Tarso Genro – O enigma visível

Jacinto Junior
Jacinto Junior

Confesso: sou admirador de carteirinha de Tarso Genro. Intelectual de ponta. O acompanho sistematicamente no blog da Carta Maior. Seu estilo franco, direto e profundo, desnuda todos os mistérios da economia, da cultura e da política – de modo cirúrgico. Nele, é possível o encontro quase impossível entre o passado, presente e o futuro numa categoria primaz: a dialética.

O seu último texto publicado na Carta Maior com o título: “Sobre a liberdade de escrever”, nos conta sua experiência de como desejava conhecer o magistral escritor Érico Veríssimo, autor de obras inesquecíveis como “O Tempo e o Evento”, “O prisioneiro”, enfim, homem de pensamento.

Ao discorrer sobre sua relação com o nosso extraordinário romancista, nos remete para uma necessária reflexão sobre os valores fundantes de uma sociedade comprometida com a seriedade e a verdade. Relembra, também, de uma passagem em que Érico Veríssimo numa entrevista concedida a Adolfo Braga quando é provocado pelo interlocutor chamando-o de escritor “alienado”, ao passo que responde: “Veja você: Engels, que não foi propriamente do PSD, disse que Balzac, com seus romances, prestou mais serviços a causa do socialismo, mesmo sendo um conservador, do que se escrevesse panfletos políticos”. Érico Veríssimo demonstra toda sua compreensão sobre a questão política e conhecia bem o processo revolucionário alemão, francês bem como a revolução russa ao citar tal passagem engelsiana.

E, logo adiante, Tarso Genro novamente busca uma passagem de Érico na abertura do livro de entrevista cujo título já mencionamos acima sobre a importância dos valores morais quando ele tipifica a relação destruidora do sistema capitalista sobre os homens afirmando que: “manteve uma coerência também rara numa época de princípios volúveis”. Quanta nobreza e profundidade esposa Érico! Onde predomina a estupidez nele aflora sensibilidade, onde a fragilidade humana se desconserta nele manifesta a fortaleza, a retidão e a lealdade; conservando os estilhaços de uma fiel caminhada sobre todos os percalços.

Tarso Genro desenvolve uma linha de raciocínio buscando Érico Verissimo para denunciar a insensibilidade do sistema capitalista que institui meio e modos de exploração intensa da força de trabalho, mas, ao mesmo tempo, tenta recuperar a capacidade de sonhar do individuo, apesar de tudo! Tarso Genro é um intelectual que busca interferir positivamente na realidade social com suas afiadas posições, sem, contudo, ser desonesto. Tarso Genro é um desses raros intelectuais que ainda permanece fiel à tradição ideológica radical. Lúcido e contundente consegue descrever sinuosamente – não eufemisticamente -, nossa dura realidade social e política; mantém um elevado espírito republicano irrequieto!

Ao final de seu denso e vigoroso texto, evoca o poeta T. S. Eliot – numa alusão mais que evidente -, para fortalecer o nível de consciência de cada um de nós, sob a égide da participação social. De fato, Tarso Genro tem razão: precisamos nos transformar em Érico para que seja possível acreditar numa perspectiva transformadora radical de poder. E, certamente, o Brasil sentir-se-ia bem melhor com essa filosofia democrática e renovada.

Por Jacinto Junior

6 comentários sobre “Tarso Genro – O enigma visível”

  1. Alguns, vez em quando, escrevem e defendem essa transformação radical de poder!!!
    Ora, se você é siliente, apoiou o poder do partido que domina o País ( afogado em casos de corrupção), teve chance de mudar educação municipal, mas deu continuidade “radical” ao mesmo sistema e, quando demitido, calou-se.
    Como falar em transformação radical, se jamais fez ou comportou-se no sentido de mudar governos com até irregularridades apontadas em relatórios do TCE, e mazelas na “educação” comprovadas e expostas de forma continuada pela imprensa estadual e nacional???

  2. “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Vide a desastrosa passagem pela Seduc do Governo “burgês” do Zito. Tá comendo do pirão tá tudo certo, pega um pé, começa a escrever artigos raivosos. Te emenda, siô!

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