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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Por Carlos Magno – CONSCIÊNCIA COLETIVA

Um dos aspectos mais interessantes dessa época de ubiquidade informacional que experimentamos nos dias atuais, especialmente através dos meios de comunicação e do ciberespaço, é a capacidade extraordinária que adquirimos recentemente de agir e reagir de forma coletiva a acontecimentos ao nosso redor (sociedade), com extrema agilidade e relativa autonomia. Tomamos conhecimento de uma forma rápida pelos meios de comunicação dos atos, passeatas e protestos pelo pais afora, que nos faz refletir sobre como todos nós nos conscientizamos do que realmente se passa nas diversas regiões deste país. Uma reação coletiva poucas vezes vista.

Escritor e notário  Carlos Magno
Escritor e notário Carlos Magno

Antes, porém, vou fazer um pequeno comentário sobre o que aprendi nas aulas de ciência no antigo ensino secundário e ainda, – quando ensinavam, – no ensino médio, onde muitos estudaram e aprenderam. Repetindo: a forma de agir e reagir de forma coletiva tem tudo a ver com a vida animal (biologia). Essa é – lembremo-nos – uma característica marcante dos organismos vivos, pois eles são formados por sistemas informacionais internos extremamente sensíveis e desenvolvidos, que lhes comunicam em tempo real sobre tudo que acontece neles mesmos e no seu entorno, ou seja, no próprio sistema corpóreo e também no acoplamento desse sistema com o ambiente (também um sistema) que o contêm, já que a sua existência e permanência dependem em tudo do bom funcionamento de ambos os sistemas (corpóreo e ambiental).

Faço outra observação: como já devem ter notado, gosto muito de ler e pesquisar sobre qualquer assunto. É um hábito adquirido desde a tenra infância e cultivo sempre, pois me dá prazer.  E ciência com história, eram as matérias que mais apreciava. Por isso sempre procuro me atualizar, pesquisando. E o que vou lembrar do livro de ciências, em seguida, tem muito a ver com os últimos acontecimentos em relação a reação coletiva das massas.

