De Jacinto Junior – Por uma cidade mais participativa e menos provinciana

Aproxima-se o pleito eleitoral (2016) e, com ele, a ideia de uma nova força política emergente surja para restaurar as esperanças naufragadas numa nau sem prumo. Este é o pensamento que predomina de forma alienada – no conjunto da sociedade civil – quando se imagina uma mudança e ‘para melhor’. Mas pensar uma mudança estrutural – verdadeiramente – é fundamental a mudança de perspectiva do ‘olhar’ e do ‘ver’ daqueles que se propõem ser essa mudança.

Professor Jacinto Junior - um pensador contemporâneo
Professor Jacinto Junior – um pensador contemporâneo

Tenho tido a oportunidade de ouvir e testemunhar alguns tímidos discursos sobre como fazer essa arrojada mudança estrutural que nossa cidade necessita. Aliás, ouço de forma tosca e aleatória frases de ‘efeito moral’ como se fossem verdadeiros ‘achados revolucionários’ apontando – o eldorado – as milagrosas soluções sociais que precisam ser suprimidas e recolocar a cidade num patamar da dignidade. Contudo, percebe-se nas entrelinhas desses discursos efêmeros e insustentáveis a fragilidade teórica do proponente, pois, não conhece a fundo a realidade social local.

Rediscutir uma perspectiva diferente e profundamente democrática é partir do pressuposto participação social e organização pela base para efetivar uma transformação social radical.

Nenhuma mudança social, nenhum projeto revolucionário, nenhuma construção democrática ocorreu de forma silente e passiva; sem que não tivesse o braço participativo e independente do povo organizado. A organização pela base é a formula ideal para se repensar uma proposição avançada, um projeto tangível de reforma, mas, sobretudo, introduzindo os germes da participação popular como fio condutor desse modelo de sociedade que queremos como nova. A busca por formas de participação, a concepção de sociedade, o modelo de desenvolvimento e, mais ainda, a unificação da base para sustentar a ideia motora desse novo processo que se proclama como novo e redentor constitui a pedra angular no horizonte dessa transformação histórico-democrática a ser desvencilhada futuramente.

Codó não pode prescindir do falso moralismo e ilusão daqueles mentecaptos que pressupõe uma luta baseada na conciliação de classe e na fortaleza da opressão e miséria humana para propor a retomada do desenvolvimento e/ou uma nova fase para redesenhar o caminho de nossa cidade fazendo-a ser uma cidade prospera e respeitada. Como eterno aprendiz de política sempre busquei separar as diversas atitudes e gestos dos pretensos candidatos quando se aproxima o pleito eleitoral. Tais candidatos iniciam seus propósitos criticando toda e qualquer ação governamental – seja para o bem ou para o mal, o que importa é estabelecer a crítica pela crítica e não a crítica pela transformação radical – tentado obter visibilidade entendendo isso como uma estratégia genial que, possivelmente, garantirá dividendos políticos. O epicentro desse processo que institucionalizou a cultura de rebaixamento e de oportunismo do pseudolider em se afirmar como a ‘esperança’, a ‘mudança’, a ‘alternativa’ está exatamente no inverso de seu discurso pincelado de reformista: a alienação do patrimônio público para dilapida-lo sem, contudo, realizar a essencial transformação objetivada. Na verdade, o que predomina nesse mecânico processo político é o retardamento de uma verdadeira mudança social – e o que prevalece é a velha máxima de “mudar para nada mudar”. A perspectiva apontada pelos candidatos na verdade não passam de simples táticas para conquistar o poder político e, mais uma vez, ludibriar a sociedade civil desprovida de uma organização de base sólida.

Agora, com relação ao pensamento progressista de uma proposta alternativa temos um grande problema, pois, historicamente, ainda não fora constituída uma frente hegemônica – composta por técnicos, teóricos e especialistas – com a finalidade de pensar um projeto orgânico para nossa cidade. O elemento distintivo disso seria, de fato, a capacidade dos setores políticos de construírem as propostas fundamentadas cientificamente, porém, tal metodologia incorre de forma inversa e contraditória. De um lado, setores da direita conservadora ultraliberal – aqui, incluem-se, o agrupamento comandado pelo megaempresário – utiliza-se de seu poder econômico e contrata uma Consultoria para elaborar sua proposta de governo a ser apresentada no período eleitoral; tal proposta não é condizente com a nossa realidade, afinal, os contratados não conhecem a nossa realidade social, econômica, política e cultural, no entanto, decidem construir uma plataforma recheada de malabarismo e uma técnica apurada da ilusão que mexe com o sentimento de cada indivíduo que desconhece o contexto sob o qual tal proposta fora criada; de outro, a legitimidade social perde força por conta de sua omissão no processo decisório. Em outras palavras: enquanto permanecer a dispersão da sociedade civil no campo político, agindo isoladamente, os históricos problemas tornar-se-ão bandeiras para os setores da direita conservadora ultraliberal oportunizar esse espaço para-si e, a partir daí, aparecer como a alternativa a esses problemas.

