Ao canto certeiro da cigarra a tarde cai
Vai-se lentamente como vão-se os homens
Um a um.Na contramão da multidão, a senhora ladeia a criança pelas beiradas da rua como a noite que espreita o dia.
Despercebida, maltrapilha
Às margens das molduras que moldam os homens
Passos trocados rumo a lugar nenhum
Até onde?
Até quando?
A noite não demora a chegar
Trazendo consigo a negra realidade desde chão
Ora encoberta pela luz.
A multidão delirante sob as luzes da cidade segue em frente indiferente aos invisíveis, aos que vagueiam nas beiradas das ruas.
Homo sapiens
Homem sábio
És tú?
Certamente, mais tarde, como a tarde que já não é mais
Não haverá mais sombras de ti
Serás então invisível
Não nas beiradas da rua,
Mas nas beiradas infinitas do tempo.
Prof . Walterli Lima
Uma Resposta
Meu grande Valterli Lima (alcunha “Chefe”) depois de ser tantas coisa na vidas finalmente você de um grande poeta. Claro que minha tirada é uma brincadeira, menos quando disse que você deu um um grande poeta. pelo pseudônimo você não me conhece mas com o você, também sou professor e seu amigo. Parabéns pelo poema erudito, lindo, maravilhoso. Não é “rasgação-de-seda” porque você não precisa disso. Mais uma vez parabéns pelo belo poema. Sou de Codó.