Ônibus de Codó que matou 15 pessoas em acidente no Estado de Goiás tinha linha pirata

MOTORISTA PRESO

Correio Braziliense

O motorista suspeito de ter causado o acidente entre os dois ônibus que colidiram de frente na tarde de sábado foi preso em flagrante em Estrela do Norte (GO). Francisco Ferreira Ribeiro, 27 anos, dirigia o ônibus que saiu de Codó (MA) e seguia para São Paulo (SP). Ele responderá por homicídio doloso.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), ao tentar uma ultrapassagem, o ônibus colidiu de frente com outro que seguia de Brasília a Minaçu (GO). Quatorze pessoas morreram no local e uma no Hospital Municipal de Porangatu (GO). Nove seguem internadas em estado grave em um hospital de Goiânia. Ao todo, 42 pessoas estavam no veículo que saiu do Maranhão e 40 no que saiu de Brasília.

ÔNIBUS CODOENSE TINHA LINHA PIRATA

A Polícia Civil de Goiás indiciou o motorista Francisco Ferreira Ribeiro, 27 anos, por homicídio doloso e lesão corporal grave. Ele dirigia o ônibus da empresa J. da Silva Turismo, que fazia uma viagem clandestina. O veículo com 42 passageiros saiu de Codó (MA) com destino a São Gotardo (MG). Na BR-153, perto do trevo de Estrela do Norte (GO), Francisco invadiu a pista contrária e atingiu outro ônibus, do Grupo Amaral, com 40 turistas que seguiam de Brasília para Minaçu (GO). O acidente, ocorrido na tarde de sábado, deixou 15 mortos, quatro deles moradores do Distrito Federal e do Entorno. Pelo menos outras 60 pessoas ficaram feridas. Dessas, quatro permanecem internadas em estado grave.

O delegado de Estrela do Norte, André Campos de Medeiros, está convencido de que Francisco assumiu o risco de matar ou ferir os passageiros. “Testemunhas afirmaram que ele dirigia em alta velocidade e fazia ultrapassagem arriscada, apesar da forte chuva”, relatou Medeiros. Além disso, os peritos encontraram uma série de irregularidades no veículo dirigido por Francisco.

TACÓGRAFO COM DEFEITO
O tacógrafo do carro estava sem o disco que registra a velocidade desenvolvida durante o percurso. Sem ele, os fiscais não têm como saber a quantos quilômetros por hora o veículo estava no momento da colisão. Além disso, nenhum dos assentos era equipado com cinto de segurança. Passageiros relataram que o motorista trafegava em alta velocidade e fazia ultrapassagens perigosas. Documentos apreendidos pela polícia revelariam a venda de bilhetes ao longo do percurso a preços bem inferiores ao de mercado. Testemunhas disseram ter pagado R$ 170 pela passagem, quando o preço médio gira em torno de R$ 300.

A empresa proprietária do veículo possui permissão da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) para fazer fretamento de passageiros. Ou seja, os gestores devem fechar um pacote turístico com um grupo e levar ao destino, sem paradas para novos embarques e desembarques. A J. Silva Turismo não possui habilitação para oferecer esse serviço, segundo a polícia, e por isso estaria operando de maneira irregular.

Fonte: Correio Braziliense

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