Por Jacinto Junior – A despeito da Alfabetização em Codó: Uma nota introdutória

A educação tem sido ao longo da nossa história objeto de crítica e discussão entre governo, sociedade civil, organizações sociais de diversos matizes, inclusive, sindicais, na perspectiva de construir um projeto educacional profundamente transformador e democrático para o país. Tal crítica e discussão, contudo, permanece na esteira da superficialidade; quando muito, na obscura lógica teórica e nada mais.

Professor Jacinto Junior
Professor Jacinto Junior

O governo federal, por sua vez, estimula e incentiva sua equipe a elaborar programas alternativos com a finalidade de promover a redução considerável dos perversos e históricos indicadores educacionais que transitam a nossa nação; ao mesmo tempo, propõe alianças e estabelece regime de colaboração entre os entes federados no afã de eliminar tais indicadores vergonhosos. Nesse processo, o principio da autonomia é preservado e, por conseguinte, o ente local tem total e plena liberdade para executar as políticas públicas educacionais elencadas pelo governo federal. Portanto, a relação trina – Município, Estado e União -, podem e devem caminhar juntas visando consolidar o ethos do desenvolvimento local, regional e nacional da educação. O passo indispensável a ser dado, deve apontar para a transparência, pois, o que é público tem de se tornar visível para o povo. Em um Estado laico e democrático essa concepção e essa cultura precisa se transformar em rotina, em algo corriqueiro.