O fato determinante é que nossa cidade carece de uma alternativa capaz de originar uma fase inovadora no contexto social aprofundando as políticas públicas fundamentais projetando, cada vez mais, a influência da sociedade civil organizada na promoção da cidadania e do desenvolvimento interno.

Alguns candidatos sem nenhum proposito e, por conseguinte, sem proposição política alimentam o sonho de que, se for uma oposição pela oposição vão se tornar a chamada ‘bola da vez’ – a esses tipos, esclareço que não há mais espaços para o chauvinismo decadente -, é mister afirmar que não cabe mais tal forma de luta política. Apesar de toda a inovação tecnológica e do avanço cientifico em diversos setores da ciência, nós ainda convivemos com uma dramática realidade socioeconômica acostada na opressão e exploração dos trabalhadores e tal metabolismo social contribui de forma significativa para o atraso cultural que escraviza nosso povo.

Ainda não senti e nem percebi os setores políticos da esquerda e de centro se articularem para repensar nossa cidade numa perspectiva democrática e desenvolvimentista – não baseado no que fora pensado por Celso Furtado na década de 1960 – sob a ótica da mudança institucional verdadeira; em que haja transparência e participação social da sociedade civil como colaboradora das políticas públicas. Pensar politicamente nossa cidade urge, inevitavelmente, reintroduzir na pauta política duas convergências essenciais: primeiro, a organicidade da sociedade civil e, segundo, a necessidade de se discutir com responsabilidade as alternativas criveis e implementá-las naturalmente.

O rebaixamento político a que se submetem algumas lideranças sob a influência do capital reproduz o ciclo de dominação permanente de uma classe sobre outra e o mais grave ainda, a supressão do direito de participar das disputas políticas que ocorrem somente entre os donos de capital em sua grande maioria – a nossa história é reveladora neste espectro fundamental. Nesse interim, processa-se o discurso historicizado e propagado pela elite de que só podem participar das eleições aqueles que realmente possuem um considerável montante de capital para gastar, em outras palavras: só queremos ricos disputando as eleições, os pobres serão tratados apenas como nossos (vassalos) instrumentos para nos conduzir ao poder e, assim, sermos reverenciados como verdadeiros (feudais europeus) signatários do poder!

Quando, efetivamente, a sociedade civil codoense restabelecerá sua condição humana (rompendo com esse ciclo histórico de dominação) na perspectiva cidadã? Quando os diversos líderes políticos que comandam partidos e reclamam da realidade social deixarão de ser meros apêndices para enaltecer o poder dos representantes das elites e continuar nas mesmas condições de exclusão política? Que mudança é essa imaginada por aqueles que podem inverter a lógica política em seu favor por constituírem a maioria socialmente, mas sempre se submetem aos caprichos dos capitalistas que lhes dão uma esmola e, assim, se sentem recompensados temporariamente? Até que ponto esse modelo opressor permanecerá vitorioso? Os representantes da elite política e econômica codoense jamais irão transformar o poder político em realidade para a classe trabalhadora, pelo contrário, o sistema deve ser alimentado constantemente a tal ponto que, a própria crise gerada vai beneficiar outro representante da burguesia codoense.

A nossa cidade precisa de outro cidadão. Um cidadão ousado e corajoso, decidido e com capacidade de irromper com a força do capitalismo degenerado/degenerador que os colocam numa condição sub-humana – isto é, a forma como ele se manifesta e determina tal ciclo de concentração, opressão e exclusão.

Esperarei o momento em que os principais atores sociais – políticos – nos presentearão com suas milagrosas promessas de mudança e transformação da estrutura de poder, submetendo-o aos ditames legais e, precipuamente, à sociedade civil.

O latente provincianismo tem se tornado um instrumento indispensável para a elite política e econômica se manter no poder político. É visível esse aspecto! E o que é preciso ser feito para que haja, de forma concreta, essa alteração cultural? Só há um caminho: a unidade da classe trabalhadora. Não há outra perspectiva plausível capaz de propiciar essa inversão de valor. Os trabalhadores precisam se livrar da fantasia criada pelo mundo capitalista de que o capitalismo é o modo ideal de vida e o capitalista seu principal parceiro; ao contrário disso, a história nos revela que esse modelo é absolutamente perverso, excludente e o capitalista seu principal sanguessuga.

Repensar nossa cidade: de que forma? Quais os instrumentos que serão criados para denunciar essa nova perspectiva? Quem contribuirá para essa nova formula e desencadear uma indignação social com os verdadeiros causadores das tragédias e misérias humanas em nossos filhos? Com a palavra os ‘novos’ candidatos!

Por Jacinto Junior

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