
O município de Água Doce do Maranhão, no litoral norte do estado, amanheceu sob forte clima de comoção e revolta para prestar as últimas homenagens à jovem Bruna Edna da Silva Loyola, de 17 anos.
O sepultamento da estudante ocorre na manhã desta quarta-feira, no povoado Buriti, localizado a cerca de 3 km do distrito de Canabrava.
O crime brutal aconteceu na tarde de segunda-feira, por volta das 14h30.
Bruna, que estudava no Centro de Ensino Vereador Anayde Costa, da rede estadual de ensino, solicitou autorização para deixar o estabelecimento mais cedo a fim de ir a um salão de beleza nas proximidades.
Minutos após cruzar os portões da instituição, a jovem foi abordada a duas ruas da escola por um adolescente, também de 17 anos, que carregava uma mochila.
Segundo informações preliminares da Polícia Militar — a primeira equipe a atender a ocorrência —, houve uma discussão entre os dois em plena via pública.
Em seguida, o suspeito atacou a vítima, desferindo 21 facadas.
Bruna não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Apreensão e arsenal achado com o suspeito
Pouco tempo após o ataque, o infrator foi apreendido e conduzido à Delegacia Regional de Barreirinhas.
Em depoimento inicial ao delegado Tiago Castro — responsável temporariamente pelo expediente de Água Doce do Maranhão —, o menor optou por exercer o direito de permanecer em silêncio.
Apesar de formalmente calado na delegacia, o jovem fez declarações em um vídeo gravado por policiais militares no momento da abordagem.
A Polícia Civil informou que o registro não deveria ter sido feito, por se tratar de um menor de idade.
No vídeo, contudo, o jovem alegou que pretendia promover um ataque à escola motivado por situações de bullying das quais afirmava ser vítima.
Na mochila do suspeito, os policiais apreenderam um arsenal de fabricação caseira:
Uma faca (utilizada no homicídio)
Uma granada artesanal
Um artefato suspeito (uma bomba que o menor alega ser falsa)
Garrafas de coquetel molotov, que seriam usadas para incendiar o prédio escolar
O adolescente admitiu ter aprendido a confeccionar os explosivos por meio de tutoriais na internet.
Todo o material recolhido passará por perícia técnica para atestar a real capacidade ostensiva dos artefatos.
Procedimentos judiciais e investigação
Nesta quarta-feira, o jovem passa por audiência de apresentação junto ao Ministério Público, onde é ouvido pela promotora Samara Mesquita, da 2ª Vara de Justiça da Comarca de Araióses.
Após os trâmites legais na região dos Lençóis Maranhenses, ele será transferido para uma unidade socioeducativa da Fundação da Criança e do Adolescente (Funac), em São Luís.
Em paralelo, as investigações prosseguem para determinar a real motivação do crime e se o ataque à aluna teve relação direta com o suposto plano contra a escola.
O delegado Tiago Castro dá início hoje às oitivas das testemunhas do caso, incluindo o porteiro da escola que autorizou a saída de Bruna no horário do crime.

