoça tá devendo almoço, a ferramenta de trabalho”, explicou
NÚMEROS DA RAICE/CPT
De 2013 até agora, já são 758 trabalhadores de Codó resgatados em situação degradante, no vizinho município de Timbiras este número chega a 209 no mesmo período.
Brígida Rocha faz parte da rede de Ação integrada para Combater a Escravidão (RAICE) nos dois municípios. Destacou que houve avanços no número de denúncias, isso reflete numa melhora no nível de conscientização.
“Com a RAICE a gente tá escutando denúncias, a gente tá fazendo encaminhamentos, tivemos dois casos em Timbiras e tivemos um caso em Codó…JÁ ESTE ANO? Isso, então a gente acredita que está surgindo e também por diferente atores como da Assistência Social que no seu trabalho dia-a-dia estão identificando situação de pessoas submetidas a este crime”
Na reunião de ontem, 23, em Codó, ficaram definidas algumas ações. Na primeira quinzena de novembro, por exemplo, há previsão para a realização de um curso de qualificação direcionado à lavradores resgatados. A informação foi confirmada pelo sub-secretário do Trabalho e Economia Solidária, Genilson Alves.
“Nós temos uma demanda, especificamente pra Codó, de trabalhadores da comunidade de Santa Maria que nós vamos realizar um curso de beneficiamento da poupa de fruta e da castanha do caju, foi uma demanda que foi feita a partir das entidades que trabalham na região, no território “!