FOME À VISTA – Lavradores anunciam perda na casa dos 70% nas roças de Codó

Lavradores de diversas regiões da zona rural de Codó reunidos, ontem, 19, numa assembleia geral convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Codó – STTR – revelaram algo bem preocupante.

Lavradores reunidos em 19.04.2015
Lavradores reunidos em 19.04.2015

Apesar das chuvas, haverá perda, sobretudo da safra de arroz, na casa dos 70%.

Os lavradores explicaram que  a chuva veio no mês errado e o plantio não resistiu ao ‘veranico’ (pequenas estiagens entre uma chuva e outra).

“Em referente ao arroz ele precisa de muita chuva, ou seja, no mês de janeiro, fevereiro e quando a chuva chegou já foi tarde. A chuva chovia e passava 10, quinze dias sem chover aí era perda total do plantio de arroz. Eu  tenho andado muito na região, acho que 70% a 80% , se não chover, se o inverno não permanecer, 80% a 90% talvez já foi, região aqui da Santa Joana, quem vai na estrada de Cajazeiras”, explicou um agricultor

REGIÃO DA MIRINDIBA

Da região da Mirindiba registramos depoimentos também alarmantes.

“Mirindiba, Vai-quem-quer, essa região. A nossa perda foi em torno de um  70% porque a chuva quando chegou foi no final de fevereiro, então o plantio foi pouco e muitos que plantaram morreram. A gente tem um plantio lá de 30%,  então a nossa perda foi em torno de 70%”, lamentou um lavrador

De outra região, mais relatos de perda.

“Nós quase num tem roça, a gente cuidou cedo, mas o arroz perdeu. A gente precisa de semente, o arroz perdeu, a mandioca segurou”, disse

A PREFEITURA E OS REGISTROS

A Secretaria de Agricultura de Codó ainda não tem levantamento da situação ano 2015, até porque, geralmente, o faz após o período de colheita.

Mas a Defesa Civil Municipal já fez algo do tipo em 2012 e o mesmo relatório foi usado para decretar situação de emergência em 2013. À época, uma equipe visitou 236 povoados, dos 586 que existem na zona rural de Codó.

Constatou-se, inclusive com fotos de açudes secos e gado morto, que 4.577 famílias perderam até 70% de suas lavouras por causa da falta de chuvas ou da pouca presença delas em tempo errado.

Pela soma do governo municipal, naqueles dois anos 20.835 lavradores foram atingidos por este problema – falta de colheita nas roças.

 

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