A MULHER COMO PERSPECTIVA DE MUDANÇA NO CAMPO POLÍTICO
A presente reflexão teórica, trás em seu bojo uma questão essencial para a sociedade codoense analisar o próximo processo eleitoral que se avizinha.
Farei uma análise, sob o ponto de vista da participação feminina no processo político em nossa cidade. Creio ser oportuno introduzir esse debate agora. Aliás, já de maneira mui tardia! Urge que a mulher se mobilize, se articule e, se apresente como alternativa num campo em que, historicamente, o homem tem sido o centro das decisões.
Partindo desse pressuposto, precisamos reavaliar nosso conceito sobre a nossa participação social enquanto sujeitos interventores e dialéticos. Reavaliar nossa conduta política, reavaliar nosso senso crítico para inserir um novo componente no processo político: a mulher cidadã.
DO PASSADO AO PRESENTE: A PRESENÇA DE UMA CULTURA POLÍTICA PATRIARCAL
Nossa historiografia política carrega consigo a ideologia patriarcal como cultura naturalizada. Desde sua emancipação política, ocorrida em 1896, até a presente data, o poder político sempre tivera sob seu comando homens de origem econômica abastada e com pensamento conservador – e, para constatar esse fato histórico, basta adentrarmos o interior do espaço chamado “Salão Nobre”, onde se encontra a famosa galeria dos “imortais dirigentes burgueses e pequeno-burgueses” que estiveram à frente do Poder Executivo.
Precisamos, agora, pensar Codó “fora da caixa” que tradicionalmente conhecemos e lidamos. Para isso, é fundamental que nos apropriemos de uma nova cultura, de um novo fazer político, de uma nova concepção de sociedade sustentada na liberdade e garantindo a democracia como espaço permanente de diálogo transformador.
Ao trazer à baila o debate sobre a necessidade da mulher codoense ser uma dirigente e colocar-se na condição de alternativa política frente ao tradicional modelo prevalente, o faço com a intenção de provocar a distensão indispensável na implementação do processo eleitoral mais amplo e mais democrático.
Portanto, é fundamental que mergulhemos na nossa história e resgatemos pedaços que pode nos orientar de forma positiva e rica, sobre o papel de vanguarda que representa uma candidatura ao posto máximo de nossa cidade. Nesse sentido, relembro que, no final da segunda metade da década de 1980, ocorreu um fato inusitado, onde o ainda – na época, havia sido recém-fundado – minúsculo Partido dos Trabalhadores-PT, concorreu às eleições de 1992, apresentando uma mulher ao campo majoritário, a professora Graça Rodrigues. Obviamente que não logramos êxito, mas fora uma notável experiência para todo o município, pois, o partido havia apresentado uma mulher ao cargo máximo do poder político, fazendo uma inovação política. Esse fato histórico deve, portanto, ser a base para uma reflexão acurada de nossa realidade permeada pela cultura patriarcal e que, indiscutivelmente, carece sofrer um corte epistemológico estabelecendo novos parâmetros sobre o papel de vanguarda no campo político da mulher cidadã codoense.
O ponto nevrálgico desse texto teve como objeto de análise, a frase emitida no Instagram de Luzinete Santos em que afirmava mais ou menos o seguinte: “Você votaria para prefeita em uma mulher negra, pobre e humilde?” A partir dessa provocativa decidi elaborar o presente texto com o propósito de jogar luz no debate.
A ideia de se ter candidatas mulheres a cargos majoritários e/ou proporcionais é um direito que toda mulher tem. Contudo, é necessário que ela esteja filiada a um determinado partido, que goste de política, conheça a estrutura social de sua cidade e saiba debater com sabedoria temas atuais; além de estar preparada para enfrentar os discursos machistas, preconceituosos e misóginos.
Já tivemos várias experiências políticas com mulheres assumindo o poder político e que souberam administrar com extrema mestria a máquina pública. Só para citar um exemplo, a presidente Dilma Rousseff, que fora derrubada por um golpe.
A MULHER COMO OPÇÃO POLÍTICA ROMPENDO COM A TRADIÇÃO PATRIARCAL
Agora, atenhamo-nos sobre o papel de vanguarda da mulher como militante política. A nossa cidade nunca experimentou uma gestão feminina. Será que não é chegado o momento para isso? Indago: qual o partido político que se habilita para trabalhar essa ideia e construir uma liderança feminina para enfrentar oponentes do sexo oposto no próximo processo eleitoral que se avizinha? Será que o discurso da “igualdade entre homem e mulher” só tem sentido na própria letra da CF/88? E a mulher enquanto cidadã, não tem a ousadia de se prontificar e desencadear um movimento de natureza política que objetive esse propósito? Quando, efetivamente, as mulheres despertarão para essa realidade tão adversa e injusta? E a sociedade civil, estará preparada para compreender esse movimento/deslocamento com o tradicionalismo ou, simplesmente, continuará alimentando esse modelo conservador/machista do qual já se revelou incapaz para sanear as demandas históricas reprimidas? As mulheres precisam avançar em suas lutas e ampliar suas conquistas. E para isso, precisam sair de suas casas, precisam discutir/debater a questão política com propriedade sem receio de encarar o projeto em construção: a conquista do poder político local.

