Por Jacinto Junior – A cordialidade nem sempre cordial

Estive in loco na abertura das atividades dos parlamentares, na Casa do Povo (04/08/2014), após um recesso de 15 dias, não para propriamente assistir aos trabalhos, mas, para conversar com uma persona grata que está participando das eleições como candidato federal: Pedro Belo, pela legenda do PCdoB.

Professor Jacinto Junior
Professor Jacinto Junior

Nosso diálogo previsto para ser iniciado antes da realização da sessão, não foi possível e, por isso, tive que esperar como ouvinte e, ali, sentado, logo percebi o quanto ainda falta muito para quê o parlamento cumpra de fato com sua verdadeira representatividade, enquanto instituição imparcial e legitima.

Tirando-se alguns edis que, de forma evidente possui uma excelente oratória e sabe conduzir os trabalhos e a si mesmo enquanto parlamentar, entretanto, outros, não deveria expressar nenhuma verborragia para não se contradizer politicamente e, assim, cavar sua cova antecipadamente.

Mas, permita-me fazer aqui uma observação sobre o que ouvi ontem por alguns edis quando de suas interveniências conforme preceitua o Regimento da Casa:

  I.        Os edis tiveram uma só opinião: converteram seus discursos em defesa dos candidatos que estão apoiando; seja a nível estadual ou federal, cada um taxativamente alardeou sob o véu da verdade as características primárias de seus principais.

 II.        Entretanto, pude assentir nas entrelinhas de cada frase, palavra, uma aguda ponta de dardo acossado em direção ao oponente, diplomaticamente.

III.        Ouvi discursos efervescentes, carregados de ânimos e vibrátil, caminhando para uma redoma da mais completa e sórdida apelação, mesmo quando o irreal parecia ser o inverso, numa tentativa de afirmação inegável de um trabalho igualmente insuperável.

IV.        Quisera ser uma espécie de borboleta para encantar com o vôo o olhar dos edis e apontar uma perspectiva mais sóbria e serena comparada aos rasantes vôos caracterizados pelos discrepantes e desarmônicos sons produzidos no plenário.

 V.        É bem verdade que, em meio à turbulência inicial num momento preciso ouviu-se uma retórica mais plausível e contundente, marcada pela capacidade de avaliar um fato social. E ouvimos um soneto com uma marca: a da reinvenção. A reinvenção da postura parlamentar, da cultura, da paixão, da verdade e, sobremaneira, à reinvenção da política decente.

Talvez, por essa ausência inventiva, o caminho ainda é duramente penoso para quem deseja materializar o sonho de um dia ser representante em sua comunidade sob a égide lapidar de uma campanha limpa e transparente.

VI.        O tom dos discursos bravios de cada edil deixou transparecer sua atitude, sua moral e seu desejo particular de querer conquistar e arrebanhar o maior número possível de adeptos, simpatizantes para si e para os seus representados.

VII.        Ora, as candidaturas apresentadas pelos edis são, em essência, a maioria “caseiras”, são nossos velhos conhecidos, não há nenhuma coisa estranha nisso – com raras exceções, uma ou outra pertencente a outro município, mas, isso, é um direito que lhe assiste, legalmente.

Isso, não é o fator determinante, mas, o mais importante é o eleitor que detém o poder em suas mãos para promover a reinvenção política que tanto anela e quer. No jogo político, existem as armadilhas e você as conhece; portanto, só comunga da manipulação se quiser! Manter-se afastado das manipulações é o melhor caminho que você eleitor deve tomar para poder reivindicar uma sociedade mais justa, solidária, mais democrática e muito melhor!

VIII.        Por fim, notei nas pequenas partituras das médias frases proferidas uma dose de cordialidade nem sempre cordial. Mas essa tem sido ultimamente a cultura valorada no campo político pós-moderno. Revestida pela ambição individual e visceralmente degustada pelo egoísmo desmedido. É uma luta sangrenta e extremamente covarde. Não, não concordo com esse tipo de reinvenção.

O vale-tudo ficou para os pequenos, os medíocres e sórdidos coletores de migalhas restolhadas políticas. Esse conceito deforma e fere de morte a concepção genuína da política ética. Que nossa cidade seja inevitavelmente motivo de permanente prazer por ser coerente e, acima de tudo, capaz de fazer sua opção por uma candidatura verdadeiramente comprometida com o progresso, o desenvolvimento e a produtividade.

O crescimento só pode ter sentido quando efetivamente há um movimento amplo e concreto nessa direção, nessa busca incessante desse sonho intenso. Somos movidos por uma aguda paixão e, por ela, somos capazes de superar abismos profundos acreditando que é possível sim, outra cidade, com homens signatários de novos ‘quereres’, de novos sonhos e de novas ideias.

2 comentários sobre “Por Jacinto Junior – A cordialidade nem sempre cordial”

    1. Obrigado pela deferencia, caro colega. Estamos na luta, sempre! Aliás, nosso espírito de luta nunca eterneceu e, por isso, permaneço acreditando no possível, assim como você. Saudações!

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