
O feijão, parceiro inseparável do arroz no prato dos brasileiros, tem pesado cada vez mais no bolso do consumidor.
Quem vai ao supermercado ou à feira já percebeu a sequência de reajustes que não dá trégua desde o começo do ano. O susto ao olhar a etiqueta de preço já virou rotina: “Choveu? Choveu muito. Pagar R$ 6, R$ 7… É de admirar”, desabafa o consumidor.
Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) confirmam a percepção das ruas.
Desde fevereiro, o feijão só fica mais caro. No mesmo período em que a inflação oficial do país acumulou alta de 3,36%, o feijão subiu muito acima da média, empurrado por fatores climáticos e quebra de safra.
Clima adverso castiga as primeiras safras do ano
De acordo com analistas do setor, as condições climáticas adversas registradas no Sul do país e em outras regiões produtoras foram as grandes vilãs. Houve uma redução drástica na oferta da primeira e da segunda safra — colheitas realizadas no primeiro semestre —, o que comprometeu não apenas o volume produzido, mas também a qualidade física dos grãos.
O impacto variou conforme o tipo de feijão, mas o reajuste foi generalizado:
- Feijão Carioca: O tipo mais consumido do país liderou as altas, com disparo de quase 53% no primeiro semestre.
- Feijão Preto: Com a alta do carioca, a busca pelo feijão preto aumentou. Como a oferta não acompanhou a demanda repentina, o preço subiu quase 23%.
- Feijão Mulatinho: Registrou alta de 19%.
- Feijão Fradinho: Teve a menor variação, com alta de 2,5%.
O reflexo no “PF” do trabalhador
Presente na mesa de quase todos os brasileiros por seu valor nutricional (rico em ferro e proteínas), o feijão dita o ritmo dos custos no setor de serviços. Em um restaurante de Goiânia (GO), o tradicional Prato Feito (PF) precisou ser reajustado.
Hoje, o cliente paga R$ 29,90 pelo prato que, em janeiro, custava R$ 1,00 a menos.
Para quem consome diariamente, a alta é sentida diretamente no orçamento mensal.
“Eu como feijão todos os dias. Gosto com quase tudo: batata frita, arroz… só não como quando o prato realmente não combina”, conta um cliente do local.
Expectativa de alívio com a terceira safra irrigada em Goiás
A expectativa de um alívio nos preços está depositada na colheita da terceira safra do feijão, que começa a ser colhida agora, na segunda quinzena de julho.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta um salto de 4,4% na produção em comparação ao ano passado, o que deve injetar 693 mil toneladas do grão no mercado nacional.
Goiás desponta como o maior produtor desta terceira etapa, com estimativa de colher 176 mil toneladas — um aumento de quase 6% em relação ao mesmo período de 2025.
Por que a terceira safra traz esperança?
Diferente das anteriores, a terceira safra do feijão goiano é realizada majoritariamente em áreas irrigadas. Isso garante:
- Estabilidade na oferta: O produtor não depende exclusivamente do regime de chuvas;
- Garantia de qualidade: O controle de água minimiza as perdas e garante grãos mais padronizados;
- Preços mais controlados: O aumento da oferta de qualidade no mercado tende a frear a escalada de preços nas gôndolas nas próximas semanas.