Voltando aos organismos vivos, – e faço aqui um pedido aos leitores que tenham paciência para ler, pois é um assunto que, para quem não gosta, entediante, mas serve para aumentar o conhecimento, o que aliás, disse certa vez um escritor renomado que “o único patrimônio que não nos é tirado é o conhecimento” – um evento em qualquer parte do corpo de uma pessoa, claro, que seja considerado cognitivamente relevante, o hipotético caminhar de um inseto sobre a pele dessa mesma pessoa, por exemplo, já que a mente trabalha com sobreposições contínuas e hiperaceleradas de hipóteses, é imediatamente reportado ao cérebro em tempo real por seu sistema nervoso, para que o primeiro avalie o caso num átimo (um momento excessivamente rápido) e possa ordenar novamente, por meio do último, uma ação qualquer que vise, no mínimo, identificar o ocorrido, avaliar a sua gravidade e verificar possíveis consequências. A ordem intencional que é inicialmente deliberada no cérebro e que se torna motora, ou seja, o simples ato de virar a cabeça e olhar para o que pretensamente seria um inseto sobre a pele, já é – tenhamos isso bem claro – uma reação em cadeia hipercomplexa que só é possível devido a essa forma de ubiquidade (estar presente ao mesmo tempo em todos os lugares) informacional extraordinária, que habitualmente se experimenta com o fenômeno da consciência. É graças a essa consciência em muitos sentidos, extraordinária, irrigada constante e ininterruptamente com torrentes informacionais e relâmpagos sinápticos (algo que cria um novo caminho ou alternativa em sua vida ou de outrem, bom ou ruim), que essa pessoa poderá reagir ao acontecido, interagindo com o seu meio, na maioria das vezes no enfrentamento das infindáveis intempéries que o cotidiano lhe impõe. Essa simples informação (simples, diante das infindáveis informações que nos chegam pelos sentidos o tempo todo, do interior do corpo e do exterior dele) que chegou ao cérebro, essa ocorrência que se origina na superfície da pele, pode muito bem, hipoteticamente, ser apenas uma formiguinha, ou talvez um minúsculo besourinho, inofensivo e colorido, que alçará voo antes mesmo que se possa fazer algo a respeito. Mas, por outro lado, pode ser também que tal ocorrência seja de fato muito relevante – e, nessas situações, antes de se averiguar, têm-se apenas equiprobabilidades -, e que ela (ocorrência) ou suas consequências levem a pessoa em questão a saber que tem sob a pele de fato um inseto peçonhento, desses venenosos que picam ou ferroam, e que além da dor podem levar a complicações de saúde mais graves, e, de acordo com isso, consciente disso, poder tomar providências, sejam elas quais forem. Longe de querer diabolizar os insetos, pelo contrário, já que reconhecemos seu importantíssimo papel nos biomas terrestres e nas cadeias tróficas (cadeia alimentar –  Ref. Info Escola) da natureza de uma maneira muito ampla, mas um evento relativamente simples como esse, em que se sente apenas uma espécie de cócega na pele, e que não se consegue a priori identificar o que está de fato ocorrendo, pode determinar, no extremo, o ‘destino’ e a própria integridade desse mesmo sistema. E é justamente por isso que os sistemas vivos (organismos) se mostram nesse ponto muitíssimo complexos, e são informados de tudo que se passa com tanta rapidez, pois assim podem reagir também com celeridade, objetivando sempre que possível o reequilíbrio e a homeostase sistêmica (conjunto de elementos dinamicamente interligados entre si, formando uma atividade para atingir um objetivo, operando sobre dados / energia / matéria para fornecer informação/energia/matéria. Transforma dados (entrada) em informação (saída), e um sistema aberto, especialmente dos seres vivos, de regular o seu ambiente interno – Ref.: Aula da Universidade Mackenzie e Wikipédia), condição fundamental para a integridade e permanência de qualquer sistema vivo. “Enfim, visando em último caso a própria sobrevivência ou no mínimo a segurança, e, numa fração de segundo, toda essa intrincada cadeia de acontecimentos complexos se desenrola com bastante eficiência, ou seja, o sistema estava em estado natural de repouso, de calma, continuidade e tranquilidade com o meio, recebe um sinal, entra muito rápido em estado de alerta e atenção, incalculáveis processos lógicos e psíquicos são disparados e acionados, mutuamente, sincronicamente, e por fim, numa fração de segundo, depois de “longos” e “intermináveis” nanosegundos, é determinada uma ação específica (Ref. Caderno de Biologia para vestibulandos).”

A referida ação se consuma, o potencial perigo é identificado visualmente, debelado ou afastado, de acordo com a situação, para que o sistema retome ao seu estado habitual de continuidade e equilíbrio, e, no nosso caso, para que o sujeito hipotético que se vê às voltas com insetos na pele possa se livrar dessa potencial ameaça e seguir adiante com sua singular existência, dentro da calma e normalidade em que estava, quando, de repente, “tudo isso” aconteceu. Ou seja, numa só palavra, somos sistemas vivos, sensíveis e inteligentes. E somos assim justamente para isso: para garantir a nossa permanência

É muito interessante perceber que o mesmo está acontecendo com a própria humanidade, principalmente a partir do momento em que ela se iperconecta em nível planetário. Diante dessa enormidade de maneiras de se veicular notícias, informações, dados, imagens, sons, signos, e diante também da expansão massiva das redes informacionais humanas tecnologicamente suportadas (TVs, internet, telefones móveis, tabletes, satélites, redes de fibra óptica, sem fio e demais tecnologias correlatas), tornamo-nos uma espécie de consciência coletiva sensível e inteligente, que age e reage “autonomamente” ao sabor dos conteúdos e valores que circulam em nossas artérias e redes cibernético-informacionais. Sim, porque essa nova forma onisciente de encarar a realidade social global nos está permitindo transformar a própria maneira com que percebemos essa mesma realidade. Se por um lado continuam ou até pioraram os entraves ao direito de ir e vir das pessoas entre países, por exemplo – seja por limitações políticas, econômicas ou culturais -, com a cibernética e a cibercultura, abre-se diante do sujeito uma imensidão de possibilidades de ação e interação, um extraordinário universo potencial e latente de oportunidades, gerando um contexto neoparadigmático (um novo paradigma) no qual a localização geográfica do usuário não é mais um entrave tão determinante ou limitador, e onde há também uma certa independência cognitiva individual, ou seja, uma total ou quase total liberdade de exploração, expressão e ação, já que cada um faz na rede o que quer, na ora que quer e, salvo raras exceções, como quer. Quem deseja pesquisar, pesquisa; quem precisa se comunicar se comunica; que anseia por se informar, se informa e quem deseja se articular também pode fazê-lo, e assim é a cibercultura.

