
CODÓ/MA — Em entrevista ao programa “A Conversa é com Acélio”, a psicóloga codoense Dra. Luciana Moreira trouxe importantes orientações sobre saúde mental na hora do luto.
A especialista explicou que a dor do luto não está limitada ao falecimento de entes queridos, como pais, avós ou irmãos, mas se estende a diferentes rupturas ao longo da vida.
Durante o bate-papo com o jornalista Acélio Trindade, a psicóloga desmistificou a ideia de que o luto está associado exclusivamente à morte.
”O luto é um processo complexo, mas é uma resposta natural diante de uma perda importante. Muitas pessoas associam esse luto apenas à morte de alguém querido, mas não: ele também pode acontecer após o fim de um relacionamento, a perda de um emprego, uma mudança de cidade, até o diagnóstico de uma doença ou qualquer outra situação que represente uma ruptura significativa. O luto não é uma doença, é um processo de adaptação a uma nova realidade”, destacou.
Sem prazo de validade
A psicóloga clínica, que hoje vive em Santa Catarina, em Chapecó, ressaltou que não existe um tempo padrão para que a dor desapareça e que cada indivíduo vivencia o processo no seu próprio ritmo.
”Não existe um prazo determinado para que o processo do luto se finde. Cada pessoa tem sua história, sua relação com aquilo que perdeu e seus próprios recursos para enfrentar esse momento. Algumas pessoas precisam de semanas, outras de meses. O importante é conseguir, aos poucos, se adaptar a essa nova realidade”, explicou.
Sintomas físicos e sinais de alerta para apoio profissional
Interpelada sobre quando a dor do luto passa a exigir intervenção especializada, Dra. Luciana detalhou as reações do corpo e da mente, destacando os comportamentos que servem de sinal de alerta para a família e amigos.
”O luto mobiliza muitas emoções e pode trazer tristeza, medo, insegurança, alterações no apetite e no sono, ocasionando sintomas de ansiedade e até crises de pânico. Cada indivíduo vive de maneira única, mas o acompanhamento psicológico se faz necessário quando o sofrimento permanece muito intenso por um longo período e começa a impedir a pessoa de fazer atividades rotineiras, como trabalhar, estudar e cuidar de si”, alertou.
A ppsicóloga também apontou outros fatores críticos que exigem cuidado imediato.
”Outro ponto que merece muita atenção é quando existe um isolamento muito grande, quando a pessoa sente muita culpa ou quando não consegue mais enxergar sentido na vida. Nesses casos, é necessário buscar a ajuda de um profissional da psicologia”, concluiu.
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