Pular para o conteúdo
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Notícias

O BRASIL VIVE UMA DITADURA COMUNISTA?

O BRASIL VIVE UMA DITADURA COMUNISTA?

Professor Jacinto Junior

Essa questão tem sido abordada pelo campo conservador de forma insistente, nos últimos tempo – especificamente, a partir do ano de 2022, com a ascensão ao poder novamente, de um partido de centro esquerda ou esquerda moderada – também classificada de socialdemocracia. Porém, cumpri-nos a tarefa de refletir sobre essa velha categoria com a finalidade em esclarecer o seu uso estratégico pelas forças conservadoras na atualidade.

Não pretendo entrar nos elementos históricos para explanar sobre objeto em questão, pois demandaria uma ampliada argumentação e, portanto, uma abordagem mais densa e, como nosso povo não está acostumado a ler texto mais extensos, farei apenas uma nota introdutória sem a profundidade requer para o devido esclarecimento; contudo, não deixarei de mencionar o estratagema tático indispensável para sintetizar o discurso propalado pelas forças políticas conservadoras em relação à categoria ditadura.

A ideia que se tem sobre esse regime é de que na sua forma de agir se baseia na violência, na manipulação, na acusação falsificada com o propósito de sufocar as liberdades do homem ao estabelecer um posicionamento crítico à estrutura de poder arbitrário.

Bom, precisamos antes de quaisquer coisas, nos situar sobre o seu uso indevido e contraditório, como é o caso em que estamos vivenciando. Vou trazer à baila o discurso do principal político do conservadorismo nacional que, estrategicamente, tem se utilizado desse método – isto é, de acusar, formalmente, que o Brasil vive uma “ditadura comunista” – manietado pela mentira, desinformação e manipulação. E por que ele está fazendo esse jogo de palavras? Pelo fato de ter sido condenado pela justiça por cometer diversos crimes.

Os representantes políticos do conservadorismo nacional – extrema direita, centro, direita -, inundam suas redes sociais com palavras de ordem aproximando-se do objeto escolhido como componente fundamental para se implantar a tão alardeada “ditadura comunista” no Brasil, pelo governo do PT. E, assim, acusam aleatoriamente o campo da esquerda como movimento autoritário – pressupondo que, tal movimento é absolutamente ditatorial -, que persegue os opositores, prendem os cidadãos de bem, renegam a liberdade para o povo; enfim, as pessoas que criticam o governo são, efetivamente, acusadas de ‘inimigos do regime’ e, como consequência, são silenciadas e presas.

Ao olhar para esse cenário, evidencia-se uma inclinação para a mesmice política de outrora. Vamos pegar os pontos cruciais desses discursos metanarrativas infundados. Por exemplo, a frase sentenciada pelo ex-presidente no ano de 2022, em Orlando (EUA), numa Igreja Evangélica de Lagoinha, tascou a seguinte abobrinha: “Podemos até viver sem oxigênio, mas jamais sem liberdade”… primeiro ponto é esclarecer que, se há algum movimento contra a liberdade do povo, tem como origem, seu próprio governo, afinal, ele à época, era o dirigente máximo do país; estava no poder e porque falar de ausência de liberdade? segundo, quem, estava planejando suprimir a liberdade do povo brasileiro? Será que o mito se referia ao STF?

Existem outras falas do mito sobre a questão da democracia, da liberdade e da ditadura que se opõem ao discurso que ele hoje argumenta. Por exemplo, sobre a questão direitos humanos, apresentarei dois momentos em que ele critica essa política pública: “[…] Direitos humanos: esterco da vagabundagem […]”, tal inscrição numa camisa, fazia referência à questão das reparações das vítimas do regime militar de 1964; e  “[…] Se um dia, tiver poderes para tal, não vai ter um centavo pra ONG, um centavo pra qualquer órgão relacionado aos direitos humanos […]”, essa fala foi declarada num debate na Comissão da Câmara Federal sobre Direitos e minorias. E para encerrar esse ciclo virtuoso de um homem público apegado a uma cultura esplendorosa antidireitos humanos, ele cravou essa no dia do Impeachment da presidente Dilma Rousseff, numa clara alusão à ditadura: “[…] Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff voto sim […]”.

Avaliando todos os discursos do condenado Bolsonaro, certificamo-nos de que quem pregava a ditadura era ele, quem idolatra torturadores é ele, quem adota discurso inflamado em favor da ditadura é ele, e não o governo atual. Desesperado por ser condenado e, que será conduzido à papuda, agora, apela para direitos humanos, lembrou da ONG, e clama por justiça, sendo injusto!

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

3 comentários

  1. Nossos alunos precisam ser ensinados o que é ditadura em um ambiente escolar.
    Ele traz de casa os conceitos aprendidos do pai (o racismo, discriminação, alienação, machismo, etc), uma vez que a família é uma micro unidade da sociedade, trazendo consigo suas qualidades e DEFEITOS.

  2. Nossos alunos precisam ser ensinados o que é ditadura em um ambiente escolar.
    Ele traz de casa os conceitos aprendidos do pai (o racismo, discriminação, alienação, machismo, etc), uma vez que a família é uma micro unidade da sociedade, trazendo consigo suas qualidades e DEFEITOS.

  3. Caro Historiador Antonio Carlos!

    A vossa intervenção é válida. O caso em epígrafe carece ser apresentado como um processo natural na disciplina de História, afinal, esse tenebroso período que teve uma duração de duas décadas em nossa nação deixou um legado extremamente negativo e, a partir dele, construirmos uma nova forma de exaltar não a ditadura, e, sim, a democracia, a liberdade e as garantias fundamentais inerentes ao homem enquanto sujeito histórico. debater essa temática certamente proporcionará uma nova percepção aos estudantes para que esse evento nunca mais ocorra como norma e se naturalize como relação social aplicável. Saudações pedagógicas!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *