Por Jacinto Júnior – FLÁVIO DINO: À DERIVA E SUBMERGINDO?

A disputa para o Palácio dos Leões tem proporcionado ao candidato da Oposição, Flávio Dino (PCdoB), uma postura incompatível com sua senda de esquerdista. A última noticia publicada no Jornal O Estado do Maranhão, do dia 19/09/2013, à página 2, trazendo como manchete: “Márcio Jerry confirma oposição de Flávio Dino a Lula e à presidente Dilma”, deixou-me preocupado, pois, o último “moicano” político e que simboliza a resistência popular no estado; com capacidade de enfrentamento e, possivelmente, com força política para derrocar a Dinastia Sarney que domina por 45 anos o nosso paupérrimo torrão; começa a tropeçar sem antes iniciar sua caminhada hercúlea.

Prof. Jacinto Junior
Prof. Jacinto Junior

Fiquei por alguns minutos, perplexo ante tal disparate; contudo, recobrei a consciência e reli o conteúdo calmamente para degustar a informação e a tomada de decisão pelo ditoso e terrível ‘comunista’ (aos olhos da burguesia e dos teóricos subalternos e bajuladores). Primeiro é necessário que façamos uma abordagem sob o ponto de vista político numa perspectiva em que a disputa pelo controle do Estado pode e deve sofrer uma alteração radical no contexto histórico endógeno. Aliás, é uma grande e esperada retomada da esperança e da libertação do povo maranhense por intermédio do terrível “comunista” que ameaça concretamente demolir o atual estágio de miséria, atraso e abandono em que o estado se encontra.

Obviamente, a manchete exposta tem uma característica emblemática e possui uma tendência explícita em irradiar uma campanha sub-reptícia e virulenta visando desestabilizar a imagem do opositor que, a princípio, tem uma aceitação popular bastante expressiva conforme últimas pesquisas apontadas. O primeiro ponto a ser analisado é que se trata de um Jornal pertencente à Dinastia Sarney; segundo, uma análise deve conter precipuamente, isenção e imparcialidade; no entanto, as evidências negam esses atributos jornalísticos e o sentido da informação passa a outro campo adverso e recheado de malícia, estultícia e envereda para o prognóstico fatalista. A mentira é o fundamento angular para influenciar o eleitor incauto. Portanto, já há uma estratégia articulada pela Dinastia Sarney para gerar uma campanha difamatória e torpe contra o terrível “comunista” que ameaça destronar a velha estrutura conservadora dinástica.
Preciso esclarecer dois pontos essenciais neste texto e contexto: primeiro reafirmo minha condição de cidadão crítico e, criticamente, apresento meus argumentos para aferir minha posição ante uma dada circunstância e/ou fato. Segundo, examino o contexto do texto informacional para aludir uma crítica positiva apontando para uma reavaliação do candidatável sobre a possibilidade de ruptura com o mais importante político do mundo na atualidade: Lula. Pergunto: vale a pena irromper uma aliança somente por entender que um palanque é importante? E depois, como ficaria as relações históricas entre dois partidos que são fundamentais no processo de transição democrática do sistema em nível nacional? 
   
