Acabei de assistir ao filme “Mandela o Caminho Para a Liberdade”, baseado em sua autobiografia.
Como não poderia ser o filme retrata o percurso que Mandela percorreu para se tornar mártir sul-africano mais conhecido e admirado no mundo contemporâneo. Sua intensa luta tinha sentido inapelável, pois, correspondia ao apelo de todo um povo submetido a um processo segregacionista similar ao da escravidão no século 19.

Mandela só percebeu a contradição absurda predominante entre seu povo e os dominadores quando ainda como elaborador da lei jamais ganhou uma causa em favor de seus clientes no Tribunal de Justiça comandado pelos privilegiados dominadores brancos europeus. Quando foi convocado para participar das reuniões do Congresso Nacional Africano – CNA, é que se dar conta da terrível realidade que enfrentava seu povo.
Mandela sempre se destacou por sua capacidade intelectual, entretanto, era mais um entre os seus numa sociedade carregada pelo preconceito e pela intolerância. A violência, a intolerância, o ódio eram premissas fecundantes usadas pelos brancos europeus contra um povo em suas próprias terras.
Sua infância foi marcada pela presença de costumes bastante fortes e singulares para, em seguida, se submeter a ritual que estabelecia a passagem da fase adolescente para a de adulto.
O filme revela sua paixão pela vida. Seu encanto por mulheres. E, finalmente, se rende aos fascínios da enfermeira Winnie Madikizela-Mandela (1936) que, se tornaria sua esposa. Com sua prisão, ela daria continuidade à sua luta contra a segregação racial. Ela também, sofreria o abuso da força opressora do apartheid. Foi presa e submetida à tortura, mas resistiu e sobreviveu.
Mandela foi condenado pelo Estado separatista-segregacionista como incentivador do terrorismo e da violência. Sua condenação em primeiro momento era a morte, contudo, o juiz de ‘sangue azul, nobre e justo’ decidiu mudar o veredicto para prisão perpétua.
Para Mandela tal decisão não impactaria tanto em sua vida, mas, ao povo, pois o mesmo perdia a grande bússola que o conduziria à liberdade em segurança. Apesar de estar preso o seu espírito planava em cada coração de seus irmãos(ãs) e a esperança nunca havia sido abandonada; ao contrário, ganhava cada dia vida e força que ultrapassou além fronteiras do sul-continente-africano. E todos os povos, de todos os continentes, de distintas etnias, culturas, independentemente da cor se mobilizam em defesa de Madiba a alma que não morre e surpreende por sua capacidade de resistência. Isso dá um novo ânimo aos segregados e oprimidos. O mundo exige a soltura de Madiba. Chefes de Estados condenam as ações e a violência contra o povo sul-africano. A ONU também condena o modo como o regime do apartheid tratava o povo sul-africano. A pressão foi ganhando terreno e tornou-se um único coro mundialmente: liberdade para Mandela. Os países impuseram boicotes econômicos contra os produtos oriundos da África para forçar o governo a soltar o amado Madiba, o pai da África contemporânea.
Qual o elemento fundante que permitiu ao povo resistir bravamente contra o regime apartheid? Apenas a capacidade de sonhar por sua liberdade. Sim foi esse o fio condutor que implodiu o coração de Mandela. Ele sabia que a paz só viria acompanhada do verdadeiro amor. Suportar os grilhões da intolerância tanto de um lado, quanto do outro, era a única forma para restabelecer a normalidade interna. Mandela sempre detestou a violência, era um amante do dialogo, do respeito e tolerância. Sua simplicidade era de causar grande impressão a quem o conhecia de perto e sua poderosa força argumentativa. Nunca quis ser um tirano, ao contrário, após conquistar o poder político e reformular um novo modo de vida entre quem antes impusera a força, a perseguição, a tortura e a violência como norma; e, por isso mesmo, inflava o pleno desejo de quem sofrera todas essas agressões retrucar com maior intensidade, como punição necessária e inevitável, e, assim, estaria tudo bem; porém, Madiba, com sua serenidade, sua autoridade, sua liderança e força moral teve que enfrentar os dirigentes do CNA mais exaltados. O propósito era apenas um: desconstruir a natureza da violência entre indivíduos cegos por paixões desenfreadas.
A vida e a trajetória de Madiba constitui exemplo comparável a grandes expressões e notórios líderes como: Marathama Gandhi – a Grande Alma -, Martin Luther King Jr’ – o predecessor dos direitos civis dos negros norte-americanos, juntamente com Malcon X, o Pantera Negra; Zumbi dos Palmares, o “Príncipe da Liberdade dos Afrodescendentes Oprimidos”. Todos, indistintamente, lutaram por uma nobre causa e que permanecem atuais mesmo passados tantos anos!
A grande lição que aprendemos com esses homens é a de que não podemos desistir de nossos sonhos, de nossos ideais, de nossas esperanças desfraldadas numa implacável luta pelo direito de existir como sujeito com direitos e garantias, liberdade e justiça social, fraternidade e solidariedade.
Madiba simboliza tudo isso de modo inexorável. Viveu movido pelo sonho coletivo de proteger cada um de seus coirmãos. Sua maior grandeza: o amor ao próximo. Seu maior legado: o exemplo retilíneo de tolerância apesar de tudo!


ta precisando de uma ocupacao? manda o curriculo
um exemplo histórico de persistencia e dignidade.