A própria PRIMAVERA ARÁBE se mostra um exemplo emblemático desse tipo de reconfiguração da realidade que se constitui a partir das mídias e redes sociais virtuais, para em seguida ganharem o mundo num mesmo plano geográfico e espaço-temporal, e efetivamente mudar a realidade. As insatisfações provavelmente já estavam lá, e em grande medida ainda estão, mas foi a grande rede internacional de computadores que possibilitou a articulação estratégico-politica necessária para que houvesse a transformação por meio da coesão popular. O mesmo vale para as ondas de manifestações que varrem o Brasil de ponta a ponta, e que ainda pipocam aqui e ali, em mobilizações menores e pontuais, como o rolezinho, por exemplo. Essas mobilizações épicas foram articuladas por meio da internet, mas, rizomaticamente (Filosoficamente e politicamente falando, o modelo rizomático presta-se para mostrar que a estrutura convencional das disciplinas epistemológicas não reflete simplesmente a estrutura da natureza, mas sim que é um resultado da distribuição de poder e autoridade no corpo social. Não se trata da apresentação de um modelo que represente melhor a realidade, mas sim da noção, oriunda do anti-fundacionalismo, de que os modelos são ferramentas pragmáticas, e não ontológicas. A organização rizomática do conhecimento é um método para resistir a um modelo hierárquico que reflete, na epistemologia, uma estrutura social opressiva – Ref. Dicionário Informal e Wikipédia), ganharam as ruas, estradas e avenidas de todo o país. Mobilizações que começaram no universo do virtual, mas explodiram no real com tanta intensidade e força que foram capazes de alterar a própria estruturação sistêmica que os continha, ou seja, a sociedade e a socioambiência. O que era para ser apenas um protesto localizado contra mais um aumento da passagem em São Paulo acabou se transformando no evento sociopolítico mais relevante das últimas décadas para o nosso país, o que desejamos frisar é que essa ubiquidade informacional que funciona como extensão de nós mesmos e de nossas percepções também desempenha funções muito significativas e importantes sistemicamente, semelhantes às que os sistemas nervosos desempenham para o cérebro e a consciência, ou seja, toda essa onisciência e sensibilidade nos leva a uma condição de coesão e consciência global extraordinária, de fato muito semelhante à consciência singular no plano individual.

O tema, acho eu, é bastante complexo, mas tentei dar mais ou menos uma dimensão, no sentido de compreender o que nos move coletivamente, a razão, a paixão, o fanatismo por ideologias ou mesmo simplesmente, como razão pura e simples de sobrevivência, ao imaginar uma ameaça a nossa paz, a nossa segurança e ao nosso modo de vida brasileiro.

Espero mais aceitação que discordância e qualquer comentário será benvindo para ilustrar este artigo e até para nos ensinar.

Carlos Magno da Veiga Goncalves – notário

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

2 comentários

  1. Isso é muito interessante.
    Eu sou muito otimista quanto à forma em que os avanços tecnológicos podem ser uma arma contra governos danosos.
    Outro exemplo que acho interessante foi o que ocorreu na Romênia comunista na década de 80. Algumas pessoas importavam clandestinamente fitas em VHS de filmes ocidentais. Eles dublavam esses filmes de forma totalmente amadora e depois os exibiam a pequenos grupos de pessoas em salas clandestinas. Aos poucos os romenos descobriram o padrão de vida no mundo Ocidental e o quanto eles viviam em um regime de miséria. O VHS ajudou a libertar uma nação inteira.

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