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sábado, 8 de agosto de 2026
Educação

Por Chico Paiva – CARNAVAL QUE ACABA

O carnaval é aquele período que o homem pode ser “boneca” e tudo mundo acha cômico; mulher se veste de homem, pinta bigode e é reverenciada, mas no restante do ano a sociedade brasileira reprova a homossexualidade com os argumentos os mais absurdos.

A tolerância, o respeito e a admiração ao diverso é uma espécie de encenação de uma sociedade que se olha democrática, mesmo tendo experimentado uma das mais longas ditaduras da América Latina. Uma sociedade que julga-se tolerante mesmo tendo dezenas de milhares de mortes por arma fogo todos os anos, mesmo com milhares de mulheres e homossexuais agredidos (as) e assassinados (as) todos os anos (misoginia e homofobia); uma sociedade que se julga livre de preconceito mesmo com os mais incríveis casos de racismo e discriminação registrados diariamente.

Dizem também que o carnaval é aquele período do ano que todos os brasileiros são iguais, porque sai de cena o médico, professor, juiz, advogado, motorista, vendedor e todos se transformam em foliões. Acho essa explicação um tanto romantizada e acredito que essa igualdade não existe. Veja, por exemplo: qual a função do abadá e do camarote?

O abadá é uma forma de mostrar quem são os incluídos e os excluídos; os de dentro e os de fora, os que podem e os que não podem, os “milhos” e as “pipocas”, a elite dos escolhidos uniformizados e os sem casacas.

Já o camarote serve para separar os de cima e os de baixo; os que vão, mas não se misturam; manter a hierarquia social que o carnaval simula desconstruir, é uma versão do sabe com quem você está falando?

Uma característica marcante do carnaval codoense é que ele passou de “caos programado” para um “caos controlado”. Afinal, o folião tem mais segurança que qualquer cidadão. Nesse aspecto é melhor ser cidadão-folião que cidadão-eleitor-contribuinte.

Carnaval que continua

Existe outro carnaval que continua e nesse, pelo menos por enquanto, só os camarotes se agitam; só os uniformizados escolhem que bloco seguir ou quem serão seus seguidores.

Para o carnaval do segundo semestre, muitos foliões estão sendo convencidos/contratados: lideranças comunitárias, políticos fracassados, políticos com potencial e peso dentre outros, estão sendo persuadidos com muitas ideias “reais” para seguir esse ou aquele bloco.

Enquanto a ressaca do primeiro carnaval acaba na quarta-feira a do carnaval do segundo semestre dura quatro anos. Dependendo do bloco campeão esse mal estar pode ser elevado a doses altíssimas. E, é bom que o bloco vencedor não resolva fazer “um carnaval” com os interesses públicos.

O carnaval da política usa o carnaval da farsa como palco de suas pretensões. Não são poucos os que querem parecer populares, acessíveis, simpáticos, atenciosos etc. Nosso carnaval então é campeão nessas aparições: “quatro letras”, “soluções”, os edis, os neófitos, dentre outros.

Nesse carnaval “partido” é bom o folião prestar atenção na letra da marchinha. Ficar atento aos discursos, histórias e as práticas dos foliões líderes.

Por Francisco da Silva Paiva – Técnico em Assuntos Educacionais

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

3 comentários

  1. Uma vez mais, meu caro Chico, com sua habitual dose humoristica, e, ao mesmo tempo, num tom ironico desfila uma critica à ausencia de critica ao fator determinante: a inconsciência do real. Foste muito objetivo ao traçar um paralelo assimetrico entre politica e dominação. Mas o mais interessante dessa argumentação é a tentativa de esclarecer os pontos pululantes entre a realidade e a miseria tripudiada pela elite branca no comando do poder politico. Parabens. Codo merece reflexões dessa natureza e dessa grandeza teorica.

  2. Por que vc encara como misoginia e homofobia o assassinato de mulheres e gays, sendo que no Brasil ocorrem 60 mil assassinatos por ano? Esperava o que? Que todos estes assassinatos fossem apenas de homens héteros?

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