
Quem viveu os anos dourados de Copa do Mundo em Codó certamente guarda na memória o espetáculo visual que as ruas da cidade se tornavam.
Em edições passadas, o clima festivo tomava conta dos bairros, impulsionado por tradicionais disputas de decoração incentivadas pelo poder público ou por ideias da iniciativa privada. No entanto, o cenário atual é de saudade e de ruas com as cores da bandeira praticamente esquecidas.
Historicamente, o bairro São Francisco era o grande epicentro dessa rivalidade sadia.
A rua Honorino Silva, campeã consecutiva em diversas ocasiões, não ganhava apenas bandeirolas, havia até balões de uma ponta à outra. Na parte mais alta (próximo às escolas Clodomir Milet e Renê Bayma) cheguei a participar de festa de pagode em dia de jogos e, às vezes, para celebrar o título de rua mais bonita.
Não muito longe dali, a Rua Paraguai dividia o protagonismo de forma única.
Os moradores organizavam o canteiro central com jarros de plantas, enquanto milhares de bandeirolas formavam um teto verde e amarelo. Quem olhava da parte mais alta da rua contemplava um cartão-postal inesquecível. Hoje, infelizmente, o silêncio e o asfalto predominam nesses locais.
A resistência na rua Independência
Nossa reportagem percorreu os quatro cantos de Codó à procura desse entusiasmo perdido e encontrou o verdadeiro espírito da Copa resistindo bravamente na Rua Independência, localizada no bairro Santa Filomena. Por lá, o chão tá virando tela de desenhos de nossa bandeira, camisa 10 e réplicas da taça começam a ganhar cor, sob um céu que já volta a ser decorado.
A força dessa iniciativa é o servidor público estadual Jailson Carlos. Em entrevista ao Blog do Acélio, ele revelou que a motivação veio de dentro de casa, movida por uma forte herança futebolística.
A garotada da família respira futebol e tem um motivo a mais para se orgulhar. Eles são parentes do ex-jogador codoense Jackson, meia que vestiu a camisa 18 da Seleção Brasileira sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, em 1999.
Inspirados pelo parentesco ilustre, os filhos e um sobrinho de Jailson pediram para reviver a tradição.
“Eu já vivenciei isso quando era criança e hoje eles estão querendo vivenciar também. Eles me pediram: ‘Pai, vamos fazer? Tio, vamos fazer?’. Eu disse vamos. Confiando e acreditando na nossa Seleção, nós resolvemos encarar o desafio e fazer a alegria de todos”, contou o servidor público.
Empolgado com o ritmo dos trabalhos, Jailson garantiu que a decoração estará totalmente concluída até esta quarta-feira (10/06).
“E aí eu já te convido para, na quarta-feira, vir aqui inaugurar oficialmente a Rua da Copa de Codó”, finalizou o organizador, estendendo o convite à nossa equipe.
Comércio aquecido no Mercado Central
Se nas ruas o clima é de retomada tímida, no comércio popular a Copa do Mundo já começou a ditar o ritmo das vendas. No Mercado Central, o movimento na feira livre de confecções registrou uma alta significativa nos últimos dias.
De acordo com Edson, feirante do setor de confecções, a procura por artigos da Seleção Brasileira aqueceu os negócios.
Segundo o comerciante, apesar do surgimento de novos craques, a preferência do torcedor codoense continua consolidada, a camisa mais procurada e vendida na feira ainda é a que carrega o nome de Neymar Jr.