Pensar uma reestruturação educacional em nível local, a gestão precisa coletar dados e, em seguida, tabulá-los, na esperança de que, com todas as informações diagnosticadas no campo educacional, seja possível a inserção de uma nova prática pedagógica, uma nova cultura e de um novo modo de fazer educação em sala de aula.
Após uma ínfima incursão na relação dos três poderes constituídos e suas respectivas atribuições passo, agora, ao pano de fundo daquilo proposto: a alfabetização como problematização no nosso município.
A priori, não pretendo instituir uma guerra ao governo local e, nem tampouco, gerar conflito com a SEMED. Ao contrário, desejo contribuir para o avanço da melhoria e qualidade social de nossa educação. E, pensando nessa possibilidade apresento o seguinte texto.
PRESSUPOSTOS TEÓRICOS
Ao elaborar este texto, o fiz após ler um livreto escrito pela Profª. Drª. Esther Pillar Grossi, contendo 23 páginas e o Título è: “nenhum a menos alfabetização 100% GEEMPA.
O livreto cor de laranja traz em sua abertura uma Carta endereçada à 13ª reunião do GT das capitais e grandes cidades. Nela, a autora enaltece o trabalho de alguns ícones na questão da aprendizagem cognitiva tais como Jean Piaget, L. S. Vygotsky, Henri Wallon, Emília Ferreiro, Paulo Freire, Sara Pain e Gérard Vergnaud. Nele a autora enfatiza com muita firmeza que é possível sim, alfabetizar o sujeito com seis anos de idade. Demonstra cientificamente o caminho árduo na expectativa de alinhar elementos associados à psicogênese construindo pontes para alicerçar o processo alfabetizador denominado pós-construtivismo, desenvolvido e aplicado com um período surpreendente de alfabetização: de três a cinco meses. Semelhantemente, conheço somente o Método Paulo Freire que, radicalmente alfabetiza o sujeito em 45 dias.
Adentrar ao mundo da alfabetização como é esboçado pela Profª. Drª Esther Pillar Grossi nos alivia profundamente e nos enleva, pois, sua argumentação é fruto de um longo processo de pesquisa e reflexão dialética. A autora desmistifica por seu turno, os instrumentos negadores da alfabetização das crianças de baixa renda, aponta os entraves e recoloca na ordem do dia, o ponto fundamental da cultura pós-construtivista: alinhar o conceito de práxis pedagógica conforme o nível de aprendizagem de cada criança, respeitando sua capacidade intelectual de absorção dos recursos e métodos apresentados (não de forma tradicional e mecanicista).
O livreto apresenta um método de ensino inovador e altamente revolucionário. Cabe aqui, distinguir um duplo sentido da prática do método pós-construtivismo: 1. Tal método não exige a reprodução do modelo tradicional de alfabetizar; 2. Ele se renova e apresenta novas formas e estruturas na relação ensino e aprendizagem. Portanto, toda sua tecnologia empregada tem como foco principal a apropriação do saber pelo aluno.
Um ponto interessante descrito pela Profª. Drª. Esther Pillar Grossi é o seguinte: “Este programa tem por objetivo ensinar a ler e escrever a alunos que não o fizeram na idade certa”. A própria nomenclatura designa e configura o papel a ser desempenhado pelo MEC/GEEMPA: recuperar e/ou resgatar o aluno/a que se encontra defasado/a em relação ano-idade e, ao mesmo tempo, revigorar a autoestima destes/as que se encontram completamente estilhaçada. Mediante essa assertiva a preocupação se volta para o aspecto da valorização do aluno/a e, ainda mais, a sua reintegração social podemos assim dizer.
Ao introduzir o elemento distorção ano-idade, nota-se claramente a evidencia de que se deseja uma nova cara para a educação popular. Visto que, a relação social existente e que vigora em nossa sociedade sobre as condições materiais e concretas das crianças que são atendidas pelo poder público e aquelas que são atendidas pelo sistema privado são completamente distintas; porém, não condiciona o caráter pedagógico ser melhor por parte do setor privado por este fator; contudo, penso que, a responsabilidade de fato, é o educador se comprometer com a metodologia, a estratégia e, paralelamente, envolver o aluno de classe popular na mesma perspectiva que é envolvido o aluno da escola privada. E deste modo será possível a inversão da política educacional do setor público em parceria com o MEC/GEEMPA.
No livreto, a Profª. Drª. Esther Pillar Grossi descreve um fato bastante intrigante. Ela mostra uma experiência de uma criança de dois anos e meio que domina a leitura (município de Camaquâ). Ela relata o método utilizado pela mãe da criança: somente leitura em voz alta para o seu filho. Depois escreveu algumas palavras em cartões e ela percebeu que seu filho era capaz de lê-las. Um detalhe: a criança sabe apenas lê, não sabe escrever e nem identificar as cores por que segundo o construtivista norte-americano Jerome Brunner a criança não fora plenamente ‘provocada’. Literalmente, o sentido aplicado aqui é incentivo e estímulo.
  O livreto é enxuto e sintético, e de um alargamento teórico bastante denso.
A METODOLOGIA DO PÓS-CONSTRUTIVISMO É REAL E POSSÍVEL DE SER IMPLEMENTADA: A EXPERIÊNCIA DE CODÓ.
A cidade de Codó foi contemplada com a Assessoria do Geempa além, é claro, de outros municípios maranhenses.
É impossível falar de alfabetização se não mencionarmos o instituto Geempa como instrumento colaborador na luta pela redução do analfabetismo em Codó. E, diga-se de passagem, deu uma valiosa contribuição para a qualidade social da educação, inclusive, dotando o corpo profissional de tecnologia para enfrentar o processo de alfabetização dos aprendentes de forma inovadora e conseqüente no sistema regular se assim o quiser.
A articulação realizada pelo Geempa na perspectiva de promover um período totalmente inovador se deu ainda, no ano de 2010. A primeira Assessoria ocorreu na Capital, a SEMED enviou um grupo expressivo de professores para a formação. A cidade de Codó recebeu duas Assessorias do Geempa. Para nós, foi um grande privilégio.
A recente experiência realizada por este instituto trouxe uma nova concepção pedagógica – e, sem paralelo -, que desembocou numa proporção ascendente no quesito alfabetização. Na verdade, tornou-se uma extensão do sistema.
O nosso município não pode recusar a continuidade da parceria com o Geempa torna-se um ato impensado. Melhor, tipifica o grau de retrocesso, conservadorismo e a completa despreocupação com o processo educacional e seus respectivos indicadores negativos. É extremamente importante que o município continue com a parceria, pois, só tem a ganhar. Não existe argumento que possa contrapor-se ao processo empregado pelo instituo e, particularmente, quando analisamos com a devida atenção os resultados propostos, constata-se a produtividade e os respectivos objetivos alcançados; associados aí, dois elementos essenciais: a autoestima dos aprendentes e a melhoria do ensino. Se partirmos do pressuposto de que as turmas de 2012 obtiveram 90% de alcance das metas estabelecidas, fica evidenciada a potencialidade do método e sua tecnologia empregada com grande aproveitamento.
O principal instrumento aplicado pelo método pós-construtivista é notável, a saber: a) procura identificar o nível de conhecimento que se encontra o educando, e, então, proceder-se-á uma articulação na perspectiva de colocá-lo num patamar evolutivo de apropriação como é o caso das aulas entrevistas Ps1, Ps2, Silábico, Alfabético e Alfabetizado; b) e, afirmar que ‘todos podem aprender’ igual e subjetivamente.
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
Existe diferença entre uma e outra característica no processo alfabetizante e do letramento? As evidencias são claras e objetivas: o ato de o educando apropriar-se tão-somente das letras e de formar palavras não caracteriza um individuo alfabetizado e leitor. Apenas mecanicamente ele consegue soletrar as silabas ou palavras num determinado texto e contexto. O que de fato vai conotar é a sua capacidade laborativa e interpretativa.
Ou dito de outro modo: o educando ao apropriar-se do ato de ler ele será suficientemente capaz de inferir uma compreensão dialética de sua leitura e de sua composição textual; aí, sim, ele estará apto a ser, de um lado, um sujeito capaz de expressar seus pensamentos com propriedade e densidade, pois, ele consegue estabelecer distinções entre o pensar e o criar e, de outro, é capaz de sincronizar a decodificação, isto é, ele é forçado a caminhar literalmente no interior do significado de cada palavra elaborada e compreendida. No processo de alfabetização e letramento é impossível o educando não apreender o mecanismo fundamental da leitura dinâmica e dialética. Não há espaço para a leitura mecânica que reproduz a falsa impressão de que o alfabetizando e o não letrado seja apenas atores capazes de balbuciarem as letras e silabas; pelo contrário, o letrado dialético é aquele que se compreende no processo e age como sujeito independente aflorando toda sua profundidade intelectual desenvolvida e revirada.
Portanto, há uma clara intenção da Profª Dra. Esther Pillar Grossi em reafirmar sua tese central evocada no livreto: é possível sim, alfabetizar os educandos a partir dos seis anos de idade.

