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segunda-feira, 28 de setembro de 2026
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SETEMBRO AMARELO: Dra. Luciana Moreira, psicóloga, fala sobre valorização da vida

Dra. Luciana Moreira, psicóloga

Em entrevista concedida ao programa A Conversa é com Acélio, a psicóloga Luciana Moreira desmistificou uma das crenças mais comuns sobre a ideação suicida: a ideia de que todo indivíduo manifesta alertas evidentes antes de tentar contra a própria vida.

Segundo a especialista, nem todas as pessoas apresentam sinais claros que possam ser identificados por leigos, o que exige um olhar ainda mais atento da sociedade e dos familiares.

​Apesar da complexidade de identificação, Luciana pondera que mudanças bruscas de comportamento merecem atenção imediata.

Alterações repentinas no humor, isolamento social, perda de interesse por atividades que antes geravam prazer, distúrbios de sono ou de apetite e declarações recorrentes como “eu queria sumir” ou “eu queria desaparecer” funcionam como importantes indicativos de sofrimento psicológico grave.

​Questionada sobre como pessoas sem formação profissional podem agir, a psicóloga reforça que o primeiro passo é a aproximação sem julgamentos.

“O primeiro passo é acolher essa pessoa, ouvir ela sem julgar, porque muitas vezes as pessoas com pensamento ao suicídio, elas não querem morrer, elas querem parar com esse sofrimento”, destacou.

Ela orienta uma abordagem simples e empática, propondo diálogos como “olha, eu percebi que você não tá bem, quer conversar?”.

​Por outro lado, intervenções inadequadas podem agravar o quadro clínico.

A psicóloga alerta que frases como “você precisa buscar a igreja, isso é falta de Deus” ou comparações do tipo “tem pessoas que passam por coisas piores” devem ser completamente banidas.

“Essas frases devem ser evitadas ao máximo, porque pode agravar o quadro clínico daquela pessoa”, adverte.

​A recomendação central para quem deseja ajudar é encaminhar e acompanhar a pessoa até o atendimento especializado.

O acesso à assistência pode ser feito por meio de profissionais como psicólogos e psiquiatras, pelas Unidades Básicas de Saúde, pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), que atende gratuitamente 24 horas pelo telefone 188.

​Ao tratar da sustentabilidade da rede de apoio após o encerramento do Setembro Amarelo, Luciana Moreira conclui lembrando o caráter permanente do tema

“A saúde mental não é uma campanha de um mês”.

OUÇA TODA A ENTREVISTA

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

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