RESGATANDO A HISTÓRIA
A luta pela redemocratização de nosso país se deu por meio da militância de personas gratas como Marighella, Astrojildo, João Amazonas, Jacob Gorender, Carlos Prestes e sua Coluna, Olga Benário; enfim, Edison Luiz, o estudante fuzilado pela repressão no Rio de Janeiro e que gerou a Marcha dos 100 mil, comandada por Wladimir Palmeira. A derrocada do famigerado entulho autoritário na segunda metade da década de 1980; explode e ressurge as esperanças do povo brasileiro e o PCdoB, desde 1922, vem lutando por um país verdadeiramente justo, fraterno e socialista. Em 1989, com o advento das primeiras eleições livres, o PT e o PCdoB fizeram a mais extraordinária e fantástica campanha de todos os tempos! E o vice de Lula foi Bisol pertencente ao PCdoB. É por esses eventos e fatos históricos que coloco a necessidade do candidatável Flávio Dino, reavaliar sua decisão, caso seja a notícia verdadeira.  
A INFORMAÇÃO: OBJETO DE MANIPULAÇÃO
O Jornal de propriedade da Dinastia Sarney retoca esmeradamente em pontos cruciais do discurso pronunciado por Flávio Dino durante encontro regional do PSB, inclusive, com a presença de seu líder o governador Eduardo Campos. O teor da mensagem elaborado por Ilimar Franco, ganha destaque, em dois pontos que logo abaixo farei menção e os rebaterei com moderada acuidade. Todo cuidado é pouco, quando se trata de informação oriunda da banda da Dinastia Sarney. Na atualidade, Flávio Dino é o submarino rebocador da vitoria popular no estado do Maranhão. Que isto, seja entendido pela massa maranhense!   
A fala contundente, carregada de indignação do líder da Oposição maranhense resvala para uma perspectiva no mínimo, emblemática. Pois, prenunciar a irrupção de uma aliança com quem, de fato, o colocou no cenário regional é extremamente perigoso para quem promove o corte epistemológico dessa aliança bem sucedida (talvez, taticamente, ele precise de um palanque eleitoral e, por isso mesmo, já deseja ampliar seu arco de aliança e, nela, inclui-se o PSB) e, nesse espectro, considero que o principal elemento não é o nome do presidenciável como o centro irradiador e polarizador de votos ao candidato local; mas, sim, o próprio candidato com autoridade moral para transferir voto ao presidencial. A lógica não pode ser invertida, até porque o nome do presidenciável ainda é desconhecido do povo brasileiro. Consideremos, a priori, que o lulismo é um fator predominante no país inteiro inclusive no Maranhão. Tal atitude só prejudicará a candidatura de Flávio Dino.

