O problema não é a política, mas uma “espécie de política”. Pensar que os problemas vividos no país nos dias de hoje foram gerados pela política é uma visão equivocada, pois foi a corrupção e não a política a causa dessa crise. Ela é um espaço do diálogo e não o contrário; a vida na pólis sem política e a vida sem contraditório, em outras palavras, é uma ditadura.
Nesses dias de crise é corriqueiro algumas vozes de razoável alcance bradarem que os problemas do país foram gerados pela política e que esta é a raiz de todos os males. Contudo, os males da nação foram gestados pelas regras atuais da política partidária que distorce o poder construtivo dessa e coloca em ação uma concepção utilitarista, patrimonialista e personalista do fazer política. Uma política que é feita e consumida pelos mesmos atores na medida em que o sentido dessa política é servir a si mesmo, se reproduzir em um círculo auto destrutivo.
A política praticada de acordo com as regras atuais representa uma verdadeira “banalidade” da perversão, uma espécie de tudo pode para chegar a resultados favoráveis, com honradas exceções. A política para ficar rico ou mais rico, para os meus, para tirar proveito, da corrupção das “prioridades”, a política do “ele também roubou para legitimar práticas ilegais”, a do caixa dois, três; essa política constrói a imagem de seus atores como um monte de “ladrão que rouba ladrão”.
Essa “glamorização do trambique” de fato precisa sumir da vida pública, esse é o sentimento de parte da população. Mas a questão é o que colocar em seu lugar? É possível substituir essa política pela não-política?
Na busca de soluções para esse estado de esgotamento moral da política no país, alguns propõem o caminho mais curto, a militarização da vida pública. Esse caminho representa a adoção do silêncio como solução. Além da extensão da já crítica naturalização das ações ilícitas alheias aos interesses coletivos.
Por outro lado, mentes menos simplistas indicam como alternativa para superação da política do “toma lá dá cá” uma com compromissos reais e verdadeiros para os cidadãos. Compromissos que se iniciem pelo resgate da política como atividade emancipatória do ser humano, de compromissos éticos, de mandatos autônomos, de compromissos com os marginalizados, de verdade em substituição a política de mentiras, políticos verdadeiros em substituição a alguns estelionatários que governam ou querem governar.
Em resposta ao questionamento: Quem deve entrar em campo em termos políticos? Acredito que é possível começar por uma seleção que parece óbvia, mas nos dias atuais é quase impossível sua escalação.
Goleiro: Vergonha na cara.
Lateral direito: respeito ao erário.
Zagueiro pela direita: o estado não é meu
Zagueira pela esquerda: o estado é para servir a todos e não alguns poucos
Lateral esquerdo: ter palavra (respeitar os compromissos).
Primeiro volante: licitações sem fraude.
Segundo volante: pagamentos sem propinas.
Ponta direita: respeito aos direitos adquiridos.
Armador: honestidade.
Ponta esquerda: não vender seu mandato.
Centroavante: não entregar a gestão a família e agregados.
Se não é possível fazer um bom time sem bons jogadores, como será possível fazer uma boa política sem bons políticos? Faça sua seleção!
Por Francisco da Silva Paiva “Xico Paiva”


Parabéns pelo excelente texto, Francisco. Gostei tanto que irei publicá-lo na minha página.