Pesquisa inédita da Plan mostra como vivem as MENINAS de Codó

A pesquisa apresentada em evento, na semana passada, foi realizada pela Ong Plan e ouviu 162 meninas de Codó, com idade entre 06 e 14 anos.

  • 72,5% se autodeclararam negras;
  • Quase cem por cento (98,1%) vivem em lares auxiliados pela renda do Bolsa Família;
  • A maioria faz atividades domésticas: Limpa a casa (63,8%), lava roupas, faz compras e até cuida os irmãos mais novos (33,8%).

Para o gerente interino da Ong no município, Matheus Lotufo, isso é preocupante porque, geralmente, as atividades acabam atingindo outra área do desenvolvimento dessas meninas.

“Muitas garotas que estão envolvidas em trabalho doméstico, que deixam de ir pra escola para trabalhar muitas vezes na lavoura, na pecuária para virarem empregadas domésticas, negando o direito daquelas meninas à educação”, disse

A pesquisa também avaliou o nível de acesso delas à internet, que aliás é baixo ( só 26,7% aqui na cidade),  e questões de gênero. Por exemplo, o que elas acham de questões comportamentais históricas como menina que joga bola, menina que brinca com meninos. O resultado de todas estas questões já tem finalidade definida.

A FINALIDADE

Será fundamentar mais ações do POR SER MENINA, explica uma das coordenadoras da pesquisa. Desde outubro de 2012, o projeto já trabalha o resgate deste público atacando suas vulnerabilidades na região, como nos explicou a promotora comunitária Sílvia Santos.

“Nós sensibilizamos essas meninas através de oficinas e essas oficinas elas dão a importância da informação que elas estão recebendo, tanto na escola e nas nossas oficinas com um educador social que nós temos”, disse

UM BELO EXEMPLO

Isabele Sousa, de 14 anos, é um exemplo do que o projeto é capaz de produzir na prática. Em pouco tempo, passou da mais tímida da escola à uma ativista comprometida com a causa das meninas. Hoje uma multiplicadora de conhecimentos.

“Aquele olhar de tristeza, aquele ar de solidão, eu acabo perguntando as vezes que que acontece, falo das experiências que eu tenho na Plan, acabo dizendo que me passam, que elas têm os direitos delas, que devem lutar, que elas devem estudar”, frisou

Depois da pesquisa a Ong quer prorrogar o tempo do projeto que terminaria ano que vem e sensibilizar o Poder Público.

“Com o resultado da pesquisa em Codó  a gente, com certeza, tendo esse resultado, a gente vai procurar doadores, mais ainda, recursos pra gente dá continuidade até 2020 quem sabe’, revelou Sílvia Santos

 No que foi complementada por Matheus Lotufo.

“Para que os governos, a sociedade civil entenda a realidade dessas meninas, entenda aquelas informações e comecem a pensar em políticas públicas que possam melhorar essa realidade, comecem a pensar em ações que possam trabalhar para que essas meninas tenham direitos atendidos”, concluiu

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