
AMBIENTE DA DESOLAÇÃO
O período que delimitou o quadriênio (2018-2022) foi uma marca política indelével no quesito destruição. O nosso país passou a conviver com uma cultura monolítica, circunscrita a uma ideologia profundamente unilateral e terrivelmente cruel. A base dessa ideologia é a reiterada mentira (naquilo que os especialistas decidiram chamar de fake news), alinhada à desinformação. Por princípio, a estratégia dessa ideologia é institucionalizar o caos na ordem para a ordem se manter numa inalterada dominação política de natureza conservadora-liberal. As consequências dessa estratégia ideopolítica em relação à sociedade civil como um todo saltam os olhos: o país estagnado no campo econômico; a tímida geração de emprego e renda; o retorno da fome no mapa do país; a crise endêmica do sistema capitalista querendo usurpar/drenar todo o PIB (já chegando ao patamar de 50,78%, em 2021, conforme estudos demonstrados pela Auditoria Cidadã da Dívida); enfim, as perdas salariais da classe trabalhadora nesses últimos quatro anos de puro casuísmo político em benefícios da “mão invisível” especuladora.
Em sua essência, a clave que predominou nesse governo autocrático foi sua natureza violenta. O ódio foi a principal demanda exercida por esse governante destrambelhado. A difusão dessa ideologia proporcionou de forma substancial os ataques sistemáticos contra a democracia, contra a liberdade, contra o livre-arbítrio; contra as instituições e os poderes constituídos tencionando ainda mais, a amplitude da malograda cegueira intelectual postada na crescente má índole dos sujeitos alienados que alimentam despudoradamente esse ódio como arma fundamental; contrapondo-se a quem se opõe aos seus interesses. Esse campo minado pela ideologia conservadora-liberal insurge como elemento fundante para uma circunstância histórico-material absolutamente incerta na perspectiva da segurança interna de nossa nação.
Podemos citar alguns exemplos de como esse processo político se articulara no meio da mídia social, e uma das fake news mais disseminadas no decurso do pleito eleitoral de 2018, foi a famosa denúncia da “mamadeira de piroca” – tese infundada e que nunca fora explorada em sala de aula no interior do sistema educacional nacional -; a segunda fake news mais divulgada pelo movimento conservador da extrema-direita fora a crítica à “Paulo Freire” (nosso Patrono da Educação Nacional), em que pese sua ausência nos manuais escolares, pois, oficialmente, jamais fora tido como um teórico fundante de nosso sistema; contudo, dada sua intensa divulgação pejorativamente, o mais notável e reconhecido pensador brasiliano recebe gratuitamente uma rejeição por parte da elite intelectual conservadora; além de uma significativa parcela inculta de nossa população que nunca tivera acesso direto às suas revolucionárias, dinâmicas e influentes obras educacionais estudadas não apenas em nosso país, mas, sobretudo, ao redor do mundo; contribuíram para multiplicar a campanha difamatória contra esse exímio pensador no campo da educação nacional. E, para não me estender a outros elementos fakeanos usados por esse movimento conservador da extrema-direita, apenas mais um exemplo: o “Marxismo Cultural” nas Universidades – tese essa difundida pelo impoluto ‘teórico da direita nacional’, ele próprio tomava para si essa definição: Olavo de Carvalho. Sobre essa tese defendida pelo citado pseudopensador da extrema direita nacional, vislumbra em sua visão a “invasão do pensamento de Antonio Gramsci nas universidades brasileiras” e, que, segundo OC, por consequência, cumpre um papel de ‘doutrinar’ os universitários na perspectiva da esquerda; do mesmo modo como ocorre no interior do sistema educacional brasileiro (sic!), conforme denuncia não apenas o Olavo de Carvalho, mas, outros disseminadores da cultura do ódio e das fakes como Rodrigo Constantino, Lobão, Pondé e outros menos conhecidos na constelação do mundo da teoria social e política. O conceito de liberdade no interior de uma universidade se caracteriza pela sua subjetividade. O individuo tem total liberdade para optar por uma teoria. A universidade não pode ser subjugada de forma aleatória e unilateralmente como tem sido nesse período de quatro anos. As universidades são autônomas e independentes para engendrar sua grade curricular e optar por autores que poderão ser estudados em seus respectivos cursos e disciplinas. As disciplinas Sociologia, Filosofia, Antropologia, Economia, etc., são indispensáveis para a formação teórica dos estudantes sobre a concepção de homem e de sociedade que queremos ter no futuro.
O rastro de destruição que vem promovendo essa ideologia conservadora na mente das pessoas menos incultas se manifesta hoje, nas aclamações em frente aos QGs pedindo por “Intervenção Militar” e, agora, sob um novo rótulo: “Intervenção Federal”. Nenhuma das duas teses possui validade jurídica. Primeiro por que um governo não vai dar um golpe em si mesmo; segundo porque é necessário um fator exorbitante para que haja a convocação dos militares para atuar. O Brasil não vive nenhuma crise social e/ou convulsão para justificar a presença dos militares a assumir o poder político. Ao contrário, o país tem uma democracia e as instituições democráticas consolidadas, onde os poderes constitucionais convivem harmonicamente.
O tão esperado “Relatório Oficial do Alto Comando Militar” sobre a segurança das urnas foi determinante para ‘jogar um balde de água fresca’ àqueles que imaginavam que esse Relatório viria recheado de denúncias e, definitivamente, anularia as eleições, e, assim, atenderia ao pedido dos eleitores ‘cegos’, alienados e desnorteados’ para impedir a posse do presidente vitorioso no pleito de 30 de outubro de 2022 e, ao mesmo tempo, garantir a permanência do presidente derrotado no poder central.
A tentativa de recolocar a ditadura militar no centro do debate nacional – através de uma aparente rejeição ao vencedor do último pleito eleitoral com a votação de mais de 60 milhões de votantes -, com a tese da “Intervenção Militar”; não ganha força, pois, o Brasil já experimentou um período obscuro de 1964-1985. Ditadura nunca mais!
Diante desses fatos, o Brasil vive uma profunda decadência moral e ética resultante do discurso conservador-ultraliberal. Existe uma clara intenção dos ideólogos burgueses de “empurrar goela abaixo”, a ideia absurda de que o candidato eleito não pode assumir por ser um “descondenado”. Ledo engano, pois a liturgia jurídica o isentou de quaisquer acusações e/ou algo semelhante e, por conseguinte, readquiriu seus direitos políticos e submeteu seu nome à apreciação popular sendo conduzido novamente ao Palácio da Alvorada. Respeitar a democracia é sinalizar para o amadurecimento político de toda a sociedade.
Infelizmente, a mídia social coordenada pelo “Gabinete do Ódio” permanece divulgando fake news para os cidadãos que defendem a plataforma ideológica da “Intervenção Militar”; como ‘última instância para salvar o Brasil do Comunismo’. Essa tese é, de fato, uma desinformação, apenas boataria para agradar aos menos incautos, e, desse modo, alimentando uma falsa esperança onde as FFAA, ergueria as baionetas declarando um Estado puramente Totalitário!
Basta! Chega de tanta bizarrice! Chega de tanta tolice! Chega de tanta pieguice! Essa onda classificada de “verde-amarelo” como se fosse uma cultura predestinada à defesa de um país democrático e com plena liberdade, manifesta uma faceta originalmente perversa e violenta. Diante dessas aberrantes circunstâncias o Brasil precisa ser antes de tudo, desintoxicado dessa ideologia manietada. Vivemos tempos de desolação social!

