DEMOCRACIA: A FILHA DA LIBERDADE E DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Professor Jacinto Júnior

Quando falamos em Democracia – permita-me utilizar a inicial maiúscula, para distingui-la do conceito rasteiro e efêmero que sempre é dado a essa categoria histórica determinante para toda e qualquer sociedade por quem, de fato, à abomina e tenta a todo custo desqualifica-la em sua essência – a primeira impressão é a de que tal categoria carrega consigo o germe da “revolução” de um lado (para uns), e a suscitação da “baderna”, de outro (para outros). É visível o balizamento dessa ideia motriz na perspectiva intencional das forças ocultas em promover a ‘confusão’ – desse importante conceito instrumental – entre aqueles que disputam o direito de viver numa sociedade que tem como prioridade absoluta o respeito, a dignidade, a tolerância à diferença étnica, religiosa, cultural, política e, sobremodo, econômica; gerando uma profunda animosidade entre esses membros (isto, levando em consideração o caráter e a natureza de sua base teórico-ideológica).

Uma verdadeira sociedade – seja ela detentora de características conservadoras, liberais, democráticas, socialdemocratas, socialistas e/ou comunistas – só poderá coexistir com seus ‘fantasmas’ (as contradições sociais), se permitir existir internamente a Democracia como pêndulo histórico de seu modu operandis de existir, caso contrário, tornar-se-á numa bomba-relógio a ponto de implodir a qualquer momento, e o estrago será perene e irrecuperável sob o ponto de vista civilizacional.

Na atualidade já não há mais espaço para o sufocamento e a asfixia social como engrenagem e/ou modelo central para instigar o desenvolvimento pleno e justo aos filhos da sociedade. A repressão não pode ser uma opção política para instaurar ou, ainda, reestruturar uma crise sistemática que nós sabemos onde está sua origem e, também, podemos suscitar sua premente dissolução apresentando uma alternativa plausível. É possível sim, construirmos uma sociedade sustentada no conceito democrático, para isso, é fundamental a proeminência dos opostos convergirem gradativamente suas teses na feitura de um modelo social que atenda todas as partes conflitantes sem perdas significativas para ambos os lados.

A sensação que adentra nosso interior é de que a Democracia constitui a pedra angular do indivíduo e da sociedade. Ela é, sinteticamente, a ‘asa da liberdade’ do homem que apreende sua função social e política no contexto histórico. Por isso, a Democracia é um símbolo que representa a universalidade social e humana. Ninguém pode detê-la, não há possibilidade de mata-la! Ela é atemporal. Somos sua própria ‘criação’! A Democracia fundamenta um padrão social em que a existência do indivíduo no contexto social histórico tende a proporcionar sua dignidade de tal modo que tal existência assume uma condição extraordinária. E o extraordinário é viver plenamente bem numa sociedade em que os direitos deixam de ser objeto de querelas e passa a ser direitos de fato!

Para alguém conseguir se apropriar da Democracia como instrumento garantidor de seus mais elementares direitos sociais vinculados à sua existência, deve como primeiro ato solene romper com a alienação social construída para oprimi-lo. Este é o passo indispensável para tornar o individuo num sujeito histórico-social capaz de compreender a faceta estrutural que o cerca e, lógico, entender a si mesmo como ser carregado pela contradição. A Democracia aduz o princípio da liberdade, da fraternidade e da igualdade. Será que todos pensam nessa perspectiva, para assim, vivermos um tempo mínimo condicionado pela cidadania e pelo respeito ao outrem? Isso, só o tempo dirá!

Mas é de bom alvitre recordar que, experiências passadas comprovou que a ausência de Democracia gerou e continua gerando convulsões sociais!

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