Flávio Dino
Flávio Dino
Os seus assessores podem incorrer em equívocos e reproduzir novamente o sabor desagradável da derrota da oposição para um candidato completamente desconhecido e que está sendo fabricado pela Dinastia Sarney. A sua fabricação está sendo realizada a cada obra que inaugura. É o mesmo procedimento que a Dinastia Sarney apresentou no STF para derrubar o primeiro e legitimo governo popular do Maranhão ao longo de sua história; veja os argumentos das peças e dos autos, toda ela configurando acusação de abuso de poder econômico (um detalhe: o representante do STF no período Eros Grau invocou como justificativa de seu voto o município de Codó; inclusive com imagens) por parte do governador no período assinando convênios com o prefeito da época.   
Mormente, Flávio Dino o terrível “comunista” tenta impulsionar o eleitorado maranhense com seu discurso inflamado e de descontentamento com a realidade conjuntural – até porque, convenhamos, é impossível negar essa triste e dramática conjuntura estrutural vivenciada por todos nós, em relação à Dinastia Sarney que, historicamente, esteve no comando político do Estado – e, a partir daí, querer impelir uma aliança tática com quem, a princípio, não possui densidade eleitoral em nível de Brasil – no caso em tela, o candidatável Eduardo Campos do PSB. As pesquisas confrontadas demonstram amiúde, o tamanho político e a inserção social desse candidatável.
Talvez somente em seu estado ele seja capaz de vencer a Dilma e, ainda mais, com uma margem mínima de diferença para cima. Então, mediante tais circunstâncias é preciso tratar com maior serenidade e cautela a questão das alianças. O processo decisório efetivamente ocorrerá somente no ano de 2014, portanto, temos um ano ainda para a construção das alianças no campo da esquerda. Essa ideia de ruptura com o PT constitui um ato oportunista e reacionário e completamente destrambelhado. A rigor, Flávio Dino necessita ter paciência e muita capacidade tática para evitar o desmonte de sua candidatura – que, a princípio, a tendência é ser vitoriosa, porém, é preciso tomar cuidado com enfoque e o rumo que vai dar – pela Dinastia Sarney.
NO JOGO DO XADREZ NACIONAL, EDUARDO CAMPOS É UM PIÃO
O mover das pedras no tabuleiro político nacional, remete-nos para uma realidade concreta: as evidências demonstram a incapacidade de crescimento do todo poderoso candidatável do PSDB, o mineiro Aécio Neves, imagine, o pernambucano Eduardo Campos, do PSB; além é claro, da candidatável da REDE Marina Silva que o supera e muito e aparece como a segunda alternativa. Portanto, nesse jogo todo cuidado é pouco! Flávio Dino tem que se inteirar dessa realidade. O pernambucano Eduardo Campos nesse processo de disputa se constitui apenas num peão; aquele que vai para o sacrifício em defesa da Rainha! O fato de o PSB possuir uma considerável parte de cidades governadas sob seu comando, não implica, literalmente, que o eleitorado de todas elas siga os seus respectivos governantes.
Tal possibilidade é uma incógnita! Repito: o fenômeno lulismo supera a euforia daqueles que tentam emplacar no momento inoportuno e sem nenhuma força adicional. Eduardo Campos não se constitui liderança suficiente para desbravar o Brasil e tornar-se a grande alternativa que Flávio antever em sua fala: “que Eduardo vá em frente, que ele vá adiante, que o Maranhão vai reconhecer a sua importância para o nosso estado e para o Brasil”.
A RUPTURA: ALIANÇAS TÁTICAS E EXPERIÊNCIAS
Dar-vos-ei um exemplo de como um político maduro e experimentado age ante uma circunstância, medindo o termômetro pessoal. No Piauí, temos uma situação análoga, de um lado, o senador da República e por duas vezes governador do Estado, Wellington Dias (PT) e, de outro, o atual governador Wilson Martins do PSB; que, por sua vez, não será candidato à reeleição; está construindo uma aliança com o PMDB. Ora, se nas eleições 2010, houve uma aliança no campo progressista – o PT, PSB, PCdoB e PMDB -, no ano vindouro, talvez ela não se repita. O fator determinante é o seguinte: as pesquisas apontam o senador Wellington Dias como o candidato com maior aceitação popular, contudo e, apesar disso, ele sugere cautela dizendo que é preciso ter os pés no chão e não ficar de “salto alto”; o que podemos tirar de proveito desse posicionamento?
A lição é primordial àquele que deseja se confrontar com a Dinastia Sarney, pois, a esquerda não se resume apenas no PSB, como aliado indispensável para promover uma transformação das estruturas espoliadas historicamente; assim, há um tremendo equivoco por parte do líder oposicionista Flávio Dino quando afirma: “Eu vim pedir ao PSB que caminhe conosco porque é impossível mudar o Maranhão sem o PSB (…) Eu estou falando do mais importante: é impossível, sim, ganhar a eleição sem o PSB”. Perdoe-me, mas, o PSB não se constitui a ‘clava forte’ e irremovível que dará a vitória ao campo progressista; apenas pode ser instrumentalizado como um apêndice na construção dessa frente política ainda abstrata para fortalecer a luta em defesa de um estado livre da batuta conservadora que domina o Maranhão por longos anos. O Maranhão possui outros partidos de esquerda como o PSTU, PSOL E PDT!    
O que vejo nesse discurso de Wellington Dias? Sua capacidade de analisar os possíveis aliados, sem, contudo, perder de vista, a hipótese de materializar uma aliança tática e forte com forças consideráveis e reconhecidas. Ele na verdade, tenta desobstruir os véus que impedem o diálogo com as diversas forças por conta do posicionamento de algumas tendências internas do próprio PT que afirmam sua candidatura como inegociável. A liderança petista piauiense não desperdiça energia e nem tampouco se desgasta agindo equivocada e precipitadamente; e muito menos diz asneira. É um político experiente e maduro. Por isso, mesmo sendo cotado para vencer as eleições em 2014, não trata com ironia e desprezo os seus inimigos e possíveis aliados. Ele os respeita. O modo como o PT piauiense se tornou uma hegemonia claramente denuncia sua estratégia coerente e sua tática sólida. Que isto sirva de lição ao Flávio Dino! Descer do ‘salto’ já é um bom começo! Caso contrário, seu discurso pode se revelar seu pior inimigo e, assim, derrotar a si mesmo.
Em linhas gerais, a mensagem subliminar de Ilimar Franco sem nenhum escrúpulo, tenta induzir o eleitor/leitor a ver o candidatável Flávio Dino como um traidor e, ao mesmo tempo, desesperado, pois, está se recusando alinhar-se ao mais forte político atualmente no Brasil. É possível observar nas entrelinhas que a grande artinha é minar antecipadamente a força grandiosa que carrega Flávio Dino. É como se ele estivesse dizendo: o modo como ele tem se comportado é como se estivesse no interior de um navio sem prumo, sem bússola e sem capitão para guiar seu trajeto. E, dessa maneira ficará à deriva, à mercê da ventania e das ondas bravias do oceano político conservador.
Entretanto, é bom lembrar que, mesmo nas condições atuais Flávio Dino ainda é o candidato capaz de superar o conservadorismo de direita – a Dinastia Sarney – que teima e resiste por mais de quatro décadas no controle do aparelho de estado e, como conseqüência, a proletarização do povo maranhense.
Flávio Dino o terrível “comunista”, está pronto para uma batalha vitoriosa! Avante! 

