
A fé sertaneja, o terno de couro e a poeira das estradas maranhenses se encontram anualmente em Vargem Grande para celebrar uma das maiores expressões da religiosidade popular do Nordeste, o Festejo de São Raimundo Nonato dos Mulundus. A festa transcende o dogma litúrgico para reverenciar a memória do “santo vaqueiro”.
A devoção teve origem no século XVIII. Segundo a narrativa popular, Raimundo Nonato Soares Cangaçu era um vaqueiro que morreu em 1732 ao perseguir uma rês (vaca) na vegetação fechada. Dias depois, seu corpo foi encontrado intacto e exalando um perfume agradável. O mistério transformou o local em ponto de peregrinação e deu vida ao mito do protetor dos vaqueiros.
A fé popular acabou se entrelaçando ao culto do bispo espanhol São Raimundo Nonato, acolhido pela Igreja Católica para abrigar a devoção que movimenta multidões do Maranhão profundo.
A Grande Procissão
As fotos aqui expostas são do dia 22 de agosto de 2026, sábado, marcando o ponto alto dos dez dias de celebrações. A tradicional romaria partiu do centro urbano de Vargem Grande percorrendo cerca de 7 km ao longo da BR-222 até a Capela da Paulica, no povoado dos Mulundus.
22 de agosto: A Alvorada dos Vaqueiros deu início à caminhada rumo ao santuário da Paulica.
23 a 30 de agosto: Novenas noturnas, missas campais e quermesses na Praça da Matriz.
31 de agosto: Encerramento festivo com a bênção dos chapéus de couro e missa solene de despedida dos romeiros.