7 comentários sobre “Por Jacinto Junior – A despeito da Alfabetização em Codó: Uma nota introdutória”

  1. Vai procurar o que fazer Jacinto, tu estiveste a frente da secretaria de educação do município e nada fizeste para diminuir o analfabetismo no nosso município. De vez em quando me aparece com esse lenga-lenga, filosofando. Vai pelo menos ajudar tua esposa no escritório dela, lá tem muito serviço com certeza!

  2. Então, Codó é uma cidade com 120.000 mil habitantes e somos dependentes de outras cidades, tais como: caxias, coroatá, Pertoró, que lastima! enquanto cidade como Pinheiro distante de codó 400Km, tem: UEMA- completa, UFMA- Completa, IFMA- Completa, Hospital Materno Infantil, Clínica de Urologia, bombeiro, e nos temos Parque Industrial- Grupo Nassau, FC Olveira, Grupo Figueiredo, um comércio Forte,.., Muito forte, no entanto os nossos deputados só assistem o nosso desespero, tome cuidado para não votar errado novamente,os codoeneses só querem ser respeitados pelo que somos e representamos para Maranhão, e ´para o Brasil. Vamos Lutar!

  3. As pessoas as vezes passam por um cargo importante na conjuntura do município e às vezes só lembram das necessidades da cidade depois que são jogados para escanteio.

    Se é que lembram mesmo, ou deixam essas coisas passarem despercebidas. Queria ver algo concreto, pois de todos que passaram pelas secretarias nunca mostrou nada de concreto.

    A Secretaria Municipal de Educação tem como função:

    Puxar saco do prefeito e seus aliados, lamber as botas dele, fazer cafuné, dar tapinhas nas suas costas, bater palminhas quando o prefeito inaugura obras, fazer fofocas para o prefeito sobre seus desafetos e por aí vai.

    NÃO ADIANTA FICAR COLOCANDO NOTA INTRODUTÓRIA PRA SE REDIMIR.

  4. se o método e seu funcionamento é tão eficaz,como explicar a desistências de tantos profissionais da educação neste programa e a rejeição de tantas escolas a aceitar o mesmo? se pegarmos algumas crianças que consta como alfabetizadas neste sistema,podemos observar que elas continuam iguais ,ignorando o mundo alfabetizado e letrado que mesmo jeito que entraram.E se em Codó tem tantas programas de alfabetização,então existe algo de muito errado.pois todos os anos as mesmos crianças em sua maioria (não todas ) são dadas como alfabetizadas e no ano seguinte passam pelo diagnostico de inicio de ano voltam para o mesmo programa de alfabetização como não alfabetizadas isso acontece repetitivamente.quem estar errados em diagnosticar? o professor dos programas que passam em média de 03 a 06 meses que disse alfabetizados, ou o professor do ensino regular de 101 meses,que devolve o aluno ao programa dizendo que o mesmo não esta alfabetizado ainda. acho que a educação é uma bola de neve.

  5. Quando o Che Guevara de Shopping Center era secretário de Educação, não tinha competência pra gerir a pasta e tampouco autonomia, só recebia o salário e assinava os cheques das contas onde caia o dinheiro da Educação e entregava pro prefeito fazer o que bem quisesse, e o que fizeram foi introduzir uma nota bem grande no fiofó do povinho. Agora me vem o Che com essas baboseiras. Cruz Credo!

  6. Acho uma falta de respeito deste ……. que enganou o povo de Codó durante quatro anos sendo ……….. do prefeito cassado. se calou quando as crianças tinham que sair da escola antes da hora por falta de merenda escolar,desistiu da luta junto ao sindicato abandonando a clase que o elegeu secretário, sim, porque o prefeito cassado só o eceitou para calar a classe. escolas que iniciaram as aulas quase no meio do ano, outras que nem aula tinham, crianças estudando em bares, tudo isso este cara sendo secretário e agora cobra transparência. tenho pena do povo da minha terra que sofre vivenciando estas coisas e aceitam calados. mas o velho ditado diz: “todo povo burro tem o governante que merece”!!!! espero que aprendam um dia

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