3 comentários sobre “Por Jacinto Júnior – FLÁVIO DINO: À DERIVA E SUBMERGINDO?”

  1. Prezado Jacinto Júnior, concordo contigo ao entender que Flávio Dino não deveria apoiar Eduardo Campos, porém, faz-se necessário que sejam esclarecidos alguns pontos que, inclusive, permitem-me compreender o porquê desse apoio ao Campos:
    1. Foram o PT e o Lula que, em nome do poder, ignoraram em 2010 a aliança histórica com o PC do B. No ensejo, Flávio Dino foi candidato ao governo com apoio do PSB e não do PT, que foi forçado pela executiva nacional a apoiar a Oligarquia Sarney. Então, meu caro, se houve traição não foi por parte do Flávio Dino;
    2. Quem deu projeção política ao Flávio Dino não foi Lula, mas sim José Reinaldo Tavares, quando o então governador, ao negociar apoios com Humberto Coutinho em Caxias, Rubens Pereira em Matões e Cleomar Tema em Tuntun, garantiu a eleição do Flávio à Câmara Federal com expressiva votação em 2006. O ex-governador hoje é um dos líderes do PSB;
    3. Foi de uma infelicidade incomensurável essa tua tentativa de diminuir o Flávio ao compará-lo com o Wellington Dias. O Wellington é o principal líder político do Piauí, por isso é natural que ele aja dessa forma, uma vez que as outras lideranças daquele estado é que o procuram. Já o Flávio, que perdeu a eleição para prefeito de São Luis devido ao boato de que estava aliado ao Sarney, precisa demonstrar claramente de que lado está e, com isso, reunir em torno de si todas as forças de oposição aos Sarneys;
    4. Concluindo, se o Flávio Dino perder em 2014, ela não terá perdido para si mesmo como tu afirmas. Atribuirei a derrota ao Lula e ao PT. Faço minhas as palavras do Deputado Dutra: “Que dívida impagável é essa que o PT tem com o Sarney?”. Sinceramente, Jacinto, não entendo porque o PT apoia hoje alguém contra o qual lutou durante décadas. Dizia-se que o Sarney não prestava, hoje não sei dizer se quem não presta é o Sarney ou o próprio PT. Voltando ao exemplo do Piauí, lá o PT se manteve firma na oposição à política tradicional e, aproveitando a chegada de Lula ao Planaldo e a enorme popularidade deste, derrotou políticos como Hugo Napoleão, Mão Santa e Heráclito Fortes, abandonando a posição de mero coadjunvante para se tornar o protagonista da política piauiense. O PT daqui, ao contrário, perdeu a chance de romper a casca do ovo e crescer nessa década de governo petista. O PT maranhense atual está menor que em 2002; hoje é governo, mas entrou pela porta dos fundos, rendeu-se aos prazeres do dinheiro, tornou-se fisiológico a tal ponto que apenas o número o difere dos demais partidos. Mas, para a alegria das pessoas de bem, o Flávio Dino e o Povo sagrar-se-ão vitoriosos em 2014, para reescrevermos a história deste estado.

  2. Caro Che Guevara de Shopping Center, o teu PT há muito tempo está de cócoras lambendo as botas da sarneyzada, por imposição do Diretório Nacional, já que o Estadual havia decidido apoiar o Dino(ssauro)na última eleição para o governador. Agora que o barco parece estar fazendo água, os ratos (eles são os primeiros) estão querendo pular pro outro barco, óbvio, daí o desespero por causa da falta de uma tábua de salvação, já que Dino(ssauro) tem aqui no Maranhão o apoio do PSB de Eduardo Campos, provável candidato à presidente contra a Dilma. Nesse cenário, o PT será puxado pelo beiço, que nem jumento ruim, para mais uma vez se curvar aos caprichos da oligarquia. Só isso e nada mais.

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