
A Polícia Federal aprofundou as investigações sobre um suposto esquema de lavagem de capitais que teria como principal beneficiário o senador Weverton Rocha Marques de Souza, do Maranhão.
Com base no cruzamento de dados extraídos do aparelho celular do parlamentar, apreendido em fase anterior da operação sobre desvios de recursos no INSS, e em registros de localização por Estações Rádio Base, os investigadores rastrearam a articulação entre o parlamentar, o advogado Willer Tomaz de Souza, além de outras oito pessoas físicas.
Os dados obtidos junto às antenas de telefonia, que registram a conexão física e geográfica de aparelhos celulares a partir de chamadas e conexões de rede, permitiram à equipe policial realizar o cotejamento de presença e horário entre os investigados.
A técnica de triangulação foi decisiva para comprovar a proximidade física e a realização de reuniões presenciais em momentos-chave da circulação dos recursos.
Essas informações foram alinhadas às provas colhidas na Operação Sem Desconto, que apura um esquema de corrupção passiva e descontos indevidos em benefícios previdenciários no Instituto Nacional do Seguro Social.
DECISÃO DE 33 PÁGINAS DE ANDRÉ MENDONÇA
Em decisão de trinta e três páginas, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu o sigilo da operação sobre o INSS, detalhou a estrutura funcional do grupo e a hipótese criminal formulada pela autoridade policial.
Segundo o documento, cabia a Weverton Rocha a formulação de demandas, a indicação de beneficiários, a cobrança de repasses, a interferência em decisões patrimoniais e a articulação política no âmbito do INSS.
Por sua vez, Willer Tomaz de Souza é apontado por MENDONÇA como a figura de sustentação logística e financeira, exercendo controle sobre empresas, imóveis, aeronaves, pilotos e operadores.
De acordo com o relatório da Polícia Federal citado na decisão, a estrutura vinculada ao advogado e ao seu escritório funcionava como um verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico, colocado à disposição dos beneficiários para a ocultação de bens e a lavagem de ativos.
Embora não tenha sido alvo de novos mandados de busca na fase mais recente da operação,os de hoje, 04/08/26, o senador permanece no centro do inquérito.
Os investigadores concentram agora os trabalhos no aprofundamento do material telemático restante e na análise das quebras de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos.

