
CAXIAS (MA) — Um evento sísmico de baixa magnitude, calculado em 2,8 na escala Richter na cidade maranhense de Caxias, provocou repercussão na região.
O abalo foi registrado pelo Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis/UFRN), órgão de referência na identificação de atividades geológicas no Nordeste.
Apesar do susto inicial provocado no debate público local, o fenômeno não causou prejuízos materiais nem deixou feridos.
O tremor está associado à movimentação de pequenas falhas tectônicas presentes na bacia sedimentar Maranhão-Piauí, um processo natural de liberação de tensão nas profundezas do solo.
O POVO NÃO, MAS OS EQUIPAMENTOS SENTEM
O diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, Everton Costa, explicou que tremores desse porte são mais recorrentes do que a população imagina.
Segundo o especialista, a falta de percepção direta por parte dos moradores não significa ausência de atividade geológica.
”Tremores de terra são mais comuns do que se imagina. Estou falando dos tremores de baixa magnitude, aqueles considerados fracos, que não são sentidos pelas pessoas, mas são captados pelos instrumentos”, destacou o diretor. “Antes, esses tremores passavam de forma invisível. Não eram percebidos até a instalação de equipamentos muito sensíveis, os sismógrafos”, disse
DOIS APARELHOS NO PIAUÍ E UM EM CODÓ
A detecção precisa do evento ocorreu por meio de uma triangulação entre diferentes unidades de monitoramento.
Além das estações piauienses localizadas nos municípios de Floriano e Pedro II, a rede ganhou reforço crucial com a instalação recente de uma nova unidade em solo maranhense, em Codó.
”Recentemente, uma instituição de alta credibilidade, o LabSis, implantou um sismógrafo em Codó. São esses equipamentos que, juntos no processo de triangulação, conseguem detectar vibrações das profundezas da terra em nossa bacia sedimentar”, pontuou Everton Costa.
O gestor reforçou que eventos dessa natureza não oferecem riscos imediatos à população, mas ressaltou a relevância técnica dos dados coletados para o planejamento urbano e econômico da região.
”Esses tremores não provocam danos e não têm tanta energia, mas essa pesquisa é essencial para orientar investimentos em grandes obras, engenharia pesada e segurança hídrica. É um conhecimento necessário para alavancar o desenvolvimento”, concluiu o diretor, enfatizando que o acompanhamento contínuo das falhas geológicas é fundamental para o avanço da ciência e da segurança de infraestrutura.

